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Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD no Brasil: "A Lat.Bus tem importância estratégica para a BYD"

O executivo conta que a BYD fará lançamentos nos próximos meses: "Dentro da estratégia de expandir o portfólio, a companhia também trabalha para completar sua linha de ônibus elétricos com modelos piso-alto".

Publicado em 07/06/2026 por Márcia Pinna

Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD no Brasil (Divulgação)
Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD no Brasil (Divulgação)

Technibus - Como a BYD avalia a situação atual do mercado de ônibus elétricos?

Marcello Schneider - O mercado de ônibus elétricos no Brasil avançou muito nos últimos anos. Quando a BYD chegou ao país, em 2014, ainda existia muita dúvida sobre a viabilidade da operação: se a autonomia seria suficiente, se o veículo aguentaria a rotina do transporte público, se a infraestrutura acompanharia e se a tecnologia faria sentido para o operador. Hoje, essa discussão mudou de patamar. O mercado já entendeu que o ônibus elétrico funciona. Ele roda, entrega eficiência, tem confiabilidade operacional e já provou que consegue atender cidades grandes, com operação intensa e alta demanda. Agora, a conversa é outra: como ganhar escala, avançar em infraestrutura, renovar a frota e acelerar essa transição de forma planejada. E temos muito orgulho em dizer que a BYD participou diretamente dessa construção. Nossa história no Brasil começou justamente pelos ônibus elétricos. Inauguramos a fábrica de chassis em Campinas, colocamos as primeiras frotas da marca em circulação e hoje temos veículos rodando em grandes cidades, como São Paulo, Salvador, Goiânia, São José dos Campos e outras. Essa experiência nos permitiu acompanhar o mercado de perto, entender a operação real e contribuir para o amadurecimento do setor.

É claro que ainda existem desafios. A eletrificação do transporte público não depende só do veículo. Depende de infraestrutura de recarga, financiamento, planejamento de longo prazo e políticas públicas que deem previsibilidade para operadores e cidades. Mas o caminho está muito mais claro hoje do que estava alguns anos atrás. O Brasil já deixou a fase da dúvida e entrou na fase da escala. Agora, o desafio é transformar projetos bem-sucedidos em uma agenda mais ampla de renovação da frota, com transporte público mais limpo, mais eficiente, mais silencioso e melhor para a população.

Technibus - Quais as perspectivas para o ano?

Marcello Schneider - A perspectiva é positiva porque o mercado de ônibus elétricos no Brasil está entrando em uma nova fase de maturidade. Já superamos o momento em que a principal dúvida era se a tecnologia funcionava. Hoje, isso está comprovado: o ônibus elétrico roda, entrega eficiência, tem confiabilidade operacional e já faz parte da realidade de cidades importantes do país. Agora, a discussão é outra: como ganhar escala. E isso passa por infraestrutura, planejamento, financiamento e renovação de frota. O transporte coletivo brasileiro tem uma demanda reprimida grande. Muitos investimentos ficaram parados nos últimos anos, e, nesse contexto, o ônibus elétrico aparece não só como uma solução ambiental, mas como uma alternativa muito competitiva do ponto de vista operacional.

Quando o operador olha para o conjunto da operação, consumo de energia, manutenção, disponibilidade, vida útil e conforto para o passageiro, a tecnologia faz cada vez mais sentido. É claro que ainda existem desafios, principalmente porque estamos falando de uma transformação estrutural da mobilidade urbana. Não é uma troca simples de veículo; é uma mudança estrutural de sistema. Mas o caminho é muito claro. O mercado está amadurecendo, as cidades estão entendendo melhor o papel da eletrificação e os projetos começam a sair da fase de teste para uma agenda mais concreta de escala. A BYD vê esse movimento com muito otimismo, porque acredita que o Brasil tem tudo para acelerar essa transição e transformar o transporte público em uma operação mais limpa, eficiente e moderna.

Technibus - Quais as dificuldades para que a frota elétrica de ônibus avance?

