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Caio Silva, gerente sênior da linha de produto de sistemas de driveline para veículos comerciais da ZF América do Sul: “Os primeiros ônibus a receber a transmissão TraXon em todo o mundo são os modelos rodoviários O500 RS, RSD e RSDD da Mercedes-Benz do Brasil”

Além de falar sobre a produção da TraXon para o segmento de ônibus, o executivo comenta a evolução do mercado de elétricos no Brasil

Publicado em 24/10/2022 por Márcia Pinna

Caio Silva, gerente sênior da linha de produto de sistemas de driveline para veículos comerciais da ZF América do Sul
Caio Silva, gerente sênior da linha de produto de sistemas de driveline para veículos comerciais da ZF América do Sul

Technibus – Por que a ZF decidiu fabricar a transmissão TraXon no Brasil?

Caio Silva Para dar suporte às montadoras de veículos na América do Sul, principalmente o Brasil, que é um mercado importante para a companhia.

Technibus – Qual modelo de ônibus será equipado com a transmissão TraXon?

Caio Silva O primeiro ônibus a receber este produto em todo o mundo são os modelos rodoviários O500 RS, RSD e RSDD da Mercedes-Benz do Brasil.

Technibus – Além do Brasil, onde a ZF produz a TraXon?

Caio Silva Além da fábrica de Sorocaba, no interior de São Paulo, a transmissão TraXon é produzida em Friedrichshafen, na Alemanha, e em Jiaxing, na China.

Technibus – Poderia dar mais detalhes desta transmissão?

Caio Silva É a mesma transmissão que está sendo produzida no Brasil desde 2020 para o segmento de caminhões. A TraXon é uma caixa automatizada de 12 marchas para aplicação em ônibus rodoviário que tem uma característica diferenciada de troca de marchas. Possui um GPS integrado, que é uma espécie de autolearning, capaz de conhecer o terreno e aplicar a melhor marcha para aquela região, o que traz um benefício muito grande de eficiência de combustível. Em caminhões a eficiência é de até 15%.

Technibus – E o Intarder 3 que é acoplado à transmissão TraXon, qual é a função?

Caio Silva O Intarder auxilia na frenagem do veículo e reduz em até 90% a utilização dos freios, garantindo economia de combustível, maior segurança e significativa redução de custos com manutenção. O equipamento gera força de até 600KW para atuar como redutor de velocidade até a completa parada do veículo.

Technibus – Sobre o mercado de veículos elétricos, o que poderia ajudar a ampliar a utilização desses modelos no Brasil?

Caio Silva No Brasil, os veículos elétricos ainda são vistos com muita cautela pelas montadoras. Têm clientes desenvolvendo os seus produtos específicos e outros considerando a ZF como fornecedor parceiro, mas é um mercado que ainda requer alguns cuidados pelo fato de ter uma recuperação de malha bastante complexa.

Technibus – Que modelos elétricos devem conquistar um avanço mais rápido no mercado brasileiro?

Caio Silva Começamos a ver alguns postos de carregamento para carros, mas a avaliação da ZF é de que no Brasil os veículos que têm aplicação urbana, como as vans, caminhões leves e ônibus urbanos, tendem a migrar para os elétricos.

Technibus – E os ônibus rodoviários?

Caio Silva O ônibus rodoviário que percorre 600 e 700 quilômetros por dia precisa ter uma estação de carregamento suficiente para cada produto. Então requer uma condição diferenciada do que a gente tem hoje.

Technibus – O senhor acha que o avanço dos elétricos no Brasil será muito lento?

Caio Silva Não tenho dúvida que o veículo elétrico veio para ficar, pois é uma tendência. Existem algumas expectativas na Europa. Fala-se em 2030 ou 2035 para acontecer essa ‘virada de chave’ nas cidades europeias, com mais produtos elétricos do que mecânicos, mas para o Brasil acho que a gente vai precisar de mais tempo.

Technibus – O que você destaca de relevante no mercado de elétricos?

Caio Silva Apesar de o veículo elétrico ter pouca manutenção em relação ao modelo mecânico, que tem mais desgastes de peças, é preciso ter profissional especializado para fazer os reparos neste tipo de veículo por causa do grande risco de vida. Então, requer alguns cuidados.

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