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Bancos de fomento apresentam soluções para projetos sustentáveis

Representantes do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) falaram de de soluções inovadoras e acessíveis em encontro nacional de secretários e dirigentes de mobilidade urbana

Publicado em 30/03/2026 por Alexandre Asquini

(Foto: André Telles BNDES)
(Foto: André Telles BNDES)

Na 124ª Reunião do Fórum Nacional de Secretários de Mobilidade Urbana, realizada no final de março em Curitiba (PR), dois bancos de fomento – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – apresentaram suas estratégias para apoiar a transformação da mobilidade urbana no Brasil, com foco em sustentabilidade, eletromobilidade e infraestrutura de transporte.

Representantes de ambas as instituições buscaram destacar como suas operações financeiras – isoladamente e em sinergia – estão contribuindo para o desenvolvimento de soluções inovadoras e acessíveis, com um olhar para os municípios e projetos sustentáveis.

Apoio regional

Everson de Almeida Leão, superintendente no BRDE, mostrou a atuação estratégica do banco nos estados do sul do Brasil e em Mato Grosso do Sul. Ele destacou que a parceria com os municípios é fundamental para a implementação de projetos de mobilidade urbana, especialmente em cidades menores, onde o apoio técnico e a estruturação de bons projetos são essenciais. Disse que o banco atua como facilitador financeiro, oferecendo consultoria e apoio técnico, além de recursos para infraestrutura sustentável.

O BRDE tem contribuído para o financiamento de veículos elétricos, como demonstrado no caso de Cascavel (PR), onde o banco não apenas ajudou na compra de ônibus elétricos, mas também financiou a instalação de usinas solares para recarga. Além disso, o BRDE atua com parcerias público-privadas (PPPs) para promover a infraestrutura urbana e a energia renovável, apoiando iniciativas que se alinham com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela ONU para 2030.

Prioridade

Pedro Marques, chefe do Departamento de Mobilidade Urbana do BNDES, ressaltou o papel do banco na transição para a eletromobilidade no Brasil. Informou que em 2025, o BNDES se consolidou como o principal agente de fomento da eletrificação do transporte público no país, com investimentos de mais de R$ 5 bilhões para a aquisição de ônibus elétricos. O banco já apoiou projetos de eletrificação em grandes capitais, como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte, com foco na redução da emissão de gases poluentes e na modernização da frota.

Pedro também destacou a importância de infraestrutura de recarga para viabilizar a mobilidade elétrica, enfatizando que a adaptação de garagens e pontos de recarga é um dos maiores desafios. Além disso, o BNDES tem atuado com modelos financeiros subsidiados, como o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima), para garantir que projetos sustentáveis possam ser executados com taxas de juros baixas e prazos longos, essenciais para a implementação da eletromobilidade em larga escala. Esses modelos subsidiados têm sido fundamentais para viabilizar a infraestrutura de recarga, como garagens adaptadas e pontos de recarga, que são necessários para a transição para a eletromobilidade.

O Fundo Clima é um instrumento do governo brasileiro, gerido pelo Ministério do Meio Ambiente e operado pelo BNDES, que financia projetos para reduzir emissões de gases de efeito estufa e adaptar o país às mudanças climáticas. Ele apoia iniciativas de energia renovável, transporte sustentável, florestas e cidades resilientes com juros baixos.

Sinergia

Os representantes do BRDE e do BNDES destacaram a complementaridade das ações dos dois bancos. O BRDE tem foco em apoiar projetos regionais e infraestrutura de pequenas e médias cidades, enquanto o BNDES atua em grandes projetos de impacto nacional, com destaque para a eletromobilidade e modernização do transporte público.

Ambos os bancos reforçaram a necessidade de parcerias público-privadas e da estratégia de longo prazo para garantir a viabilidade dos projetos, destacando que o financiamento público tem um papel fundamental para viabilizar a transição para um sistema de transporte mais sustentável e eficiente.

