Ribeirão Preto incorpora plataforma de inteligência artificial à gestão do sistema de ônibus

Segundo o diretor-superintendente da RP Mobi, Marcelo Galli, a ideia é que o planejamento deixe de ser predominantemente intuitivo e passe a ser orientado por dados; a cidade também renova sua frota com 350 ônibus, sendo quatro elétricos

Alexandre Asquini

A adoção da plataforma Optibus marca a etapa mais recente do processo de modernização da gestão do transporte coletivo em Ribeirão Preto. Segundo o diretor-superintendente da RP Mobi – Empresa de Mobilidade Urbana de Ribeirão Preto, Marcelo Galli, a ferramenta baseada em inteligência artificial começou a ser incorporada ao planejamento operacional do sistema com o objetivo de tornar mais precisas as decisões sobre linhas, frota e programação de viagens.

De acordo com Galli, a RP Mobi, em parceria com o Consórcio PróUrbano, decidiu adotar a plataforma da Optibus para que o planejamento deixe de ser predominantemente intuitivo e passe a ser orientado por dados. “A ideia é lançar mão de tecnologia de ponta para que o planejamento seja realmente baseado em inteligência preditiva”, explica.

A plataforma está em fase de implementação prática e, segundo o dirigente, já começou a ser utilizada internamente no planejamento e na programação das linhas. “Essa transição começa a operar internamente e tende a impactar positivamente a confiabilidade e a regularidade do serviço”, diz Galli, ao destacar que os efeitos mais visíveis para o usuário dependem do amadurecimento do processo e da integração da ferramenta com outras rotinas operacionais.

Renovação da frota

A modernização da gestão ocorre em paralelo a um amplo processo de renovação da frota de ônibus do município. Galli afirma que a substituição dos veículos antigos por novos é um dos pontos centrais da política adotada nos últimos anos. “A renovação da frota é um grande motivo de orgulho para a cidade”, declara. Segundo ele, desde a gestão anterior, Ribeirão Preto vem incorporando ônibus equipados com ar-condicionado, Wi-Fi, portas USB, sistemas eletrônicos de pagamento, câmeras de segurança e recursos de acessibilidade plena.

Marcelo Galli, diretor-superintendente da RP Mobi (Divulgação)

Do ponto de vista ambiental, a frota passou a contar com veículos com tecnologia Euro 6 e, mais recentemente, com ônibus elétricos. “Neste mês de fevereiro, concluímos a renovação da frota, alcançando 350 novos ônibus, incluindo quatro veículos elétricos”, afirma Galli. De acordo com o diretor-superintendente, até o último levantamento público, essa substituição beneficiava quase dois milhões de passageiros por mês. Ele acrescenta que a idade média da frota, historicamente elevada, vem sendo reduzida de forma contínua com a entrada dos novos veículos.

Corredores exclusivos

Outro eixo destacado por Galli é a implantação e a ampliação dos corredores exclusivos de ônibus. “Os corredores são uma das iniciativas mais visíveis da nossa política de mobilidade”, afirma. Segundo ele, essas estruturas contribuem para a redução dos tempos de viagem, aumentam a confiabilidade do sistema e reforçam a prioridade ao transporte coletivo em vias de grande fluxo. Atualmente, Ribeirão Preto conta com corredores em operação que conectam áreas estratégicas da cidade, além de ajustes operacionais em andamento.

Entre os projetos estruturantes, Galli cita a Via Leste–Oeste. “Estamos avançando com novos trechos, como a Via Leste–Oeste, que teve contrato assinado com o Governo Federal e prevê uma linha de crédito de R$ 1,1 bilhão para sua implantação”, informa. Ele ressalta que esse tipo de intervenção depende de planejamento urbano integrado, sinalização adequada e ajustes operacionais conduzidos em conjunto com a prefeitura e os órgãos competentes.

Itinerários

A readequação de itinerários também faz parte do processo de modernização do sistema. Segundo Galli, o objetivo é ampliar a cobertura, reduzir sobreposições e melhorar a integração com corredores e polos de deslocamento. “Isso envolve ouvir a população, estudar fluxos reais de demanda e testar ajustes operacionais até que o sistema esteja alinhado com as necessidades do usuário”, afirma. De acordo com ele, o processo está em curso desde 2025 e terá continuidade ao longo de 2026.

Ao tratar do sentido mais amplo da política de mobilidade, Galli afirma que o transporte coletivo deve ser encarado como um serviço essencial. “A mobilidade urbana é, antes de mais nada, um serviço que conecta pessoas às oportunidades da vida”, diz.

Educação para o trânsito

Marcelo Galli destaca ainda as ações educativas desenvolvidas pelo programa Educa Mobi. “Estruturamos uma política permanente de educação para o trânsito, com presença contínua em escolas, empresas, terminais de ônibus e vias públicas”, afirma.

Ele informa que essas ações caminham junto com intervenções de engenharia e fiscalização. “Tenho convicção de que a educação é o caminho mais consistente para um trânsito mais seguro”, diz Galli, ao citar a implantação de semáforos em pontos críticos, a requalificação da sinalização e os projetos de lombofaixas e redutores de velocidade, com foco na proteção do pedestre.

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