A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apresentou, nesta quinta-feira (15), um balanço do desempenho da indústria automotiva brasileira em 2025. As colocações do presidente da entidade, Igor Calvet, desenharam um quadro de crescimento moderado, abaixo das expectativas iniciais, mas ainda positivo, combinado a transformações estruturais relevantes no mercado, especialmente no campo das novas tecnologias, do comércio exterior e das políticas públicas voltadas ao segmento de caminhões.
Ao detalhar as projeções e condicionantes para 2026, Calvet mostrou que o diagnóstico macroeconômico aponta para desaceleração do PIB, inflação ainda acima da meta e início de um ciclo de queda da taxa Selic ao longo do ano, com impacto mais perceptível na economia a partir do segundo semestre. Com base nesse cenário, a entidade projeta crescimento de 2,8% nos emplacamentos de veículos leves em 2026, estabilidade com ligeiro viés negativo nos pesados, alta de 1,3% nas exportações e expansão de 3,7% na produção total.
Trata-se, segundo o dirigente, de um ano de “otimismo contido”, marcado por incertezas geopolíticas, desafios internos e pela necessidade de revisões periódicas das projeções, à medida que os efeitos das políticas econômicas e setoriais se tornem mais claros ao longo do ano.
Dados da Anfavea mostram que a produção de chassis de ônibus ao longo de 2025 foi de 28.191 unidades, representando crescimento de 1,6% sobre a produção de 2024, que contabilizou 27.749 unidades. Em dezembro de 2025, foram produzidas 701 unidades, representando redução de 47,1% em relação ao resultado do mês anterior, quando se produziram 1.326 unidades, e também redução de 58,61% em relação ao total produzido em dezembro de 2024, quando foram fabricadas 1.694 unidades.
Em 2025, foram emplacados 23.954 ônibus no Brasil, o que significa crescimento de 6,8% sobre o resultado de 2024, ano em que foram emplacados 22.435 veículos desse tipo. O total de emplacamentos em dezembro de 2025 foi de 2.091 unidades, o que revela redução de 5,1% em relação ao total de 2.203 ônibus emplacados no mês imediatamente anterior. Mostra, ainda, redução de 6,31% em relação a dezembro de 2024. Para 2026, a Anfavea informa expectativa de queda de 3% no total de emplacamentos, entre outros fatores, em função do ano eleitoral.
Foi de 33,8% o crescimento das exportações de ônibus em 2025 em comparação com os dados do ano anterior. No ano passado, o Brasil exportou 6.452 ônibus contra 4.822 unidades exportadas em 2024. Em dezembro de 2025 exportaram-se 387 unidades, total 2,8% inferior ao total exportado no mês imediatamente anterior, quando foram exportadas 394 unidades. Em comparação com dezembro de 2024, quando se exportaram 394 unidades, a redução foi de 1,8%.
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Fatos relevantes –
Entre os fatos considerados mais relevantes no início de 2026, o presidente da Anfavea destacou o lançamento do programa Move Brasil, voltado à renovação da frota de caminhões. O programa surge em resposta direta à queda acentuada do segmento, especialmente dos caminhões pesados, e oferece linhas de crédito com taxas significativamente inferiores às praticadas anteriormente, variando entre 11,8% e 13,9% ao ano.
Embora ainda seja cedo para mensurar seus impactos, a entidade avalia a iniciativa como uma “medida desfibrilatória” para o mercado, com potencial de conter a retração e contribuir para a preservação de empregos em um segmento que perdeu mais de 700 postos em 2025.
Cotas SKD/CKD
Outro ponto sensível abordado foi a política de cotas para importação de kits SKD (unidades parcialmente desmontadas) e CKD (unidades completamente desmontadas) de veículos eletrificados, vigente até janeiro de 2026.
A Anfavea manifestou preocupação com a possibilidade de prorrogação dessas cotas, alertando para o risco de empobrecimento da base industrial nacional.
Segundo estimativas apresentadas, um eventual avanço desse modelo poderia resultar em perdas econômicas superiores a R$ 100 bilhões, redução significativa da demanda por autopeças, queda de arrecadação tributária e potencial eliminação de dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos, em razão da menor densidade produtiva.
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