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Produção de chassis de ônibus nos primeiros sete meses de 2026 foi 3,1% menor do que em igual período do ano passado

De janeiro a junho de 2026 foram produzidos 18.061 chassis para ônibus, enquanto no mesmo período, em 2025, haviam sido fabricadas 18.636 unidades.

Publicado em 08/08/2026 por Alexandre Asquini

Divulgação
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O mercado brasileiro de ônibus continua atravessando um período de retração, segundo mostram os dados divulgados nesta sexta-feira, 7 de agosto, em conferência de imprensa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), com a participação do presidente da entidade, Igor Calvet. No acumulado dos primeiros sete meses de 2026, foram produzidas 18.061 unidades, contra 18.636 no mesmo período de 2025, uma queda de 3,1%.

Em julho de 2026 foram fabricados 2.138 chassis de ônibus, o que representa retração de 8% sobre os 2.325 chassis produzidos em junho último e, também, redução – esta, ainda mais significativa – , de 26,1%, sobre 2.894 unidades produzidas em julho de 2025.  

Emplacamentos

No mês de julho de 2026 foram emplacados 2.233 chassis de ônibus, o que representa crescimento de 1,9% sobre as 2.191 unidades emplacadas no mês anterior, mas significa também uma retração de 6,2% na comparação com o total de 2.381 ônibus emplacados em julho de 2025. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, foram emplacados 12.521 chassis, o que evidencia retração de 10,7% sobre as 14.016 unidades emplacadas igual período do último ano.

Exportação

Quanto às exportações, os números revelam que em julho de 2026 foram embarcados 439 chassis, total 4,1% menor que as 458 unidades exportadas neste mês de junho, e 26,7% menor dos que as 599 unidades embarcadas em julho do ano passado. No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, foram exportados 2.860 chassis, volume 30,6% menor do que as 3.861 unidades exportadas de janeiro a julho de 2025.

Um panorama do mercado automobilístico neste momento

Em seus comentários sobre os dados de desempenho, o presidente da Anfavea apresentou um panorama do setor automotivo nacional. Igor Calvet mostrou um mercado em recuperação e em rápida transformação tecnológica, mas alertou que o Brasil precisa preservar e aprofundar sua capacidade industrial diante do avanço das importações e da perda de competitividade externa. A seguir, um resumo de pontos significativos de sua exposição.

Sete décadas

Em 2026, o setor completa 70 anos de produção de ônibus no Brasil. Desde 1956, já foram fabricados mais de 1,2 milhão de chassis, enquanto os registros acumulam cerca de 900 mil emplacamentos e 276 mil unidades exportadas. Para Calvet, essa trajetória transformou o Brasil em uma referência internacional. "O Brasil se tornou um hub não só tecnológico, mas de exportação da produção de ônibus", destacou.

Mercado aquecido

No conjunto do setor automotivo, o quadro é significativamente positivo, segundo os dados da Anfavea. O Brasil chegou a 1,7 milhão de veículos emplacados no acumulado do ano, resultado 17,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025. É o melhor desempenho para o período desde 2014. Julho também foi o melhor mês do ano em volume de vendas. Há, entretanto, um sinal de possível acomodação: a média diária de emplacamentos caiu de 13,7 mil em maio para 13 mil em junho e 12,2 mil em julho, configurando a segunda queda consecutiva.

Produção avança

A indústria brasileira também apresenta desempenho positivo na produção. O acumulado do primeiro semestre registra crescimento de 8,8%, fazendo do Brasil o segundo país produtor que mais avançou no período, atrás apenas da Índia, que cresceu 14,5%.

Automóveis lideram

Os automóveis de passeio são os principais responsáveis pelo avanço do mercado. O segmento acumula crescimento de 22% em 2026, enquanto os comerciais leves avançam 8%. A diferença de ritmo mostra que o crescimento dos emplacamentos não ocorre de maneira uniforme entre os segmentos.

Incentivos públicos

Dois movimentos explicam, na avaliação da Anfavea, parcela importante do crescimento dos veículos leves: o programa Carro Sustentável e o avanço dos eletrificados. Os veículos elegíveis ao programa federal registraram crescimento de 38% nos emplacamentos. Já os eletrificados avançaram 120%, passando de 139 mil unidades no mesmo período de 2025 para 308 mil neste ano. Calvet resumiu a leitura da entidade: "o crescimento, sobretudo nesse acumulado do primeiro semestre, nos veículos leves, ele se dá em função de duas variáveis, dos carros sustentáveis (...) e dos veículos eletrificados".

