A chegada dos novos biarticulados a Curitiba no ano de 1995
Em substituição às carrocerias vermelhinhas Marcopolo Veneza de 1974, com pouco mais de 10 m de comprimento, chegavam os biarticulados da mesma marca e cor com 25 m de comprimento
Publicado em 13/03/2026 por Márcia Pinna

No dia 30 de julho de 1995, 21 anos após a inauguração do embrião do sistema integrado, Curitiba registrava, no corredor Norte-Sul, ligando os bairros de Pinheirinho a Santa Cândida, a entrada em operação de 66 biarticulados. A maior mudança no sistema, como mostrava a 23ª edição da revista Technibus, era em relação aos ônibus: em vez dos Marcopolo Veneza, com pouco mais de 10 m de comprimento, entravam em cena os biarticulados da mesma marca com 25 m de comprimento, duas vezes e meia a mais do que as pioneiras Veneza fabricadas em 1974.
Os 66 biarticulados com chassi Volvo B58 foram comprados por três empresas do grupo Gulin - Glória, Redentor e Cidade Sorriso. Eles substituíram 134 ônibus - 87 articulados e 47 Padron. Em vez de pontos de parada convencionais, os biarticulados passaram a usar estações-tubo, em nível com o assoalho do veículo. No trajeto de 20 km, foram implementadas 34 paradas, distantes 500 m uma da outra.
Assim, os biarticulados desbancavam o Veículo Leve sobre Trilhos, o VLT, também chamado de “bonde moderno” na época, que chegou a ser cogitado para o corredor Norte— Sul. Euclides Rovani, então diretor de Operações da Urbs, explicava à reportagem da Technibus que o VLT teria um custo dez vezes maior que o biarticulado, e o estado teria que bancar boa parte do investimento. "No ônibus, entraremos apenas com a parte da infraestrutura, cerca de R$ 10 milhões. Os veículos ficam por conta da iniciativa privada", contou.
Inovações
Os biarticulados tinham 24,90 m de comprimento. Em lugar de duas ou três portas, eram dotados de sete, cinco do lado direito, duas do lado do motorista. Tratava-se da segunda geração do biarticulado, um ônibus considerado “incomum” à época. Da primeira geração, havia ainda 33 biarticulados da Viação Nossa Senhora do Carmo, pintados na cor prata, que circulavam na linha Boqueirão, de Curitiba.
A segunda geração trazia novidades: a carroceria Marcopolo Torino GV-LS, era equipada com o inédito teto inteiriço (inclusive o flexal) em fibra de vidro, material que reduz peso, e conferia um melhor acabamento, eliminado rebites e evitando focos de corrosão e de goteiras. O teto era moldado por um processo a vácuo, com a vantagem de manter uma parede com espessura constante. A altura interna da carroceria era de 2,20 m - a versão anterior tinha 1,90 m.
O biarticulado tinha estrutura tubular de aço zincado e revestimento externo de alumínio. O frontal contava com design futurista que lembrava o metrô. A reportagem destacava dispositivos como rampas mais seguras de nivelamento do ônibus com a plataforma, e a ergonomia do posto do motorista, que mereceu da Marcopolo estudo minucioso feito em computador (CAD, computer aided design).
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