A África também está na corrida por uma mobilidade mais sustentável, e a eletrificação já marca presença, inclusive com iniciativas locais. Empresas africanas, com apoio de tecnologia chinesa e parcerias locais, estão desenvolvendo modelos e designs próprios. De acordo com dados do e-Bus Radar, em setembro do ano passado, havia 496 modelos movidos a eletricidade circulando pelo continente. O Egito lidera o ranking dos países com 155 unidades em circulação, seguido pelo Senegal (121), África do Sul (80), Quênia (45) e Ruanda (32). Os números avançaram bastante desde então.
Em dezembro, o Egito lançou o primeiro ônibus anfíbio elétrico do Oriente Médio para turismo, conectando o Grande Museu Egípcio ao Museu Nacional da Civilização Egípcia, operando em terra e no rio Nilo. Em setembro, a fabricante egípcia de carrocerias de ônibus MCV inaugurou uma unidade de produção no Cairo dedicada à linha de ônibus elétricos da Volvo para comercialização na Europa.
Projetos como o BRT do Senegal, em Dakar, que está em operação desde janeiro de 2024, têm impulsionado a eletrificação no continente. Com 18,3 km, 23 estações, e construída pela China Road and Bridge Corporation (CRBC), o sistema utiliza apenas ônibus elétricos, fornecidos pela China Railway Rolling Stock Corporation. É o primeiro sistema BRT da África Subsaariana.
Em Uganda, a Kiira Motors Corporation (KMC), uma empresa estatal que atua com soluções em mobilidade elétrica, produz o ônibus elétrico Kayoola, que já realizou uma expedição de 13.700 quilômetros por Uganda, Tanzânia, Zâmbia, Botsuana, Essuatíni e África do Sul, com objetivo de mostrar a capacidade de fabricação local. O Kayoola E‑Coach 13M 2025 tem 13 metros e eficiência global de 0,79 kWh por quilômetro.

A África do Sul passa por uma fase importante para a eletrificação do transporte coletivo. Na Cidade do Cabo, a empresa de transporte coletivo Golden Arrow Bus Services (GABS) está liderando com testes e planos de substituição de frota, usando veículos da BYD. A cidade do Cabo encomendou ainda 30 ônibus totalmente elétricos à Volvo Bus Southern Africa para seu sistema de BRT MyCiTi. A entrega está prevista para 2027.
O transporte coletivo elétrico do Quênia têm sido impulsionado por empresas locais como a BasiGo e a Opibus. A BasiGo é uma empresa do Quênia, que atua também em Ruanda, com foco na eletrificação do transporte público, usando chassis chineses e montagem local para reduzir custos.
Já a Etiópia proibiu a importação de veículos a combustão desde o início de 2024 e está promovendo ativamente ônibus e carros elétricos. No ano passado, a capital Adis Abeba colocou em operação 100 novos ônibus elétricos montados localmente com peças importadas da China.
A chinesa Golden Dragon vai iniciar o ano com a entrega do primeiro lote uma venda de 462 ônibus para a Companhia de Transporte Público da Tunísia, no norte da África. Os 462 ônibus incluem modelos de 12 e 18 metros. O primeiro lote deverá chegar aos portos tunisianos no início de fevereiro de 2026 e será distribuído entre 15 empresas de ônibus em 14 cidades, estabelecendo um novo padrão para o transporte público local, de acordo com o site ChinaBuses.org.
Entre os principais fabricantes que fornecem ônibus elétricos na África estão: BYD, Higer, MCV, Golden Dragon, Ankai, Irizar, entre outras, segundo o e-Bus Radar. As marcas chinesas têm forte presença no continente, mas em um grande mercado em plena expansão, como o africano, há oportunidades para que fornecedores brasileiros expandam seu espaço no mercado dos elétricos.

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