Carlos Magalhães, diretor da Expresso Guanabara: “O futuro do transporte rodoviário será mais integrado, seguro e digital”

“A tendência é de consolidação deste setor, com foco em qualidade, maturidade do novo marco regulatório, gestão de receita profissional, serviços por atributos (conforto, conectividade), capacitação de motoristas e tecnologia embarcada, elevando o padrão de segurança e eficiência”, prevê Magalhães

Sonia Moraes

Technibus – Como a Expresso Guanabara enxerga o futuro do transporte rodoviário?

Carlos Magalhães Mais integrado, mais seguro e mais digital. Teremos dados guiando oferta e preço, experiência do passageiro como diferencial e uma transição tecnológica pragmática para menor emissão de CO2, sem abrir mão da confiabilidade.

Technibus – Qual a tendência para o transporte rodoviário?

Carlos Magalhães A tendência é de consolidação com foco em qualidade, maturidade do novo marco regulatório, gestão de receita profissional, serviços por atributos (conforto, conectividade), capacitação de motoristas e tecnologia embarcada, elevando o padrão de segurança e eficiência.

Technibus – Como a empresa avalia o segmento de transporte rodoviário em 2025?

Carlos Magalhães O transporte rodoviário é resiliente e está em reorganização. Este setor cresce com base em eficiência e governança. Quem trata tarifa como commodity perde; quem entrega serviço com diferenciação e toma as decisões baseadas em dados confiáveis e auditáveis ganha relevância.

Technibus – Quais os desafios enfrentados pela Expresso Guanabara em 2025?

Carlos Magalhães O controle sobre o custo total da operação, lidar com a informalidade da concorrência, necessidade de mão de obra qualificada, adaptação à transição tributária e manutenção do padrão de serviço elevado em uma economia oscilante.

Technibus – O ano de 2025 tem sido melhor para o segmento?

Carlos Magalhães Foi um bom ano, mas não posso entender como o melhor, especialmente por conta da pressão de custos e da concorrência extremamente desleal atuante. Para nós, foi um ano de avanço, mas sem euforia. Preferimos consistência a picos.

Technibus – Entre as ações colocadas em prática em 2025, qual foi o foco principal?

Carlos Magalhães Qualidade percebida ponta a ponta: conforto, pontualidade, segurança e experiência dentro do ônibus. Em paralelo, digitalização do processo de venda e do atendimento, com personalização e serviço mais ágil.

Technibus – Quais investimentos foram necessários?

Carlos Magalhães Investimentos em frota para garantir maior segurança, conforto e sustentabilidade; telemetria, gestão de relacionamento com o cliente (CRM) integrado, capacitação contínua dos colaboradores da empresa e melhorias em terminais e pontos de paradas.

Technibus – Como está o programa de renovação de frota?

Carlos Magalhães O programa está contínuo e seletivo. Priorizamos segurança, conforto e eficiência com uso de veículos Euro 6, equipados com tecnologia ADAS, cintos de três pontos, USB, Wi-Fi e telemetria. Idade média controlada e padronização. Seguimos o cronograma anual em lotes, alinhado à sazonalidade e às entregas das montadoras. Foram 75 unidades já incorporadas em 2025, dentro do plano aprovado, mantendo a frota jovem e eficiente.

Technibus – A empresa se destacou como a melhor entre as maiores empresas de transporte rodoviário de passageiros no ranking da Maiores do Transporte & Melhores do Transporte de 2025. O que garantiu esse destaque à Expresso Guanabara?

Carlos Magalhães Foi a disciplina operacional, execução consistente e foco no passageiro. Uma malha calibrada por dados para decisões assertivas, frota jovem, segurança como valor inegociável e uma cultura que entrega o que promete: conforto, regularidade e valor.

Technibus – Quais ações sustentaram o bom desempenho financeiro?

Carlos Magalhães Gestão fina de receita (yield + ocupação), novos serviços como cama nos eixos em que existe demanda para o serviço premium. O avanço do canal de vendas direto (aplicativo/site) com CRM e preço dinâmico. A manutenção preditiva também se destacou ao passo que reduz a indisponibilidade da frota e um programa de eficiência, de combustível e pneus que protege a margem.

Technibus – O que a empresa destaca como mais relevante?

Carlos Magalhães A consolidação do “cliente no centro” em toda a jornada, da compra ao pós-viagem, com NPS (Net Promoter Score – métrica que mede a lealdade do cliente) em alta, reforço de segurança e uma renovação de frota robusta que melhorou a experiência do cliente e a eficiência operacional.

Technibus – Quais os desafios superados para chegar a um resultado tão positivo?

Carlos Magalhães A volatilidade de preço dos insumos, pressão competitiva (inclusive desleal do transporte clandestino), gargalos de infraestrutura e dificuldades de motoristas capacitados e comprometidos. Superamos com planejamento de oferta, gestão de custos, tecnologia embarcada e um ambiente de trabalho atrativo, liderado por uma equipe madura e plenamente adaptada à cultura da Expresso Guanabara.

Technibus – Como se comportou o turismo nacional?

Carlos Magalhães O câmbio elevado impulsionou o turismo doméstico, viagens de proximidade ganharam tração e eventos impulsionaram picos. O rodoviário capturou demanda por preço, capilaridade e conveniência.

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