BNDES vê superciclo de investimentos como oportunidade para reorganizar financiamento e governança da infraestrutura

Presidente do BNDES aponta janela histórica para ampliar investimentos, fortalecer a coordenação institucional e estruturar projetos com maior previsibilidade, especialmente nas áreas urbanas

Alexandre Asquini

O Brasil atravessa um ciclo de expansão da infraestrutura “historicamente muito importante”, que abre uma janela de oportunidade para reorganizar o financiamento, a governança e a execução de projetos estruturantes, especialmente nas áreas urbanas.

A avaliação foi apresentada pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, na abertura do seminário Superciclo de Investimentos em Infraestrutura – Avanços e Desafios, realizado na manhã desta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, na sede do Banco, no Rio de Janeiro.

O evento foi promovido em parceria com os ministérios das Cidades, dos Transportes e de Portos e Aeroportos, reunindo representantes do setor público, instituições financeiras e operadores privados.

Ainda há desafios

Segundo Mercadante, a retomada do investimento em infraestrutura ocorre em um ambiente macroeconômico mais favorável do que em ciclos anteriores, mas ainda marcado por desafios fiscais, institucionais e federativos.

Para ele, o sucesso desse novo momento depende menos de iniciativas isoladas e mais da capacidade de articular planejamento de longo prazo, segurança regulatória e coordenação entre entes públicos e iniciativa privada. “Não se trata apenas de financiar obras, mas de criar condições para que os projetos sejam bem concebidos, tenham previsibilidade e consigam atravessar diferentes conjunturas econômicas”, afirmou.

Resultados do BNDES

Dados apresentados pelo presidente do BNDES indicam que, na atual gestão, o Banco alcançou uma média anual de R$ 218 bilhões em investimentos em infraestrutura, o equivalente a 1,74% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em 2025, o volume chegou a R$ 280 bilhões, e a projeção para 2026 é atingir R$ 300 bilhões, consolidando o papel do Banco como um dos principais indutores do desenvolvimento nacional.

Mercadante destacou que a infraestrutura é estratégica para reduzir o custo do país, ampliar a competitividade, promover a integração regional e enfrentar os desafios das mudanças climáticas. “A descarbonização é uma tarefa essencial para um banco público de desenvolvimento”, disse.

Nesse contexto, ressaltou a importância de instrumentos financeiros mais sofisticados, como fundos, garantias e mecanismos de mitigação de riscos, capazes de atrair capital privado e reduzir o custo dos projetos.

Ele também apontou como decisivas as decisões recentes do Tribunal de Contas da União (TCU), especialmente por meio do mecanismo de negociação da Secex Consenso, que contribuem para reduzir a litigância prolongada em projetos estruturantes, fortalecer a segurança jurídica e ampliar a previsibilidade dos investimentos.

Além do crédito tradicional

Ao tratar da atuação do Banco, Mercadante enfatizou que o BNDES tem buscado ir além do crédito tradicional, assumindo papel ativo na estruturação de projetos e no apoio técnico a estados e municípios.

Segundo ele, a coordenação institucional entre órgãos federais é condição essencial para evitar sobreposições, ampliar o impacto dos recursos públicos e acelerar a execução de obras, especialmente na infraestrutura urbana, onde os desafios de capacidade técnica e de financiamento são mais agudos.

Mobilidade urbana

No eixo de mobilidade urbana, Mercadante destacou que o BNDES é atualmente o maior investidor em ônibus elétricos da América Latina, com a entrega de cerca de 2.500 veículos apenas na cidade de São Paulo.

Os investimentos do Banco no setor cresceram 41% no último período, alcançando R$ 31 bilhões, além do apoio a obras estruturantes como a expansão da Linha 2 do Metrô de São Paulo. Para o presidente do BNDES, a mobilidade urbana sintetiza a convergência entre desenvolvimento social, transição energética e inovação tecnológica.

Logística e transportes

Além da infraestrutura urbana, Mercadante apresentou um panorama dos investimentos em logística e transportes. No setor rodoviário, destacou a modernização da Rodovia Presidente Dutra, aprovada em 2024, classificada como o maior projeto rodoviário da história do país, com investimento de R$ 10,75 bilhões.

No setor ferroviário, anunciou um novo ciclo de investimentos, com a previsão de oito leilões estimados em R$ 140 bilhões, além do lançamento de um produto específico do BNDES para financiar o segmento, com prazos de financiamento e carência ampliados. Segundo ele, a baixa extensão da malha ferroviária e o longo período de maturação dos projetos exigem condições diferenciadas de crédito e maior parceria com o setor privado.

Já no setor aeroportuário, o presidente do Banco apresentou investimentos de R$ 4,7 bilhões na ampliação, modernização e manutenção de 11 aeroportos, incluindo Congonhas, que concentra R$ 3,8 bilhões em obras de duplicação da infraestrutura e melhoria da capacidade operacional.

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