Braulio de Carvalho, CEO da Maxtrack: “Nosso papel é transformar dados em inteligência operacional”

A Maxtrack, empresa de tecnologia para rastreamento e gestão de frotas, implementou suas soluções em 1.200 ônibus da frota urbana da Sambaíba, uma das maiores operadoras da cidade de São Paulo

Marcia Pinna

TECHNIBUS – Quais os diferenciais do projeto com a Sambaíba?

Braulio de Carvalho – O projeto com a Sambaíba é emblemático porque materializa a nossa visão de que tecnologia embarcada, quando bem aplicada, deixa de ser um instrumento de controle e passa a ser um copiloto operacional da gestão. Não se trata apenas de instalar equipamentos em mais de 1.250 veículos, mas de estruturar uma arquitetura completa de dados capaz de transformar a rotina da operação e a mobilidade urbana. Entregamos uma solução completa, que começa no desenvolvimento do hardware, a partir do nosso computador de bordo, passa pela conectividade embarcada, telemetria, videomonitoramento com gravação de imagens, uso de inteligência artificial e conclui em uma central de dados que organiza, cruza e interpreta essas informações em tempo real. O diferencial está na integração. Desenvolvemos tecnologia própria, pensada para a realidade brasileira, com capacidade de adaptação rápida às demandas do operador. No caso da Sambaíba, isso significou construir uma solução sob medida, alinhada ao tamanho da frota, ao perfil das linhas e às necessidades específicas da operação paulistana. Outro ponto fundamental foi o trabalho de mudança cultural. Desde o início, deixamos claro que a tecnologia não tem caráter punitivo. Ela protege o motorista, dá respaldo jurídico à empresa e cria uma cultura de prevenção. Esse processo de conscientização e proximidade é parte essencial do nosso modelo de atuação.

TECHNIBUS – Quais os principais desafios que a empresa conseguiu resolver com a tecnologia da Maxtrack?

Braulio de Carvalho – Nosso papel é transformar dados em inteligência operacional. O principal desafio era a ausência de visibilidade operacional estruturada. A gestão dependia, muitas vezes, de relatos subjetivos em casos de ocorrências, sem dados técnicos que sustentassem decisões. Isso gerava uma operação reativa, com custos elevados e pouca previsibilidade. Com a implantação do nosso dispositivo e plataforma, a Sambaíba passou a operar com dados objetivos sobre comportamento de condução, velocidade, frenagens, padrões em trechos críticos e condições específicas, como dias de chuva ou horários de maior risco. A inteligência embarcada permite identificar padrões antes que se tornem problemas. Isso muda completamente a lógica da gestão, ou seja, sai a reação ao evento e entra a prevenção baseada em evidência. Também resolvemos um ponto sensível que é a segurança jurídica. O videomonitoramento integrado à telemetria fornece registros confiáveis, sincronizados e auditáveis, que apoiam recursos administrativos e reduzem custos com indenizações e disputas. A empresa passa a ter clareza sobre o que realmente aconteceu, com base em fatos e não em versões.

TECHNIBUS – Quais os resultados obtidos até agora?

Braulio de Carvalho – Os resultados confirmam a eficácia desse modelo. Houve redução consistente de multas e acidentes, queda significativa nas ocorrências internas e diminuição de quedas de passageiros. Em pontos específicos da cidade, onde historicamente havia alto índice de autuações, a implementação de alertas sonoros inteligentes levou à eliminação das infrações em poucos meses. Além do impacto direto nos indicadores operacionais, houve ganho expressivo em eficiência e economia. Custos com processos foram reduzidos, e a gestão passou a ter acesso a indicadores estratégicos que permitem decisões mais rápidas e embasadas. O motorista também evolui nesse processo, porque passa a receber feedback estruturado e orientado por dados, o que contribui para uma condução mais segura e disciplinada. O que vemos hoje é uma operação mais madura, com cultura de prevenção consolidada e tecnologia integrada ao dia a dia, não como um elemento externo, mas como parte da própria lógica operacional.

TECHNIBUS – A Maxtrack fornece tecnologia para outras empresas de transporte coletivo de passageiros? Quais?

Braulio de Carvalho – Sim. A Maxtrack tem presença consolidada no transporte coletivo urbano, especialmente em grandes centros. Em São Paulo, por exemplo, com a conclusão do projeto com a Sambaíba, estaremos próximos de nove mil veículos equipados, o que representa cerca de 80% da frota da cidade. Isso demonstra a confiança dos principais operadores na nossa capacidade técnica e na robustez da nossa plataforma. Atuamos com diversos operadores urbanos e metropolitanos no Brasil, sempre com soluções adaptadas ao perfil de cada operação. Nosso posicionamento é claro: não somos apenas fornecedores de rastreamento, mas parceiros estratégicos na construção de eficiência, segurança e inteligência de mobilidade.

TECHNIBUS – Quais os principais produtos e serviços que a empresa oferece para esse setor?

Braulio de Carvalho – Oferecemos uma solução completa que integra computador de bordo com telemetria avançada, videotelemetria, monitoramento em tempo real, videomonitoramento com gravação de imagens, inteligência artificial para análise de comportamento, gestão automatizada de jornada, central de dados com dashboards estratégicos e recursos de conectividade para passageiros, como Wi-Fi e sonorização integrada. O grande diferencial está na verticalização. Desenvolvemos o hardware, o software e a inteligência analítica. Isso nos permite controlar a qualidade da informação desde a origem até a análise final, garantindo consistência, escalabilidade e capacidade de inovação contínua. Trabalhamos com volumes massivos de dados e aplicamos IA para transformar esses dados em insights acionáveis, que apoiam decisões operacionais e estratégicas. Por exemplo, a telemetria via rede CAN permite a leitura em tempo real dos dados eletrônicos do veículo, como temperatura do motor, desempenho e eficiência do sistema de freios, pressão do óleo, voltagem de bateria, funcionamento do alternador, além de alertas e códigos de falha. Essas informações são enviadas à central, possibilitando a identificação antecipada de anomalias que podem evoluir para falhas mais graves. Com isso, atuamos de forma preventiva na redução de acidentes causados por problemas mecânicos e no controle do desgaste de componentes, apoiando uma manutenção preditiva mais eficiente e aumentando a segurança e a disponibilidade da frota.

TECHNIBUS – Quais as principais “dores” que os operadores apresentam quando buscam a tecnologia da Maxtrack?

Braulio de Carvalho – As “dores” são bastante claras e recorrentes: falta de visibilidade confiável da operação, altos custos com multas e sinistros, dificuldade na gestão de motoristas, pressão por maior transparência junto ao poder concedente e necessidade de comprovação técnica em situações de conflito. Muitos operadores ainda trabalham com sistemas fragmentados, que não conversam entre si. Isso gera retrabalho, perda de informação e decisões baseadas em percepção. O que fazemos é integrar essas camadas e oferecer uma visão unificada da operação. Nosso papel é transformar dados em inteligência operacional. Quando isso acontece, a empresa deixa de apenas reagir aos problemas e passa a antecipá-los. É essa mudança de mentalidade, da gestão reativa para a gestão inteligente, que tem norteado nossa atuação e que o projeto com a Sambaíba simboliza com clareza.

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