Ministro das Cidades aponta a dificuldade de transformar planos em obras

Jader Barbalho Filho destaca entraves à execução de projetos urbanos e defende previsibilidade regulatória, capacidade técnica e fontes estáveis de financiamento

Alexandre Asquini

Na sessão de abertura do seminário Superciclo de Investimentos em Infraestrutura – Avanços e Desafios, promovido pelo BNDES, o ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, reforçou que o principal desafio da política urbana brasileira não é a falta de diagnósticos, mas a dificuldade de transformar planos e projetos em obras efetivamente executadas.

“Temos um passivo histórico nas cidades brasileiras, e enfrentá-lo exige continuidade administrativa, capacidade técnica e fontes de financiamento adequadas”, afirmou. Segundo o ministro, estão garantidos para 2026 R$ 8 bilhões para mobilidade urbana e R$ 8 bilhões para saneamento, por meio do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Jader Filho destacou que o ministério das Cidades tem trabalhado para reconstruir a capacidade de planejamento urbano no país, com foco em mobilidade, habitação, saneamento e desenvolvimento urbano integrado. Nesse esforço, ressaltou a importância do BNDES como parceiro estratégico, tanto na estruturação de projetos quanto no apoio financeiro.

Para o ministro, previsibilidade regulatória, padronização de modelos contratuais e ampliação do acesso de municípios de médio e pequeno porte a instrumentos de financiamento são elementos-chave para reduzir riscos, acelerar investimentos e diminuir desigualdades territoriais.

Na sessão de encerramento do seminário, o ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o Brasil passou a contar com o maior pipeline de concessões rodoviárias do mundo. Segundo ele, esse avanço resulta do apoio técnico e financeiro do BNDES e da evolução do modelo de financiamento público-privado, que tem ampliado a capacidade de estruturação e execução dos projetos de infraestrutura no país.

Painéis técnicos

Debates reuniram gestores públicos, operadores e investidores em torno do financiamento de longo prazo, da segurança regulatória e da sustentabilidade do ciclo de investimentos. O seminário contou com dois painéis técnicos dedicados à discussão dos entraves e das oportunidades para a ampliação do investimento em infraestrutura. O primeiro colocou em foco a sustentabilidade do ciclo de investimentos e o impulso a novos projetos.

Com coordenação de George Santoro, secretário-executivo do ministério dos Transportes, a sessão teve a participação de Tomé Barros Monteiro de França, secretário-executivo do ministério dos Portos e Aeroportos.

Participaram também executivos de grandes organizações que atuam no setor de infraestrutura: Miguel Setas, CEO da Motiva (anteriormente conhecida como Grupo CCR), empresa brasileira de infraestrutura de mobilidade; Marcos Almeida, head para a América do Sul da Brookfield, gestora global de ativos alternativos; Radamés Casseb, CEO da Aegea, empresa privada brasileira de saneamento básico; Santiago Yus, CEO da Aena, operadora aeroportuária de alcance global; e Guilherme Caixeta, head de infraestrutura da GIC, fundo soberano do governo de Cingapura.

O segundo painel, moderado por Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, foi dedicado ao financiamento da infraestrutura, considerando o papel do Banco, do mercado de capitais e dos bancos privados. Participaram José Rudge, sócio e diretor de infraestrutura do Itaú BBA; Ralph Rosenberg, CEO da Perfin Investimentos; Francisco Augusto Lassalvia, vice-presidente de negócios do Banco do Brasil; Gilson Finkelstein, CEO da B3; Renato Mazzola, sócio-administrador da BTG; e Rafael Furlanetti, sócio-diretor institucional da XP Inc.

Pontos de realce

Os painéis destacaram a necessidade de fortalecer o financiamento de longo prazo, especialmente em projetos com elevado impacto social e retorno financeiro mais diluído ao longo do tempo. Nesse cenário, bancos públicos como o BNDES foram apontados como atores centrais, seja por meio do crédito direto, seja pela mobilização de investidores institucionais e do mercado de capitais.

A agenda ambiental, social e de governança (ESG) apareceu como eixo transversal, com a avaliação de que alinhar infraestrutura urbana a objetivos de redução de emissões, adaptação climática e inclusão social tende a ampliar o acesso a novas fontes de recursos.

De forma geral, o seminário indicou convergência em torno da ideia de que o país dispõe hoje de instrumentos mais maduros para sustentar um novo ciclo de investimentos em infraestrutura. O desafio, segundo os participantes, será transformar esse conjunto de diagnósticos, marcos regulatórios e instrumentos financeiros em continuidade, cooperação e visão de longo prazo, capazes de destravar projetos e gerar impactos econômicos, sociais e ambientais duradouros.

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