Resultados do estudo sobre transporte público nas 21 maiores regiões metropolitanas serão apresentados até junho
Em entrevista à Technibus, o secretário nacional de mobilidade urbana, Marcos Daniel Souza dos Santos explica como o estudo poderá favorecer o planejamento das áreas metropolitanas envolvidas
Publicado em 22/04/2026 por Alexandre Asquini

O secretário nacional de mobilidade urbana, Marcos Daniel Souza dos Santos, revelou em entrevista à Technibus que o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, realizado por meio de uma parceria entre o ministério das Cidades e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), será apresentado até junho deste ano. A data exata será anunciada pelo governo oportunamente.
O estudo, que mapeia os projetos de transporte nas principais regiões metropolitanas do Brasil, tem como objetivo fornecer um diagnóstico detalhado da situação atual e estabelecer um planejamento para o futuro do setor.

Technibus – O senhor afirmou recentemente que o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, iniciado em 2023, está próximo de ter seus resultados oficialmente apresentados.
Marcos Daniel – Sim. O estudo tem como objetivo mapear e detalhar os projetos de mobilidade urbana nas maiores regiões metropolitanas. São 21 regiões metropolitanas com mais de um milhão de habitantes. Está sendo realizado em parceria entre o Ministério das Cidades e o BNDES. Estamos prevendo a apresentação dos resultados até maio ou junho.
Technibus – Como será essa apresentação?
Marcos Daniel – A ideia é organizar os dados e disponibilizá-los em uma plataforma acessível, permitindo que o público e os gestores possam visualizar de forma clara os projetos existentes e os próximos passos para o futuro da mobilidade no Brasil.
Technibus – Qual exatamente o significado deste estudo para o planejamento de mobilidade urbana?
Marcos Daniel – O estudo traz uma fotografia detalhada das principais regiões metropolitanas. Pela primeira vez, temos uma visão clara do que já foi feito e do que ainda precisa ser desenvolvido em cada uma delas. É importante destacar que o estudo vai além de um simples mapeamento de projetos, pois também aponta direções e sugestões sobre as tecnologias adequadas para cada situação. Além disso, facilita o planejamento a longo prazo, o que é crucial para um sistema de mobilidade eficiente.
Technibus – Esse estudo, então, funciona como um guia para futuros projetos de mobilidade?
Marcos Daniel – Exato. O estudo não detalha todas as soluções, como o tipo de transporte que deve ser implementado em cada local, mas aponta eixos prioritários e sugere as tecnologias mais adequadas para cada região. A ideia é que, a partir dessa base, possamos detalhar os projetos com mais precisão, adaptando-os às necessidades de cada localidade.
Technibus – O que o senhor considera como um dos maiores desafios nesse processo de mapeamento e planejamento?
Marcos Daniel – O maior desafio é justamente a diversidade dos sistemas de transporte existentes. Cada região tem sua própria realidade: alguns contratos estão em andamento, outros ainda precisam ser formalizados, e há diferentes modelos de gestão e tarifação. O estudo não só mapeia esses aspectos, mas também traz recomendações sobre como tornar esses sistemas mais eficientes e integrados.
Technibus – Quando o senhor menciona a integração e a necessidade de um esforço federal, o que exatamente o senhor quer dizer? Como o governo federal pode ajudar nesse processo?
Marcos Daniel – O governo federal tem um papel crucial em fornecer o apoio necessário, principalmente nos municípios e estados que não possuem recursos suficientes para implementar projetos de grande porte. O estudo demonstra que é fundamental uma ação coordenada, que envolva tanto o governo federal quanto os governos estaduais e municipais. O esforço federal é essencial para viabilizar soluções de mobilidade mais abrangentes, como trens e sistemas integrados de transporte.
Technibus – Em relação ao futuro, o senhor mencionou anteriormente que o estudo seria um "pontapé inicial". Como o senhor enxerga esse estudo daqui a 20 anos?
Marcos Daniel – Acredito que este estudo será um ponto de partida importante. Mesmo que nem todos os projetos previstos sejam implementados na totalidade, ele servirá como uma referência para os debates sobre mobilidade nas regiões metropolitanas. Estudos produzidos por antigas empresas públicas federais – a Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes, cuja sigla era GEIPOT, e a Empresa Brasileira de Transportes Urbanos (EBTU) – norteiam decisões de transporte há décadas. Da mesma forma, este nosso novo estudo vai ajudar a orientar decisões e projetos de mobilidade por muitos anos. Ele é uma base sólida para um planejamento a longo prazo.
Technibus – Para finalizar, o senhor acredita que esse estudo vai realmente "criar raízes" e gerar mudanças significativas na mobilidade urbana nos próximos anos?
Marcos Daniel – Sem dúvida. Embora o processo seja gradual e envolva muitos desafios, esse estudo traz uma visão estratégica e detalhada que pode transformar a mobilidade urbana no Brasil. Ele vai ajudar a planejar as próximas décadas e, mesmo que sua implementação não seja totalmente concluída em 20 anos, ele será um guia para futuras gerações de gestores públicos e técnicos da área.
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