A TIC Trens vem ampliando o conjunto de medidas voltadas à segurança operacional da Linha 7 – Rubi, sob sua responsabilidade, com foco especial na mitigação de riscos associados às chuvas, à integridade da rede aérea e à prevenção de furtos de cabos e equipamentos. As iniciativas foram detalhadas pelo CEO da concessionária, Pedro Moro, ao comentar as frentes de atuação adotadas pela empresa desde o início da operação.
Segundo o executivo, uma das primeiras ações foi a realização de uma varredura ampla ao longo da Linha 7 – Rubi para identificar pontos vulneráveis a interferências externas, sobretudo o contato de galhos de árvores com a rede aérea. “Esse contato pode provocar curto-circuito e o desarme de subestações, como já ocorreu no passado. Por isso, a poda é um trabalho urgente e permanente, que não para”, afirmou Moro. As equipes, segundo ele, já estavam mobilizadas e seguem atuando de forma contínua ao longo do traçado.
Outro eixo central é o monitoramento meteorológico. A TIC Trens mantém contrato com uma empresa especializada em meteorologia para obter previsões mais precisas sobre a ocorrência de chuvas intensas e ventos fortes. “Mesmo com as informações disponíveis nos telejornais, precisamos de maior assertividade para antecipar riscos”, explicou o CEO. Com base nesses dados, veículos de manutenção são posicionados em locais estratégicos, próximos a trechos considerados mais vulneráveis, para permitir resposta rápida em caso de ocorrências.
No campo da proteção da via, a concessionária vem ampliando a vedação da faixa ferroviária acima do quantitativo originalmente previsto em contrato. A medida busca reduzir tanto os riscos à operação quanto a entrada indevida de pessoas na via, frequentemente associada ao furto de cabos. Em paralelo, estão sendo implementadas soluções de geoprocessamento e análise de imagens para mapear pontos críticos e antecipar vulnerabilidades ao longo da linha.
A TIC Trens também aposta fortemente em tecnologia embarcada para o monitoramento da rede aérea. Desde o início da operação, ao menos um trem da frota já conta com o PCDS (Pantograph Collision Detection System, ou, em português Sistema de Detecção de Colisão do Pantógrafo), capaz de detectar impactos no pantógrafo, analisar imagens, medir temperatura e identificar, em tempo real, imperfeições mais significativas na rede aérea. “Quando o sistema detecta uma anomalia, a equipe de rede aérea recebe o alerta imediatamente e pode agir, seja de forma programada ou emergencial”, explicou Moro.
Além do PCDS, a concessionária trabalha na implantação de um sistema complementar, mais avançado e de caráter preditivo, capaz de identificar alterações incipientes na geometria da rede aérea, como perda do zig-zag ou variações de altura, antes que o problema atinja um nível crítico. “A ideia é não esperar a rede quebrar ou cair para atuar, mas enxergar o problema antes”, destacou o CEO.
Combate ao furto de cabos
No enfrentamento aos furtos, problema recorrente em sistemas ferroviários no Brasil e no mundo, a TIC Trens adotou uma estratégia combinada. Moro explicou que os furtos ocorrem não apenas na rede aérea, mas também, e com maior frequência, nos sistemas de sinalização, por estarem mais acessíveis. A empresa contratou serviços especializados, realizou levantamento dos pontos mais vulneráveis, intensificou rondas ao longo da linha e está finalizando a instalação de equipamentos antifurto em locais críticos.
O CEO ressaltou ainda a importância do endurecimento da legislação, que passou a tipificar o furto de cabos como crime específico. “Isso ajuda a inibir a prática, especialmente quando combinado com vigilância, vedação da faixa e novas tecnologias”, avaliou. Para Moro, embora o problema esteja longe de ser exclusivo da Linha 7 – Rubi, o conjunto de ações em curso tende a reduzir significativamente os impactos sobre a operação.
Com esse pacote de medidas — que integra manutenção preventiva, inteligência operacional, monitoramento climático, tecnologia embarcada e segurança patrimonial — a TIC Trens busca elevar o nível de confiabilidade da Linha 7 – Rubi e reduzir a ocorrência de falhas associadas a eventos climáticos extremos e ações externas, reforçando a segurança e a regularidade do serviço prestado aos passageiros.
Contenção do comércio ambulante no sistema
A chegada da TIC Trens à operação trouxe consigo um problema já conhecido do transporte metropolitano sobre trilhos: o aumento do comércio ambulante nas estações e trens. Segundo o CEO da concessionária, Pedro Moro, o fenômeno é recorrente em momentos de transição operacional e já havia sido observado em concessões anteriores, como nas Linhas 8 e 9.
De acordo com Moro, a mudança de operador e de rotinas de controle cria brechas temporárias que acabam sendo exploradas por vendedores ambulantes. “É natural que, quando entra uma nova empresa e se alteram os serviços de segurança e fiscalização, quem pratica esse tipo de ação tente voltar ao sistema, buscando pontos falhos”, afirmou.
O executivo destacou que a presença de ambulantes não decorre de um aumento estrutural da demanda ou do perfil dos usuários da TIC, mas de um processo de adaptação operacional. Situação semelhante, segundo ele, ocorreu no passado com as antigas operadoras do sistema metropolitano, inclusive sob gestão pública.
Para enfrentar o problema, a TIC Trens vem adotando um conjunto de medidas. A concessionária mantém efetivo próprio de segurança, ampliou a contratação de equipes terceirizadas e está revisando continuamente os pontos mais vulneráveis do sistema. Um dos instrumentos considerados centrais nessa estratégia é o convênio com a Polícia Militar, já utilizado anteriormente nas Linhas 8 e 9, que teve papel decisivo na redução da presença de ambulantes.
“Quando houve a formalização desse convênio, a atuação da Polícia Militar ajudou a inibir de forma significativa o comércio irregular no sistema”, lembrou Moro, que acompanhou de perto esse processo em experiências anteriores.
Segundo a TIC Trens, o mapeamento das ocorrências está em andamento e novas ações devem ser implementadas ao longo dos próximos meses, com expectativa de redução gradual do problema. O CEO ressaltou que o comércio ambulante é um desafio histórico do transporte sobre trilhos e tende a migrar entre linhas e sistemas conforme o nível de fiscalização.
“É um mal que precisa ser combatido, porque, independentemente de qualquer coisa, ele atrapalha a vida das pessoas”, afirmou. Além de impactar a circulação e o conforto dos passageiros, a prática levanta preocupações quanto à segurança e à procedência dos produtos comercializados.
A concessionária afirma que seguirá ajustando seus protocolos de segurança para garantir um ambiente mais organizado e seguro aos usuários, reconhecendo que o enfrentamento do comércio irregular exige ação contínua e integrada.
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