Caminho da Escola evitou uma queda maior no mercado de ônibus, avalia Ricardo Portolan da Marcopolo
No pregão realizado neste ano, a empresa se habilitou para fornecer 7.210 unidades para o programa federal com as marcas Volare e Neobus, esta última em parceria com a Volkswagen Caminhões e Ônibus
Publicado em 15/05/2026 por Márcia Pinna

A Marcopolo registrou uma produção de 3.908 ônibus no primeiro quadrimestre do ano, somando se as três marcas – foram 1.508 da Marcopolo, 1.336 da Neobus e 1.064 da Volare, de acordo com os números da Associação dos Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus). No ano passado, o volume foi de 3.991 unidades, que significa uma pequena retração de cerca de 2%. No mercado nacional como um todo, as encarroçadoras fabricaram 8.716 ônibus no quadrimestre, com um discreto avanço de 1,03%.
Em termos de resultados financeiros, a Marcopolo registrou um lucro líquido consolidado de R$ 264,6 milhões no primeiro trimestre, com crescimento de 8,8% em comparação ao mesmo período de 2025. A receita líquida consolidada alcançou R$ 1,66 bilhão, resultado de uma distribuição entre mercado interno (R$ 899,7 milhões), exportações (R$ 159,3 milhões) e operações internacionais (R$ 596,2 milhões).
Para Ricardo Portolan, diretor de Operações Comerciais Mercado Interno e Marketing da Marcopolo, os resultados da empresa no quadrimestre são considerados favoráveis. “Quando olhamos a questão dos números do primeiro trimestre, são números importantes e de um certo crescimento em resultado, além de um equilíbrio em receita. Mas quando olhamos pelos acontecimentos do primeiro trimestre e do primeiro quadrimestre, a perspectiva para os próximos meses é realmente bastante positiva.”
O quadro é avaliado como benéfico, principalmente devido à situação do mercado brasileiro de ônibus em geral. “Os emplacamentos caíram 15% no Brasil de janeiro a abril. Todos os segmentos reduziram: rodoviário caiu 24%, urbano 22%, o micro caiu 11%. O Caminho da Escola, com as entregas e os emplacamentos da fase anterior que ocorreram neste ano foi o que evitou uma queda maior do mercado interno. Para a Marcopolo esse momento mais baixo de mercado no Brasil foi compensado pelas operações internacionais, trazendo um resultado melhor. Comparativamente com o ano passado, acabamos ficando no equilíbrio.”
Portolan avalia que os quatro meses do ano foram marcados por vários acontecimentos importantes, que fizeram a Marcopolo avançar bastante, no Brasil e no exterior. “O Caminho da Escola, sem dúvida, foi uma excelente notícia em relação à nossa participação no pregão, pois conquistamos um volume bastante expressivo. São 7.210 unidades. Nós tivemos também nesse primeiro quadrimestre entregas e projetos relevantes, como foi o caso de Goiânia, onde entregamos as unidades tanto elétricas como a gás biometano, articulados e biarticulados”, pontua.
A Marcopolo se habilitou para fornecer 7.210 unidades para o Caminho da Escola - o pregão licitou 7.470 ônibus escolares. “Participamos com as marcas Volare e Neobus. A marca Neobus é através da carroceria com o parceiro de chassi, que nesse caso é a Volkswagen. Com a Volkswagen, nós nos habilitamos a fornecer 6.590 unidades e, com a Volare, mais 620 unidades”, diz Portolan.
Outra licitação importante que a companhia ganhou no ano passado, também em parceria com a Volkswagen, foi o Caminho da Saúde, com um lote de até 3.000 ônibus. “Nesse primeiro quadrimestre já começamos a produzir um volume mais expressivo dessas unidades, principalmente agora em abril. Nos próximos meses, teremos um volume significativo de entrega para esse programa também, de pelo menos 1.500 unidades, até junho. Depois, pode ampliar esse volume até 3.000, não está confirmado, mas existe essa perspectiva”, informa.
Portolan também enfatiza a importância da entrega da primeira unidade do Volare híbrido elétrico-etanol, para uma fase de operação assistida de testes com a Sertran Transportes em uma usina da bp bioenergy. Não é uma entrega para o mercado real ainda, mas já estamos avançando nessa tecnologia inédita que a Marcopolo desenvolveu. Nossa ideia é iniciar a comercialização no mercado real a partir do segundo semestre”, comenta.
No mercado externo, a Marcopolo atua de duas formas: com fábricas no exterior, que produzem localmente, e por meio das exportações do Brasil. No caso das exportações do Brasil, o Peru é um mercado que está bastante aquecido, com uma forte renovação de frota, segundo o executivo. Entre as unidades do exterior, a Austrália foi o destaque no quadrimestre, principalmente no segmento de urbanos. “Nossa operação na Austrália está bastante consistente em termos de pedidos e de entregas, o que traz um resultado positivo, com volumes de negócios consistentes em um horizonte mais longo.”
Perspectivas e desafios
A projeção da Marcopolo para o restante do ano é de um mercado estável e talvez com um pouco de retração em relação ao ano passado. “Abril foi um pouco maior em termos de produção e também de emplacamentos. Em produção, já equilibra com o ano passado; em emplacamentos, ainda vai depender do segundo trimestre para aproximar do ano passado e reduzir essa queda de 15%. A expectativa do urbano para este ano era de um volume maior, inclusive neste início de ano, só que as renovações e as compras do segmento urbano estão mais lentas do que o previsto, mesmo com o programa de financiamento do Refrota”, diz.
Para o segmento de rodoviário e fretamento, a perspectiva é de otimismo devido ao programa do Move Brasil, que está em fase final para ser operacionalizado. “Esse é um fator positivo no segmento e deve aumentar os volumes em relação ao que estava previsto. A nossa estimativa é de um incremento entre 10% e 20% no rodoviário. Nessa combinação do urbano ser menor do que o previsto e o rodoviário ser maior com o Move Brasil, acaba havendo um equilíbrio para mantermos a visão de um ano estável ou com redução na casa de 5% a 10%.”
O ponto de atenção do programa é o montante, que em um primeiro momento é de até R$ 2 bilhões de financiamento para ônibus, que deve ser suficiente para um volume de mil a 1,3 mil ônibus. “É um volume expressivo, mas quando olhamos a necessidade de renovação de frota nesse segmento rodoviário e de fretamento, ela é muito maior do que esse volume. Então, de fato, é uma corrida para aproveitar esse momento de taxa de juros menor, que vínhamos apontando nos últimos anos como o grande inibidor de uma compra mais acelerada.”
A aprovação do Marco Legal do Transporte Coletivo também é visto de forma muito positiva pelo executivo, pois deve trazer padronização e segurança jurídica em nível nacional para os contratos e financiamentos, ajudando a destravar as negociações locais. Outro acontecimento importante para o mercado é a realização da Lat.Bus 2026, de 11 a 13 de agosto, em São Paulo.

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