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Incerteza marca cenário econômico global e exige cautela, diz consultora em encontro da Fenabrave

A dificuldade em prever o comportamento de variáveis-chave reforça a necessidade de análises constantes e conservadoras enfatizou a consultora Tereza Fernandez

Publicado em 08/04/2026 por Alexandre Asquini

Tereza Fernandez, consultora  (Divulgação)
Tereza Fernandez, consultora (Divulgação)

Diante de um ambiente econômico marcado por alta volatilidade, a principal recomendação é de cautela. Acompanhamento atento de indicadores como crédito, inadimplência e situação fiscal torna-se essencial, especialmente em um momento em que decisões de investimento devem ser tomadas com prudência.

Na conferência que antecedeu a apresentação de dados de emplacamento de veículos realizada nesta semana em São Paulo pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a consultora Tereza Fernandez destacou que a palavra que melhor define o cenário atual é “incerteza”.

Segundo a especialista, tanto o Brasil quanto o mundo enfrentam um momento crítico e imprevisível. Fatores como a guerra no Irã, a continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia e as oscilações nas tarifas internacionais — especialmente nos Estados Unidos — contribuem para um ambiente de forte instabilidade econômica.

Cenário global

Um dos principais vetores dessa incerteza é o petróleo. Apesar dos avanços em fontes renováveis, ele ainda ocupa papel central na matriz energética global e em toda a cadeia produtiva, sendo base para combustíveis como diesel, gasolina e querosene de aviação, além de insumos petroquímicos utilizados em fertilizantes, plásticos e medicamentos. A elevação de seu preço impacta diretamente a inflação global.

A guerra no Irã, ainda em andamento, agrava esse cenário. Além da alta nos preços, há riscos logísticos relevantes, como eventuais restrições no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte de petróleo. A interrupção da produção no Oriente Médio e a dificuldade de retomada imediata da oferta indicam que, mesmo com o fim do conflito, os efeitos econômicos devem persistir por algum tempo.

Outro fator relevante é a forte volatilidade do mercado. O preço do petróleo tem oscilado intensamente, refletindo a incerteza sobre o desfecho dos conflitos. Mais do que o nível de preços, essa instabilidade dificulta decisões empresariais e tende a provocar uma paralisação de investimentos em escala global, à medida que empresas e governos adiam decisões diante da falta de previsibilidade.

No cenário internacional, também pesam a inflação acima da meta nos Estados Unidos — próxima de 3% frente ao objetivo de 2% — e as incertezas em torno da política tarifária americana. Essas condições reduzem a probabilidade de cortes de juros no curto prazo e contribuem para um ambiente financeiro mais restritivo.

O quadro no país

Para o Brasil, embora o país esteja relativamente menos exposto no curto prazo, os impactos são inevitáveis. A economia deve crescer de forma moderada, com projeções entre 1,3% e 1,5% em 2026, abaixo do desempenho recente. A expansão continuará sendo puxada pela agricultura, pelos serviços e, em menor medida, pela mineração, enquanto a indústria de transformação tende a permanecer pressionada pelos juros elevados.

A inflação segue como ponto de atenção. A alta do diesel, diretamente ligada ao petróleo, afeta os custos logísticos de um país altamente dependente do transporte rodoviário. Como consequência, há pressão significativa sobre os preços dos alimentos, considerados um dos principais riscos inflacionários no cenário atual.

No campo agrícola, o impacto imediato é limitado pelo fato de o país estar em período de colheita, quando a demanda por fertilizantes é menor. No entanto, uma prolongação da crise pode afetar ciclos futuros de produção.

Do ponto de vista fiscal, a necessidade de maior gasto público para enfrentar os efeitos da crise tende a pressionar as contas do governo, elevando preocupações com a trajetória da dívida em relação ao PIB. Além disso, fatores internos, como incertezas políticas e possíveis cenários eleitorais polarizados, adicionam complexidade ao ambiente econômico.

A evolução dos juros também permanece incerta. A expectativa de queda pode ser revista diante das pressões inflacionárias e do cenário externo adverso, não se descartando a possibilidade de manutenção em níveis elevados por mais tempo.

Em sua análise, Tereza Fernandez reforçou que o momento exige atenção redobrada. “As variáveis são muitas e pouco previsíveis. Não há clareza sobre crescimento, inflação, juros ou investimentos. A única certeza, por enquanto, é a incerteza”, concluiu.




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