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O cenário é positivo, mas há desafios para o setor de ônibus, avalia a Volkswagen Caminhões e Ônibus

Em entrevista à Technibus, Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da VWCO, analisa o mercado e comenta os avanços da empresa

Publicado em 09/06/2026 por Márcia Pinna

Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus (Divulgação)
Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus (Divulgação)

A Volkswagen Caminhões e Ônibus está otimista em relação ao mercado de ônibus em 2026. A empresa ganhou cerca de quatro pontos percentuais no total das vendas de chassis novos no primeiro quadrimestre do ano, em relação ao ano anterior. Outra boa notícia é que na primeira semana do programa Move Brasil 2, já foram mais de 150 unidades comercializadas. Nas compras governamentais, Caminho da Escola e Caminhos da Saúde estão em fase de homologação.

“É um cenário bastante positivo. Lógico que o mercado nos impõe uma série de desafios. Dentre eles, temos a restrição de crédito e um alto índice de inadimplência. Além da elevação de custos e a não elevação de tarifas. Então, essa equação se torna bastante complexa”, comenta Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus.

Por outro lado, Alouche afirma que a Volkswagen traz uma série de inovações para contrapor essas dificuldades. Dentre elas, as vendas a governo num volume bastante expressivo, o lançamento de novos e o desenvolvimento de um Volksbus para cada segmento de mercado, seja de micro-ônibus, ônibus urbano, fretamento ou rodoviário. E, agora, com grandes novidades também no segmento de elétricos”, destaca.

A fabricante registrou a venda de 160 chassis elétricos e-Volksbus 22L, totalizando 260 chassis em menos de um ano. E fez o lançamento dos novos chassis elétricos de piso alto, e-Volksbus 22H e 18H, voltados para aplicações urbanas e de fretamento, respectivamente. As vendas se iniciam após o lançamento oficial na Lat.Bus 2026.

‘Nós entendemos que, com ampla gama de produtos, possamos aproveitar todas as oportunidades que o mercado nos entrega. Como perspectiva de indústria para o final do ano, nós acompanhamos os números de projeção da Fenabrave e da Anfavea, que mostram que o mercado este ano deve ficar entre 22 mil e 24 mil unidades, mais ou menos no mesmo nível que foi em 2025”, acredita Alouche.

A Volkswagen foi uma das grandes vencedoras do último pregão do Caminho da Escola. Entretanto, após questionamentos de outras empresas, o Tribunal de Contas da União (TCU) entrou com medida cautelar em relação ao item 2 da licitação, referente às duas mil unidades do Ônibus Rural Escolar (ORE 2). Sobre os questionamentos do TCU, Alouche afirma que a VWCO vê este processo “com muita naturalidade”.

“Foram licitadas mais ou menos 7.200 unidades para o Caminho da Escola (Fase 13), no certame que aconteceu algumas semanas atrás. A Volkswagen ganhou alguns lotes e é natural que haja algum questionamento em relação à documentação, à homologação e tudo mais. Estamos muito confiantes de que a Volkswagen passará em todos os lotes que ganhou na licitação.”

Urbanos

Alouche aponta a necessidade de renovação das frotas urbanas como outro fator que deverá impactar positivamente o mercado de ônibus. “Em números gerais, quando comparamos com a idade média da frota de urbanos pré-pandemia, houve um envelhecimento da frota em todo o Brasil da ordem de dois anos. Na época, era de mais ou menos 4,8 anos e hoje a idade média está em torno de 6,3 anos.”

“Existe uma necessidade de renovação de frota. Porém, o grande desafio está na restrição ao crédito. Os clientes necessitam renovar a frota, mas têm dificuldade em aprovar o crédito. Além disso, a taxa de juros está muito elevada. O programa Mover Brasil 2 veio para facilitar essa relação de taxa de juros, mas com recursos limitados. Ou seja, o cliente tem que ser rápido para aproveitar a taxa do programa e conseguir renovar parte da sua frota”, complementa.

Para Alouche, existe ainda mais um desafio: as empresas não conseguem repassar o custo para o passageiro. “Então, tem que haver um entendimento comum entre o empresário de ônibus urbano e as prefeituras locais no sentido de fechar a equação que viabilize a renovação de frota. Entendemos que existe demanda e existe a necessidade para a renovação, mas isso ainda deve demorar mais alguns meses para começar a maturar”, avalia.

 

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