Marcello Schneider - O principal desafio hoje não é mais provar que a tecnologia funciona. Isso o mercado já validou. O grande tema agora é estruturar o ecossistema para permitir crescimento em escala. A eletrificação exige planejamento integrado entre operador, infraestrutura de recarga e gestão pública. Não é simplesmente substituir um ônibus diesel por um elétrico. Existe toda uma adaptação operacional por trás disso. Outro ponto importante é que o mercado ainda está amadurecendo a visão sobre os impactos positivos da eletrificação no dia a dia da operação e da experiência do passageiro. Além dos avanços em eficiência e confiabilidade, o ônibus elétrico oferece benefícios como redução significativa de ruído, mais conforto para motoristas e passageiros e uma operação mais estável no ambiente urbano. A tecnologia também evoluiu rapidamente nos últimos anos. Hoje, os novos ônibus da BYD conseguem operar com autonomia de até 350 quilômetros em condições reais de tráfego urbano e recarga completa em cerca de duas horas, dependendo da configuração do veículo. Isso mostra como a eletrificação deixou de ser uma aposta de futuro para se tornar uma solução cada vez mais consolidada no presente. Atualmente, o setor já discute menos "se" a eletrificação vai acontecer e mais "como" acelerar essa transformação de forma sustentável e economicamente viável.

Technibus - Como estão as vendas do chassi BC10 LE com bateria Blade?

Marcello Schneider - A receptividade do BC10 LE tem sido muito positiva, porque ele chega em um momento em que o mercado já entende melhor o papel da eletrificação no transporte coletivo. Estamos falando de uma solução que amplia as possibilidades de operação para as cidades. O BC10 LE é o primeiro ônibus midi 100% elétrico do país e foi desenvolvido justamente para atender operações urbanas que precisam de veículos menores, mais versáteis e preparados para circular em regiões com vias estreitas, bairros mais afastados e trajetos onde um ônibus maior nem sempre é a melhor solução. Na prática, ele ajuda a levar a eletrificação para além dos grandes corredores urbanos. Isso é muito importante, porque a descarbonização do transporte público não pode ficar restrita às avenidas principais ou às operações de maior volume. Ela precisa chegar a diferentes realidades das cidades, e o BC10 LE contribui diretamente para isso.

A receptividade comercial também reforça esse movimento. Já temos mais de 500 pedidos do BC10 LE equipados com bateria Blade, o que mostra como o mercado vem acelerando a adoção de soluções elétricas mais versáteis e adaptadas às diferentes realidades da operação urbana. Hoje, os operadores olham para o ônibus elétrico de forma muito mais estratégica, considerando não só a redução de emissões, mas também desempenho, custo operacional, manutenção, vida útil e sustentabilidade da operação no longo prazo. Dentro desse contexto, o BC10 LE tem sido muito bem recebido porque entrega uma resposta concreta para uma necessidade real das cidades brasileiras.

Technibus - As baterias Blade já estão em todos os modelos de chassis da BYD?

Marcello Schneider - A BYD vem ampliando gradualmente a aplicação da bateria Blade em seu portfólio de veículos comerciais. Hoje, ela já está presente nos modelos BC10, BC12 e BC22, e esse movimento deve avançar cada vez mais. A Blade se tornou uma plataforma muito importante para a companhia porque representa uma evolução concreta em segurança, autonomia, eficiência energética e durabilidade. É uma tecnologia reconhecida mundialmente e que faz muito sentido para o transporte coletivo, especialmente em operações que exigem alta disponibilidade, previsibilidade e desempenho constante ao longo do tempo. Além disso, a bateria Blade permite um melhor aproveitamento do espaço e contribui para a performance operacional do veículo. Isso acompanha exatamente o momento do mercado brasileiro, que está mais maduro e passou a olhar para a eletrificação de forma mais estratégica, considerando eficiência, confiabilidade e sustentabilidade da operação no longo prazo.

Technibus - Quais os diferenciais desse tipo de bateria?

Marcello Schneider - A bateria Blade é um dos grandes diferenciais tecnológicos da BYD porque entrega exatamente o que uma operação de transporte coletivo precisa: segurança, durabilidade, eficiência e previsibilidade. Ela utiliza a tecnologia LFP, de lítio-ferro-fosfato, que já é reconhecida por sua estabilidade e longa vida útil. Mas a Blade levou essa tecnologia a outro patamar. Um dos pontos mais importantes é a segurança: estamos falando de uma bateria com alta estabilidade térmica, desenvolvida para reduzir de forma significativa riscos de superaquecimento, incêndio ou explosão, inclusive em condições mais severas de uso. Isso é fundamental quando falamos de ônibus, que rodam todos os dias, por muitas horas, em operações urbanas intensas. Nesse tipo de aplicação, a bateria não pode ser apenas eficiente. Ela precisa ser segura, resistente e confiável ao longo do tempo. Outro diferencial importante é a durabilidade. A Blade tem mais de três mil ciclos de recarga, com baixa degradação ao longo do tempo. Para o operador, isso significa maior previsibilidade, melhor aproveitamento da frota e uma vida útil mais consistente do veículo.

