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O mercado de ônibus a biometano deve alavancar em 2027, avalia Scania

Além de Goiânia, cidades como São Paulo, Curitiba, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro têm demonstrado interesse em investir em ônibus a gás nos próximos dois anos, de acordo com Alex Nucci da Scania

Publicado em 29/03/2026 por Márcia Pinna

Alex Nucci, diretor de Vendas de Soluções da Scania Operações Comerciais Brasil (Divulgação)
Alex Nucci, diretor de Vendas de Soluções da Scania Operações Comerciais Brasil (Divulgação)

Na última sexta-feira (27/03), durante a entrega dos primeiros ônibus articulados movidos a biometano que irão circular no BRT de Goiânia, Alex Nucci, diretor de Vendas de Soluções da Scania Operações Comerciais Brasil, afirmou que acredita em um avanço significativo dos ônibus com essa tecnologia a partir de 2027.

"Neste ano (2026), não vejo grandes volumes de vendas além de Goiânia, que deve chegar a 80 unidades. Mas vejo 2027 com esse mercado despontando como uma segunda alternativa ao elétrico. E o elétrico também vai continuar ganhando escala regionalmente de acordo com a disponibilidade da infraestrutura e de todo o sistema de carregamento local. No biometano, são necessários uns dois anos para avançar em termos de volume."

O executivo contou que várias cidades têm consultado a Scania sobre a tecnologia. "Não tenho dúvidas que São Paulo deve caminhar para o gás como a segunda matriz junto com o elétrico, mas a prefeitura está encontrando a viabilidade econômica. Curitiba já nos procura. Ribeirão Preto também, porque tem vocacionado ali na região da cana. Começamos a conversar com o pessoal do Rio de Janeiro, porque eles têm a usina em Seropédica com biometano disponível. Então, as cidades estão falando bastante com a gente de ônibus urbano e de caminhão de coleta de lixos todos movidos a biometano."

Para Nucci, haverá uma escalada de mercado mais rápida para os ônibus a GNV/biometano do que ocorreu com os caminhões. "Se eu olhar para caminhão, para fazer um paralelo, nós começamos em 2018 com caminhões. Até construir os corredores verdes, até construir parcerias com provedores, distribuidores de gás, levou de três a quatro anos para ficar robusto. Nós vendemos, nos primeiros quatro anos, 500 caminhões. Nos últimos dois anos, foram 1.500. Então, a escala aconteceu a partir do quarto, quinto ano. Em ônibus, acredito que nos próximos dois anos, nós vamos ganhar experiência, maturidade, a exemplo do que está sendo feito aqui em Goiânia", sublinhou.

Nucci avalia que o biometano é viável para o transporte coletivo urbano, principalmente do ponto de vista de Capex e de infraestrutura. "Vamos colocar em uma base 100. Você tem 100 custo do veículo. Duas vezes e meia é o custo do ônibus elétrico. E o gás custa de 40% a 50% a mais do que o diesel. Então, só por isso, já é mais viável a operação no que se refere à composição de uma tarifa. Quando se fala de infraestrutura, é muito mais simples ter uma infraestrutura de abastecimento dentro da garagem com tanques do que você ter uma rede de carregadores elétricos. Não estou dizendo que o elétrico é inviável, apenas que o gás é mais fácil de escalar." 

Ele lembra que Goiânia é uma operação com uma complexidade maior porque não há biometano nem gasoduto disponível, o que torna mais custoso trazer o gás. "Com certeza, está sendo pensado também do ponto de vista de políticas públicas. Então, o biometano não vai servir só o transporte, ele vai ser benéfico para toda a sociedade. Neste primeiro momento, é preciso trazer o biometano, o que torna o processo mais custoso. Mas isso é transitório", disse.

O primeiro gasoduto de Goiás será resultado da parceria entre GoiásGás, GeoGreen Biogás e Consórcio BRT. Também está em implantação a primeira usina de geração de biometano no estado, parceria entre Consórcio BRT e GeoGreen Biogás, no município de Guapó, a partir de resíduos industriais, com aportes de R$ 150 milhões e capacidade de produção de até 100 mil metros cúbicos/dia.

O executivo acredita que outras cidades podem adotar estratégias diferentes. "Se existe o gasoduto e o gás, mas o biometano ainda não chegou, é possível começar com o gás natural, que entrega na redução de NOx e material particulado, que é cancerígeno. Então, você cuida de saúde pública. E tem esse custo de aquisição menor do que um elétrico. Se em um ou dois anos, se viabiliza o biometano já está tudo construído e estruturado", exemplificou.

Para o transporte de passageiros rodoviário, Nucci afirmou que o desafio é maior, porque o tanque de gás precisa ficar na parte de baixo do veículo, que reduz o espaço do bagageiro. "Então, você só consegue aplicar em rotas curtas, rotas até 300 ou 400 quilômetros, dependendo da cidade até 500. Seriam veículos 4x2.  Para você ir para um 6x2 ou 8x2, especialmente os modelos rodoviários de longa distância, os DD, não vai ser tão cedo. Tem uma complexidade maior pela altura do ônibus, o centro de gravidade é muito alto e você não pode roubar espaço do bagageiro. O rodoviário tem possibilidade de crescer nas pequenas operações no modelo 4x2 em rotas curtas." 


Sobre os ônibus

Os ônibus têm carroceria Viale Express Articulado e chassi Scania K 340C A6X2/2 NB Euro 6, com torque de 1.600Nm e 340 cavalos de potência, transmissão automática ZF, suspensão a ar e sistema eletrônico de freios. O modelo utiliza um conjunto de sete cilindros do Tipo 4, em fibra de carbono, 70% mais leves que os de aço, instalados no teto. Com isso, os veículos alcançam autonomia superior a 400 quilômetros, desempenho equivalente ao de ônibus movidos a diesel.

Os articulados foram configurados com 19,22 metros de comprimento e capacidade para 145 passageiros, contando com poltronas estofadas com USB e USB C, piso amadeirado, iluminação full Led, ar-condicionado, monitoramento por câmeras e espaço dedicado a pessoas com mobilidade reduzida, com rampa e elevador.


Goiânia recebe ônibus articulado a biometano (Divulgação)



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