Após dois meses à frente da operação integral da Linha 7–Rubi, a concessionária Tic Trens avalia que o início de 2026 marca uma fase de consolidação operacional e, ao mesmo tempo, de aceleração dos projetos estruturantes que envolvem a modernização da linha e a implantação do Trem Intercidades (TIC) entre São Paulo, Jundiaí e Campinas. Segundo o CEO da concessionária, Pedro Moro, o balanço inicial é positivo e sustenta boas expectativas para o ciclo de obras a ser iniciado em breve.
Moro comentou que o começou da operação integral foi marcado por intensidade, mas sem intercorrências relevantes além daquelas já conhecidas historicamente na Linha 7. “As falhas que ocorreram são as usuais, como problemas pontuais em material rodante e, principalmente, o roubo de cabos de energia e sinalização, que é uma constante no ambiente ferroviário”, afirmou. Ainda assim, os indicadores de desempenho mantiveram o padrão herdado da CPTM e, em alguns casos, apresentaram leve melhora.
Os dados operacionais reforçam a avaliação da concessionária de que a transição ocorreu de forma controlada, permitindo que a TIC Trens avance para uma etapa mais propositiva, voltada à qualificação da manutenção e à preparação da infraestrutura para os novos serviços previstos no contrato de concessão.

Transição mais tranquila
A transição da operação da CPTM para a TIC Trens ocorreu de forma mais tranquila do que em outros processos recentes. Para a concessionária, o principal diferencial não esteve em uma estratégia específica adotada internamente, mas no modelo de transição definido pelo Governo do Estado de São Paulo, disse Pedro Moro.
A definiação de um período de 18 meses para a transição foi decisiva para garantir estabilidade ao início da operação. Esse prazo permitiu à empresa contratar profissionais no mercado com maior critério, priorizando quadros mais qualificados, além de viabilizar treinamentos mais extensos e estruturados.
O tempo ampliado também foi considerado fundamental para a transferência de informações técnicas da CPTM, processo que, em alguns casos, teve sua carga horária reforçada, especialmente nas áreas ligadas ao material rodante. Outro fator citado foi o investimento antecipado em infraestrutura de apoio à operação, com a aquisição de mais de 50 equipamentos ferroviários e de manutenção ainda durante a fase de transição.
Projetos em desenvolvimento
Paralelamente à operação da Linha 7 – Rubi, a TIC Trens mantém em curso o desenvolvimento dos projetos básicos e executivos que abrangem tanto a modernização da linha existente quanto a implantação do Trem Intercidades (TIC) e do Trem Intermetropolitano (TIM). Um dos pontos mais avançados é o trecho entre Jundiaí e Campinas, considerado o segmento mais favorável para o início das obras.
Segundo o CEO, projetos básicos de via permanente já foram encaminhados ao poder concedente – que é o governo estadual – para aprovação, e a licença de instalação ambiental encontra-se em análise na Cetesb, a agência ambiental paulista, desde o final de 2025. “A expectativa contratual é iniciar as obras até maio deste ano”, explicou Moro, destacando que esse trecho apresenta menor complexidade de interferências urbanas e operacionais.
Ainda em 2026, a concessionária pretende iniciar intervenções em segmentos entre Lapa e Barra Funda, na capital paulista, e Jundiaí, ao mesmo tempo em que avança na compatibilização dos projetos com a MRS Logística, responsável pela operação de cargas no corredor ferroviário.
Compatibilização com a MRS
A compatibilização entre os projetos da TIC Trens e da MRS é apontada como um dos desafios técnicos mais relevantes do empreendimento. Entre a região da Água Branca e Jundiaí, a MRS implantará uma via segregada para cargas, eliminando a circulação de trens cargueiros na Linha 7 – Rubi após a conclusão das obras.
“A faixa de domínio é única e, em vários pontos, bastante estreita”, explicou Moro. Isso exige ajustes finos de traçado, reposicionamento de vias e soluções conjuntas de drenagem e obras de arte.
