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Fabus prevê declínio de 50% na produção de ônibus em 2020

Em decorrência da pandemia do coronavírus, as encarroçadoras acumularam estoques e as compras de ônibus não estão se concretizando, segundo a Fabus

Publicado em 09/07/2020 por Karoline Jones

Ruben Antonio Bisi, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus).
Ruben Antonio Bisi, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus).

Com a demanda reprimida, o turismo paralisado e a indústria retomando

as atividades de forma lenta, depois de fechar as fábricas no fim de março

por causa da pandemia do coronavírus, o mercado de ônibus – o mais

afetado pela crise do Covid-19 – deverá terminar o ano com queda de 50%

na produção, o que resultará na montagem de 11 mil carrocerias. Esta é a

estimativa de Ruben Antonio Bisi, presidente da Associação Nacional dos

Fabricantes de Ônibus (Fabus).

No acumulado de janeiro a maio de 2020, dos 6.242 ônibus produzidos

(32,4% a menos que nos primeiros cinco meses do ano anterior) 5.225

unidades foram vendidas no mercado brasileiro e 1.019 unidades no

exterior, segundo a Fabus.

“Neste cenário de pandemia, as empresas acumularam grande estoque de

pedidos e as compras não estão se concretizando e quando acontecem

são pontuais, porque as operadoras do sistema de transporte estão

debilitadas por causa da crise”, afirma Bisi.

Em sua análise sobre a situação atual do transporte público, o presidente

da Fabus afirma que o setor foi muito impactado pelo Covid-19. “O

turismo ainda está totalmente parado e o fretamento eventual teve queda

de 90%. Somente o fretamento de empresas registrou pequeno aumento

da demanda em algumas regiões por causa da necessidade de manter o

distanciamento das pessoas no interior dos ônibus.”

O serviço de transporte interestadual de passageiros está com 90% de

ociosidade, operando com 10% da frota em todo o país, segundo Bisi. “O

intermunicipal começou a voltar e opera com 20% da frota e o transporte

urbano, que estava com 30% da frota em operação, circula hoje com 70%

da frota, mas o retorno na receita das empresas é de 40%.”.

Neste momento de demanda reprimida no transporte público, o que

sustentará a produção de ônibus este ano, segundo Bisi, serão os micro-

ônibus destinados ao programa Caminho da Escola do governo federal.

Dos 6.800 ônibus licitados em agosto do ano passado, 2.000 unidades já

foram produzidas, falta finalizar a produção restante de 4.800 veículos.

Para enfrentar está fase difícil, as operadoras do sistema de transporte

precisam de desoneração da folha de pagamento, segundo o presidente

da Fabus. “Se o governo vetar essa proposta a passagem de ônibus terá

que ser reajustada entre 4% a 5%”, alerta.

Medidas emergenciais-

Bisi informa que a Fabus, junto com a Anfavea (que representa as

montadoras de chassis) e a ANTP (que representa as operadoras de

transporte público), está se movimentando e já elaborou um pacote de

reivindicações para evitar o colapso do transporte coletivo no país.

Entre as medidas emergenciais propostas para o transporte público, o

presidente da Fabus cita a compra antecipada pelo governo federal de

passagens de ônibus para serem doadas aos profissionais da saúde e aos

usuários do transporte de baixa renda. Por meio do programa social

seriam destinados mensalmente R$ 2,5 bilhões aos municípios para a

aquisição de créditos eletrônicos de passagens enquanto perdurar a crise

do Covid-19.

O setor reivindica ainda o financiamento de longo prazo com taxas de

juros acessíveis e a mudança de horário dos estabelecimentos comerciais,

da indústria e das escolas para reduzir a demanda no horário de pico,

facilitar o distanciamento das pessoas e evitar a ociosidade do sistema.

Na área de exportação as encarroçadoras pedem a volta do Regime

Especial de Reintegração de Valores Tributários para as empresas

exportadoras (Reintegra), que tem por objetivo devolver parcial ou

integralmente o resíduo tributário remanescente na cadeia de produção

de bens exportados.

“O dólar atual está ajudando a exportação, mas o problema é que os

países, principais compradores de ônibus brasileiros, como a Argentina,

Bolívia e Equador, estão com problemas por causa da pandemia. Como

alternativa, as empresas estão buscando novos mercado e a África é a que

mais está comprando ônibus atualmente”, informa Bisi.

O presidente da Fabus prevê que a demanda do transporte coletivo cairá

15% depois da pandemia do coronavírus. “E para enfrentar o novo

normal, o sistema de transporte passará por grande mudança, o que

exigirá investimentos em inovação e muita criatividade para oferecer ao

usuário um novo modelo de ônibus”, afirma Bisi.

A Marcopolo já fez a sua parte ao desenvolver o Paradiso 1200 New G7

com dois corredores e novo posicionamento das poltronas separadas por

cortinas antimicrobianas para preservar a saúde e a segurança dos

usuários, além de manter o distanciamento no interior do veículo.

Passada a pandemia o presidente da Fabus prevê que em todo o

transporte público o fretamento volte com mais força, pois quando a

indústria retomar o ritmo normal de trabalho terá que cumprir o

protocolo de segurança para manter o distanciamento dos empregados no

interior do veículo e isso demandará mais ônibus.

“O transporte urbano também voltará a operar com frota maior, de

acordo com a demanda das cidades, porque a população precisa se

deslocar. Já o turismo será o último a voltar porque o Brasil vai demorar

um pouco mais para atrair o estrangeiro”, afirma Bisi.

O presidente da Fabus prevê que, se o governo federal conceder

financiamento de longo prazo com mais carência para o pagamento da

primeira parcela às empresas que operam o sistema de transporte, o

mercado de ônibus poderá retomar o ritmo de crescimento em 2021.

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