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“Crédito para ônibus do Move Brasil 2 deve esgotar em um mês”, diz Walter Barbosa da Mercedes-Benz

Para o executivo, o impacto do programa de renovação de frotas tende a ser mais relevante no mercado de ônibus, que ainda opera com forte represamento de compras

Publicado em 11/05/2026 por Aline Feltrin

Walter Barbosa, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil (Divulgação)
Walter Barbosa, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil (Divulgação)

De Zárate, Argentina


O programa federal Move Brasil 2 poderá funcionar como uma alavanca para destravar a renovação de frotas de ônibus no país. A avaliação é de Walter Barbosa, vice-presidente de vendas, marketing e peças & serviços da empresa. O impacto do programa tende a ser mais relevante no mercado de ônibus, que ainda opera com forte represamento de compras. A análise foi feita durante conversa com jornalistas da imprensa brasileira na inauguração da planta da montadora em Zárate, na Argentina.

“O Move oferece uma taxa próxima de 13%, entre 13% e 14%. Isso pode estimular os frotistas a renovarem suas frotas de ônibus”, afirmou. O setor vinha acumulando decisões postergadas em função do ambiente macroeconômico. “De janeiro a abril, o mercado estava 16,9% menor do que o mesmo período do ano passado. Um dos grandes reflexos disso é a taxa de juros e o aumento do preço do diesel, que fizeram os operadores segurarem as compras.”

Barbosa afirma que o mercado de ônibus segue concentrado nos mesmos operadores, sem entrada relevante de novos compradores. “Não tem novos compradores no ônibus. São sempre os mesmos operadores, seja urbano ou rodoviário”, afirmou.

Para o executivo, o Move Brasil 2 chega em um momento em que o setor precisa de estímulo para renovação de frota, mas ainda sem expansão da base de clientes. “O ônibus precisa renovar. É um mercado que depende muito de reposição de frota”, disse.

Ele lembra que o volume mensal considerado saudável no Brasil está acima de duas mil unidades. Quando o mercado fica abaixo de 1.500 ou 1.600 unidades, o sinal é de enfraquecimento da demanda. A Mercedes-Benz detém cerca de 43% de participação no mercado total de ônibus no Brasil, chegando a 55% quando excluídos programas como o Caminho da Escola.

Na visão do executivo, o programa é um estímulo de curto prazo, com potencial de rápida absorção. Ao ser questionado sobre o ritmo de esgotamento da linha de financiamento, afirmou: “A aposta é de que o crédito para ônibus do Move Brasil 2 dure cerca de um mês.”

Isso ocorre porque há demanda reprimida acumulada no segmento, que tende a reagir rapidamente a condições de crédito mais favoráveis. “O Move pode ajudar a melhorar um pouco a renovação, porque a taxa é melhor do que a normal, mas ainda estamos falando de um mercado que já vinha postergando investimentos”, disse.

Crédito mais rápido

Barbosa destaca que o Move Brasil 2 tem um diferencial importante em relação a programas anteriores por causa da velocidade de liberação do crédito. “No Refrota, o processo leva em torno de 120 dias entre fechar com o cliente e faturar o carro. No Move Brasil 2, uma semana depois do crédito aprovado já é possível faturar, o que torna o processo mais ágil.”

Segundo ele, a Mercedes-Benz recebeu recentemente os critérios do programa e iniciou a comunicação com sua rede de concessionários. Ainda não há estimativas consolidadas sobre o impacto em volumes, mas os próximos 15 a 20 dias serão importantes para medir a resposta do mercado. “Vamos comunicar a rede e ver como o mercado reage. Se tivermos um volume mensal abaixo de 1.500 ou 1.600 ônibus, não é um mercado bom. Acima de 2.000 já é um sinal mais saudável”, avalia.

A segunda edição do programa Move Brasil tem uma linha de crédito de R$ 21,2 bilhões destinada à compra de caminhões e ônibus e à renovação da frota nacional. Do total, R$ 14,5 bilhões virão do Tesouro e R$ 6,7 bilhões do BNDES. O programa prevê ainda uma reserva de R$ 2 bilhões específica para caminhoneiros autônomos e outros R$ 2 bilhões voltados exclusivamente ao financiamento de ônibus. 

Regras e condições

Para serem aceitos no programa, os veículos precisam cumprir duas exigências principais: sustentabilidade, respeitando limites de emissão de poluentes, e origem nacional, atendendo a índices mínimos de fabricação no Brasil. Esses critérios seguem as diretrizes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por operar os recursos.

Uma das formas de conseguir condições ainda melhores no financiamento é entregar um veículo antigo como parte do processo. Para isso, o veículo usado precisa estar em condições de rodagem, ter licenciamento regular a partir de 2024 e mais de 20 anos de fabricação. Após a operação, o proprietário deve comprovar que o veículo foi encaminhado para reciclagem em até 180 dias.

As condições financeiras das linhas de crédito do programa, como juros, prazos e carência, foram regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Os prazos variam conforme o perfil: até 10 anos para pessoas físicas, com até 12 meses de carência, e até 5 anos para empresas, com até seis meses de carência. O valor máximo por financiamento é de R$ 50 milhões por cliente.

A jornalista viajou a convite da Mercedes-Benz

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