Segundo o executivo, os projetos vêm sendo discutidos de forma integrada, evitando soluções isoladas que poderiam gerar conflitos futuros. “Não faz sentido, por exemplo, cada operadora projetar a drenagem separadamente. É muito mais lógico fazer um projeto único, reduzindo riscos técnicos e operacionais”, afirmou.
Novos equipamentos
No campo operacional, a TIC Trens tem direcionado esforços para aprimorar os processos de manutenção, com foco na transição de uma lógica predominantemente corretiva para uma abordagem mais preditiva. A chegada de mais de 50 novos veículos de manutenção, recebidos no final de 2025, é apontada como um divisor de águas nesse processo.
Essa nova frota inclui reguladoras, veículos rodoferroviários e novas locomotivas — algumas importadas da China e atualmente em fase de testes — além de unidades alugadas para garantir a continuidade dos serviços. “Essa gama de equipamentos dá suporte direto ao que é mais importante: manter a operação estável e confiável”, destacou Moro.
Esses recursos também têm sido fundamentais para reduzir o tempo de resposta em ocorrências como furtos de cabos, permitindo recomposição mais rápida da infraestrutura e mitigando impactos ao passageiro.
Modernização de estações
A modernização das estações da Linha 7 segue um cronograma pactuado com a Artesp, distribuído ao longo dos próximos cinco anos. A estação Piqueri deverá ser a primeira a receber intervenções ainda em 2026. Moro ressalta, contudo, que todas as obras exigem planejamento cuidadoso para evitar impactos significativos na operação.
“Não se trata apenas de reformar estações, mas de definir metodologias construtivas que convivam com a operação ferroviária”, afirmou. O plano de ataque considera fases escalonadas e, quando necessário, o uso de soluções emergenciais para garantir o atendimento aos usuários.
Integração com a Linha 6 – Laranja
Um dos pontos mais sensíveis do projeto é a estação Água Branca, onde haverá integração com a futura Linha 6–Laranja do Metrô, prevista para entrar em operação ainda em 2026. Embora a licença de instalação da obra tenha sido concedida no final de 2025, o início efetivo dos trabalhos ficou condicionado à autorização da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) para uso de áreas federais no entorno.
Após um ano de tratativas, a SPU aprovou o Termo de Permissão de Uso (TPU) entre a União e o Governo do Estado, etapa que antecede a transferência formal da área à concessionária. Somente após a conclusão desse trâmite será possível fechar o cronograma definitivo da obra.
A chegada da Linha 6 – Laranja impôs ainda uma revisão na metodologia construtiva da estação. Inicialmente, previa-se o fechamento temporário da estação com atendimento via PAESE (Plano de Apoio entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência), dado o baixo volume de passageiros. Com a Linha 6 – Laranja, essa alternativa deixou de ser viável, já que Água Branca será, em um primeiro momento, a única integração ferroviária da nova linha.
“A gente está revendo as fases da obra para garantir o atendimento à Linha 6 – Laranja desde a inauguração”, explicou Moro. Alterações no projeto da Linha 6 – Laranja — como a substituição de um trecho em túnel por passarela — também exigiram ajustes nos projetos da TIC Trens, já submetidos à avaliação da Artesp.
Sem interferência política
Questionado sobre eventuais interferências do calendário político, Pedro Moro foi categórico ao afirmar que o projeto do TIC foi estruturado como política de Estado. “A inauguração está prevista para 2031, fora de qualquer ciclo eleitoral. Isso dá estabilidade institucional ao projeto”, afirmou.
Para o executivo, o biênio 2025–2026 será decisivo para consolidar essa trajetória, com o avanço simultâneo das obras, da modernização da Linha 7 e da integração com outros sistemas metropolitanos. “A expectativa é de um período muito produtivo, que traga efetividade e confiança de que o projeto vai se concretizar”, concluiu.
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