Desafios e oportunidades

Embora os desafios sejam grandes, como o alto custo inicial da eletrificação e a necessidade de infraestrutura de recarga, ambos os bancos mostraram que o caminho está sendo pavimentado para uma mobilidade urbana mais limpa e eficiente. O BRDE e o BNDES estão investindo em novas tecnologias, como ônibus movidos a biometano, e buscam ampliar o número de modelos de financiamento, adequando-se às necessidades regionais e locais.

O BNDES, por exemplo, planeja financiar mais de 2.000 ônibus elétricos nos próximos anos, com um pipeline de projetos robusto já em andamento. Em paralelo, o BRDE segue com seu compromisso de apoiar pequenas cidades no financiamento de projetos sustentáveis que integrem energia renovável e tecnologia limpa.

A visão para o futuro

Durante a sessão, afirmou-se que a eletromobilidade não é mais uma tendência, mas uma necessidade urgente para a sustentabilidade das cidades brasileiras. E que o apoio do BRDE e BNDES é fundamental para transformar o transporte público em um sistema eficiente, limpo e acessível, adaptado às realidades locais e regionais.

Os dois bancos destacaram a urgência de garantir projetos bem estruturados, financiamentos acessíveis e parcerias fortes entre setor público e privado para que o Brasil alcance seus objetivos de descarbonização e eficiência no transporte público. O futuro da mobilidade urbana sustentável está, sem dúvida, sendo construído agora, com investimentos inteligentes e um olhar cuidadoso para as necessidades das cidades e das pessoas.

O que os bancos podem fazer pelos municípios

Ambos os bancos, BRDE e BNDES, se colocam como aliados fundamentais na transformação da mobilidade urbana no Brasil, oferecendo não apenas financiamento acessível, mas também um apoio técnico especializado.

Para os municípios, o processo de acesso a esse apoio é direto e pode ser iniciado com uma simples consulta às equipes de prospecção dos bancos, que estão prontas para ajudar na estruturação de projetos, oferecendo consultoria e orientações sobre como superar desafios financeiros e técnicos.

Se o município tiver interesse, pode iniciar a conversa informalmente, levando suas necessidades e desafios para sentar à mesa com os representantes do BRDE ou do BNDES. A cooperação entre os bancos e os municípios é essencial para garantir que os projetos de mobilidade sustentável sejam viáveis, eficientes e adaptados à realidade local, contribuindo para um futuro mais limpo e acessível para todos.

Desde o início do projeto

Everson de Almeida Leão explicou que o BRDE está disponível para apoiar os municípios desde o início da elaboração do projeto, oferecendo consultoria técnica e estruturação dos projetos, com uma equipe de engenheiros e analistas financeiros altamente capacitada.

Ele ressaltou que o banco pode ser contratado diretamente por inexigibilidade de licitação, sem custo inicial para o município, sendo o custo final absorvido pelo ente privado através de uma parceria público-privada (PPP). Isso facilita o acesso a recursos financeiros e a execução dos projetos sem que o município precise arcar com custos imediatos.

Além disso, o BRDE tem equipes regionais nos diversos estados (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), o que garante uma atuação mais próxima aos municípios para orientar sobre as alternativas de financiamento. O banco também já tem experiência com grandes capitais e está disposto a conversar com municípios menores sobre financiamento para projetos de mobilidade urbana.

Linhas de financiamento

Pedro Marques, por sua vez, enfatizou que o BNDES oferece diversas linhas de financiamento, como o Fundo Clima e o FGTS, com taxas subsidiadas para apoiar projetos de eletrificação do transporte público e infraestrutura de recarga.

O banco possui um time especializado que pode ajudar a estruturar projetos de transporte sustentável, incluindo a escolha dos melhores modais e tecnologias para cada município.

O diretor também mencionou que o BNDES está aberto para conversar com municípios de todos os portes e que, para operações com menor ticket financeiro (abaixo de R$ 20 milhões), o banco trabalha em parceria com o BRDE, oferecendo garantias como o aval da União ou os próprios recebíveis municipais.

Além disso, o BNDES pode utilizar recursos internacionais, como os do KFW, para oferecer apoio técnico e produzir materiais como o Guia de Transporte Público Coletivo (TPC), que orienta os gestores municipais na escolha de soluções de mobilidade, com a atualização recente para incluir a eletrificação da frota.


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