“Os ônibus que falam com Deus”

A terceira edição da Technibus trouxe uma reportagem especial sobre a Transportes Cordillera, que, em 1993, operava numa das minas de cobre mais altas do mundo, na cordilheira dos Andes, com ônibus brasileiros

Marcia Pinna

A terceira edição da Technibus, de agosto/setembro de 1993, abordava em sua reportagem principal a presença dos ônibus brasileiros no Chile, em especial nas operações de fretamento para a mineração. O editor à época, Ariverson Feltrin, destacava a relevância da indústria de ônibus brasileira naquele país.

A Technibus entrevistou o presidente da Fenabus, a federação das empresas de ônibus chilenas, Jorge Massoud, que informava que um ônibus rodoviário Neoplan trazido da Alemanha custava US$ 500 mil, enquanto um veículo brasileiro equivalente custava US$ 180 mil, em 1993. O jornalista explicava: “Num mercado de transporte desregulamentado, onde o cliente quer passagem de custo baixo e serviço eficiente, o preço do ônibus e sua qualidade são elementos fundamentais. O Brasil deu certo na indústria de ônibus. Somos um dos maiores mercados internos e estamos na lista dos mais destacados exportadores.”

E Ari Feltrin descrevia a operação dos ônibus brasileiros no fretamento de trabalhadores mineiros na cordilheira dos Andes, da Divisão Andina da Codelco, a estatal chilena do setor de cobre. “Uma frota de 18 ônibus made in Brazil sobe todos os dias uma montanha de 4.550 m por um caminho de 45 km de
extensão serpenteado por curvas e coberto de neve e gelo. São ônibus Scania linha F com motor DS lide 320 cv encarroçados pela gaúcha Marcopolo.”

Os ônibus brasileiros transportavam, em três turnos, os mineiros da mina Andina, a mais alta do país e localizada a poucos quilômetros de Santiago. O jornalista ressaltava que a segurança era levada a sério “tanto na sinalização da pista, do carro, no treinamento dos motoristas e na adoção de equipamentos.”

Observava ainda os diferenciais dos veículos: Os Scania da Transportes Cordillera, por exemplo, são equipados com retardador de frenagem Voith, que opera em paralelo a dois outros freios, o do motor e o normal. Para facilitar a instalação de correntes nos pneus traseiros, a Marcopolo providenciou aberturas laterais na carroceria.”

E finalizava essa excelente reportagem: “Do topo dos Andes, a reportagem de Technibus pôde sentir a emoção que é admirar o pico Aconcágua, o mais alto das Américas, com 7.200 m, ou acompanhar um entardecer de céu arroxeado contrastando com o branco-noiva da neve que cobre as montanhas”, relatava, extasiado.

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