Além disso, a tecnologia também contribui para ganhos de autonomia e eficiência operacional. Nos novos ônibus da BYD, a bateria Blade permite autonomias que podem chegar a até 350 quilômetros em condições reais de operação urbana, dependendo da configuração do veículo. A recarga rápida também evoluiu, com cargas completas em cerca de duas horas. No fim, a tecnologia precisa resolver o problema real do cliente. E é isso que a Blade entrega.

Technibus- A BYD terá algum lançamento nos próximos meses?

Marcello Schneider - A BYD segue trabalhando continuamente na evolução do seu portfólio de ônibus elétricos no Brasil, sempre acompanhando as transformações do transporte coletivo e as diferentes necessidades das cidades brasileiras. Nos últimos anos, ampliamos nossa atuação com soluções voltadas para diversos perfis de operação, desde grandes corredores urbanos até aplicações que exigem veículos mais versáteis, compactos e adaptados a vias mais estreitas ou rotas de menor demanda. Isso mostra que a eletrificação do transporte público está entrando em uma fase mais madura, em que não basta ter uma única solução. É preciso oferecer produtos preparados para diferentes realidades de operação. A expansão da bateria Blade para novas plataformas também faz parte dessa estratégia. Essa tecnologia reforça atributos que são fundamentais para o transporte coletivo, como segurança, autonomia, eficiência energética, durabilidade e disponibilidade da frota.

Dentro dessa estratégia de expandir o portfólio, a companhia também trabalha para completar sua linha de ônibus elétricos com modelos piso-alto. O objetivo é ampliar as possibilidades de aplicação da tecnologia em diferentes perfis de operação no transporte coletivo brasileiro. A BYD está muito atenta às oportunidades do mercado brasileiro e segue preparando novas soluções para apoiar essa nova etapa da eletromobilidade no país. Ao longo dos próximos meses, devemos apresentar novidades alinhadas a esse movimento de expansão e amadurecimento do setor.

Technibus - Como a BYD está se preparando para a Lat. Bus 2026? Há lançamentos previstos?

Marcello Schneider - A Lat.Bus é um evento estratégico para discutir os próximos passos da mobilidade urbana e da eletrificação do transporte coletivo no Brasil. O setor vive um momento importante de amadurecimento, com avanços em tecnologia, infraestrutura e eficiência operacional, e a feira acaba se tornando um espaço relevante para acompanhar essa evolução do mercado. A BYD é parte integrante desse movimento, porque participou diretamente da construção desse mercado no Brasil ao longo dos últimos anos. Nossa expectativa é participar reforçando justamente essa visão de evolução tecnológica e amadurecimento do setor. A companhia segue trabalhando na expansão e atualização do portfólio de ônibus elétricos no Brasil. Teremos novidades nos próximos meses, que serão anunciadas no momento oportuno. Além da Lat.Bus, a Busworld Europe, realizada a cada dois anos na Bélgica, também é um evento estratégico para a BYD. As duas feiras têm papel importante para a companhia na apresentação de lançamentos globais e regionais, além de funcionarem como plataformas relevantes para acompanhar as principais tendências da mobilidade elétrica no transporte coletivo.

Technibus - Qual a importância da feira para o mercado de ônibus?

Marcello Schneider - A Lat.Bus tem um papel importante porque conecta toda a cadeia do transporte coletivo em um momento de transformação muito forte do setor. Hoje a discussão deixou de ser apenas sobre veículos. A conversa envolve energia, infraestrutura, operação, descarbonização e planejamento urbano. A feira acaba funcionando como um ambiente importante para troca de experiências, apresentação de tecnologia e discussão dos próximos passos da mobilidade urbana no Brasil. É um espaço onde operadores, indústria, fornecedores e gestores públicos conseguem discutir como acelerar essa transformação de forma sustentável e viável economicamente. Além disso, o evento ajuda o mercado a enxergar tendências e entender como a mobilidade elétrica vem evoluindo tanto no Brasil quanto em outros mercados globais. Para a BYD, a Lat.Bus também tem uma importância estratégica porque a história da companhia no Brasil começou justamente pelo transporte coletivo. Foi através dos ônibus elétricos que a marca iniciou sua atuação no país e a empresa participou diretamente do desenvolvimento desse mercado ao longo dos últimos anos. Por tudo isso, é uma feira importante não apenas para apresentar tecnologia, mas também para acompanhar a evolução do setor, ouvir operadores e entender como o mercado brasileiro está caminhando nessa transição.

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