Richele Cabral, diretora da Federação das Empresas de Mobilidade do Estado do Rio de Janeiro (Semove), revela um dado impressionante: se o Estado do Rio de Janeiro recuperasse a demanda perdida, o impacto ambiental seria equivalente à eletrificação de toda a frota de ônibus do país. Ela reforça que sustentabilidade começa com serviço eficiente. E que ônibus elétrico parado no congestionamento “não resolve nada”.

Pesquisas da NTU e da COPPE/UFRJ mostram que a descarbonização, embora importante, não aparece entre as cinco principais prioridades do usuário. O que realmente pesa é o tempo de viagem, hoje o fator número um para quem deixou o ônibus. Os estudos revelam ainda que 70% dos usuários de moto voltariam ao transporte público se o deslocamento fosse mais rápido, reforçando que faixas exclusivas, corredores e prioridade semafórica são indispensáveis para tornar o ônibus competitivo.
O sistema intermunicipal do Rio de Janeiro encolheu perto de 50% na última década. Houve redução de passageiros, de frota, de oferta e de quilometragem na mesma proporção, o que deteriorou a qualidade do serviço. A migração foi clara: carro, moto e aplicativos — alternativas mais poluentes e menos eficientes, que aumentam congestionamentos e emissões.
Richele aponta que a rejeição às faixas de ônibus vem, em grande parte, de quem não usa transporte coletivo, mas tem grande influência na opinião pública. Ela lembra que um ônibus transporta entre 40 e 50 pessoas, enquanto um carro leva uma ou duas. Por isso, mais gente se beneficiaria da prioridade ao ônibus do que da manutenção do espaço para carros, e quebrar esse preconceito é fundamental para melhorar a mobilidade urbana.
Indústria avança em múltiplas tecnologias
No episódio, Márcia Pinna, editora da Technibus, entrevista Ricardo Portolan, diretor da Marcopolo, que confirma que a indústria brasileira segue ampliando seu portfólio de tecnologias sustentáveis. Em 2026 começam as entregas dos primeiros ônibus a biometano, enquanto modelos híbridos elétrico-etanol entram em operação assistida. Projetos com hidrogênio também avançam. Para Portolan, a indústria nacional aposta em diversificação energética, e não em uma única solução.
ABC paulista mostra que ouvir o passageiro funciona
Adamo Bazani, editor do Diário do Transporte, apresenta o caso do Circular da Saúde, em Santo André, uma linha criada com base em dados de bilhetagem, pedidos da população e roteirização inteligente. O serviço aplica o conceito de transporte sob demanda no sistema regular e alcançou 91% de aprovação, segundo o Instituto Paraná Pesquisas. O resultado é aumento contínuo de demanda e uma lição clara: quer atrair demanda? Atenda a demanda.
Abrati News
A ANTT vai atualizar as normas do SAC – Serviço de Atendimento ao Consumidor- com a legislação, que prevê diretrizes sobre tempo de espera, atendimento humano, acessibilidade e tratamento das demandas. A consulta pública já está aberta e a seção híbrida – presencial e online- acontece no dia 3 de março, em Brasília.
Depoimento Lat.Bus – Nansen
O episódio traz ainda um depoimento de Denner Andrade, gerente de contas da Nansen, que garantiu a presença da empresa na Lat.Bus 2026, um evento da OTM Editora, que qualificou como de grande importância e onde está certo de encontrar as maiores empresas do setor.
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