BRT eletrificado de Porto Alegre deve ficar pronto até 2028
A cidade pretende também construir um sistema de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) com recursos do PAC e deverá criar um Plano Estrutural de Transporte
Publicado em 12/05/2026 por Alexandre Asquini
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O secretário de Mobilidade Urbana de Porto Alegre, Adão Castro Júnior, informou à Technibus que o projeto do BRT (Bus Rapid Transit) eletrificado da cidade deverá estar concluído até 2028. Com o novo sistema, a cidade espera caminhar em direção a uma rede de transporte público mais sustentável, moderna e eficiente.
Segundo o secretário, os avanços da cidade no campo da mobilidade urbana se iniciaram com o programa Mais Transporte, lançado em 2022. Foi uma resposta direta às mudanças trazidas pela pandemia de covid-19, que afetou o número de passageiros no transporte público.
A prioridade inicial foi ajustar os contratos de transporte, que são de 2016 e vão até 2036, mudando a forma de remuneração para pagar por quilômetro rodado. Esse ajuste possibilitou o aumento da frota de ônibus da cidade, que saltou de 819 veículos para 1.200.
“Foi necessário repensar todo o sistema. As mudanças permitiram aumentar a frota e melhorar a infraestrutura de terminais e corredores. Além disso, implementamos novos modelos de pagamento e aplicativos, facilitando o acesso dos usuários ao transporte”, explicou Adão Castro Júnior.
O impacto dessas iniciativas foi claro: a renovação de 600 ônibus, com 90% deles equipados com ar-condicionado, o aumento de 40% no número de viagens realizadas, e o crescimento no número de passageiros transportados, que subiu de 10 milhões para quase 15 milhões por mês.
Transição energética
A eletrificação do transporte público é uma das prioridades da atual gestão. Porto Alegre já colocou em operação 12 ônibus elétricos e, nos próximos anos, pretende expandir essa frota, com a aquisição de mais 100 ônibus elétricos. “A sustentabilidade é uma das bandeiras da nossa gestão. Estamos fazendo investimentos para garantir que o sistema de transporte de Porto Alegre seja cada vez mais limpo e eficiente”, afirmou Adão Castro Júnior.
O projeto do BRT eletrificado, que inclui veículos articulados elétricos, está em fase de desenvolvimento e deve ser implantado entre 2027 e 2028. O objetivo é que, ao longo do tempo, o sistema de BRT da cidade se torne totalmente sustentável.
Sistema sobre trilhos
Outro projeto significativo que vem sendo planejado para o futuro de Porto Alegre é o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). A cidade projeta a criação de quatro linhas desse tipo de transporte, ligando o aeroporto ao centro, a região sul à área central, além de uma linha circular. Com um investimento orçado em R$ 650 milhões, o projeto de VLT já está inscrito no novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Além disso, Porto Alegre está em processo de licitação para contratar um Plano Estrutural de Transporte, com apoio do Banco Mundial, que ajudará a reformular a estrutura do transporte urbano da cidade.
“Estamos preparando o sistema de transporte de Porto Alegre para o futuro. O VLT será uma das soluções para melhorar a mobilidade na cidade, junto com o BRT e os ônibus elétricos. Tudo isso faz parte de um planejamento estratégico a longo prazo”, explicou o secretário.
O grande desafio trazido pelas inundações
Há exatos dois anos, no início de maio de 2024, Porto Alegre começou a enfrentar um dos maiores desastres naturais de sua história: uma série de inundações que afetaram cerca de 30% da cidade, deixando milhares de pessoas desalojadas e forçando a cidade a se dividir entre áreas alagadas e áreas que continuaram funcionando normalmente.
Durante esse período crítico, a Secretaria de Mobilidade Urbana foi fundamental para o resgate das vítimas e para a manutenção de um sistema de transporte que, apesar da crise, não parou completamente.
O secretário Adão Castro Júnior descreveu o impacto das enchentes. “A tragédia foi enorme. A cidade se dividiu em dois mundos: uma parte estava submersa, e a outra continuava, de alguma forma, funcionando. Nossa missão foi atuar em ambos os cenários, mas, principalmente, salvar vidas e garantir que o transporte, mesmo em meio ao caos, fosse mantido”, disse.
A resposta da Secretaria foi imediata. Foi criada uma Central de Transporte Enchente, operando 24 horas por dia durante 63 dias, para atender as necessidades das áreas afetadas. "A situação era crítica, e nossa prioridade foi sempre salvar vidas. Não era só transporte, era resgatar pessoas em condições extremas, nos lugares mais afetados. Estávamos literalmente dentro da água", explicou o secretário.
Para garantir o resgate e o transporte de materiais essenciais, como alimentos, medicamentos e recursos de primeiros socorros, mais de 100 veículos, incluindo ônibus, caminhonetes e caminhões, foram mobilizados. A Secretaria também contou com a colaboração de empresas de transporte, que ofereceram veículos e combustível, além de sistemas de monitoramento para facilitar a logística de resgates.
Mobilização com união
“A mobilização foi impressionante. As empresas se uniram de forma voluntária, sem burocracia. Isso fez toda a diferença, pois não conseguiríamos enfrentar isso sozinhos. Foi uma verdadeira força-tarefa, que envolveu desde voluntários até a prefeitura e outras entidades. A cidade estava destruída, mas conseguimos organizar a resposta de forma eficiente”, relatou Adão Castro Júnior.
Apesar da pressão extrema para manter o transporte regular funcionando, a Secretaria conseguiu conciliar essas demandas com a necessidade de um transporte humanitário, que operava simultaneamente nas áreas alagadas. “Tivemos que criar dois sistemas de transporte paralelos. O transporte regular, reduzido em 70%, e o transporte humanitário, que era voltado exclusivamente para os resgates. Foram semanas intensas de trabalho em turnos, e cada ação exigia precisão”, disse o secretário.
No final, a operação foi considerada um sucesso, graças ao esforço coletivo de profissionais da Secretaria, voluntários e cidadãos de Porto Alegre. “O que posso dizer é que conseguimos tirar milhares de pessoas das áreas alagadas e levá-las para locais seguros. Foi uma operação que manteve a cidade funcionando, apesar de uma das maiores tragédias já vividas por Porto Alegre.”
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