Eletrificação acelera

A eletrificação alcançou novo recorde no mercado brasileiro. Os veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in já representam 23,5% dos emplacamentos, contra 10,9% em julho de 2025. O destaque individual são os veículos totalmente elétricos. Os emplacamentos passaram de 7 mil para 25,8 mil unidades em um ano, alta de 269%. Para Calvet, trata-se de uma mudança que merece atenção.

“Nacionalização cresce”

O avanço da eletrificação também começa a aparecer com força na produção brasileira. Enquanto os eletrificados importados cresceram 78,5%, os modelos produzidos no País avançaram 246%. A Anfavea vê nesse movimento um sinal de maturação dos investimentos realizados pela indústria brasileira. Mas Calvet chama atenção para uma questão estratégica: parte dessa produção ainda ocorre por montagem, com menor participação de fornecedores nacionais. "Nosso desafio é incentivar o uso de novas tecnologias, novos produtos, um portfólio cada vez mais moderno, inovador", afirmou. Segundo ele, é necessário também "dar os incentivos corretos para a produção completa aqui no país".

Caminhões reagem

O mercado de caminhões apresenta sinais de recuperação, embora ainda esteja em terreno negativo. Os emplacamentos passaram de 8,4 mil unidades em maio para 9,8 mil em junho e 11,7 mil em julho. No acumulado do ano, porém, a queda ainda é de 7,2%, com 60,6 mil unidades contra 65,3 mil em 2025.

A melhora recente é atribuída ao Move 2, que destinou cerca de R$ 20 bilhões à economia para a compra de caminhões, ônibus, carrocerias e implementos. Mesmo assim, Calvet alerta que os juros continuam sendo um obstáculo: "14% das taxas de juros básicas da economia ainda insuficientes para que o mercado de caminhões deslanche".

“Importações preocupam”

O maior alerta apresentado pela Anfavea está no avanço das importações. O Brasil já emplacou 344 mil veículos importados no ano, alta de 25,7% sobre os 273 mil registrados no mesmo período de 2025. Para Calvet, o volume é comparável à produção de uma grande fábrica brasileira. "É como se nós estivéssemos importando a produção de uma fábrica inteira, com 5, 6, 7 mil funcionários", afirmou. A preocupação vai além das montadoras: cada unidade industrial envolve dezenas de fornecedores e uma extensa cadeia de autopeças, aço, plástico e componentes eletroeletrônicos.

Avanço chinês

A origem dos veículos importados amplia a preocupação da indústria. As importações provenientes da China passaram de 88 mil para 180 mil unidades em menos de um ano, crescimento superior a 100%. A China já responde por 52% das importações de veículos do Brasil e representa aproximadamente 11% do mercado total. Ao mesmo tempo, as importações argentinas caíram 16,8%. O movimento é particularmente forte entre as novas tecnologias: enquanto as importações de veículos a combustão recuaram 6,8%, as de eletrificados cresceram 78,4%.

“Exportações caem”

Se as importações avançam, as exportações brasileiras seguem na direção oposta. No acumulado, a retração chega a 18,4%. O principal problema está na Argentina. As exportações brasileiras para o país caíram 34%, enquanto o mercado argentino recuou 12%. Isso significa que a indústria brasileira não apenas acompanhou a contração do mercado vizinho, mas perdeu participação para concorrentes. "Em outras palavras, nós estamos perdendo share no mercado argentino", reconheceu Calvet.

Produção moderada

A produção brasileira de autoveículos acumulou crescimento de 8,3%, chegando a 1,626 milhão de unidades no ano. O resultado, contudo, fica abaixo do ritmo dos emplacamentos, que já alcançaram 1,7 milhão. Em julho, foram produzidas cerca de 253 mil unidades, contra 246 mil em junho, alta mensal de 3%. Na comparação com julho de 2025, o crescimento foi de 5,9%. A leitura da Anfavea é de uma expansão consistente, porém mais moderada que a observada no mercado.

 

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