Primeiro trimestre deve ser difícil para indústria de ônibus, avalia presidente da Fabus

Para Ruben Bisi, apesar dos desafios macroeconômicos do país, o mercado deverá melhorar a partir de abril; janeiro registrou retração na produção de carrocerias de ônibus

Marcia Pinna

O ano começou com queda na produção de carrocerias de ônibus, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus). Em janeiro de 2026 foram produzidas 1.395 carrocerias, enquanto no mesmo mês do ano passado, foram 1716 unidades. A retração foi de 18,7%, sendo que o mercado interno caiu 21,2% e as exportações cresceram 24,5%. Em comparação a dezembro de 2025, quando 1.801 ônibus foram registrados, a queda na produção total chegou a 27,5%.

Para o presidente da Fabus, Ruben Bisi, o resultado tem relação com os feriados de dezembro e com as férias coletivas deste ano que ocorreram em janeiro. “Assim tivemos menos dias trabalhados no primeiro mês do ano. O resultado foi inferior ao ano passado, mas a produção de chassis de ônibus continua boa neste início de ano, o que nos anima. E até abril, as fabricantes podem entregar as unidades remanescentes do contrato anterior do programa Caminho da Escola, o que deve ajudar nos resultados”, comenta.

Mesmo assim, Bisi acredita que o primeiro trimestre do ano será cheio de desafios para os fabricantes de ônibus, em virtude das condições macroeconômicas, como a alta taxa de juros que não caiu neste início de ano, conforme era esperado. Com os juros altos, os operadores tendem a adiar a renovação de suas frotas, na expectativa de taxas menores. “Depois, em abril, vai melhorar. O novo pregão do Caminho da Escola deve sair em breve, com a licitação de 7.470 ônibus escolares. E também há os recursos do PAC 3 para compra de ônibus, que somam R$ 2 bilhões.”

A expectativa do presidente da Fabus é que o mercado de ônibus em 2026 fique em níveis muito próximos ao ano passado. “Deve haver ’empate’ na produção de ônibus em relação a 2025. Pode haver retração de até 5% em alguns segmentos, mas no geral, a tendência é que seja um quadro bem semelhante ao do ano passado”, acredita.

Ruben Bisi, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus)

Resultados de janeiro

Em janeiro de 2026, foram produzidos 604 modelos urbanos (representando 43,3% do total), 275 rodoviários (19,7% do total), 184 micro-ônibus (13,2% do total) e 331 miniônibus (23,7%). “Os miniônibus apresentaram um número muito positivo, principalmente devido ao Caminho da Escola”, comenta Bisi. No mesmo mês de 2025, foram fabricados 115 miniônibus, o que representava uma fatia de 6,7% da produção do mês.

No ranking de janeiro das associadas à Fabus, a Caio Induscar registrou 475 carrocerias produzidas, sendo 434 urbanos e 41 micro-ônibus. A Mascarello fabricou 285 unidades, sendo 104 urbanos, 22 rodoviários e 159 miniônibus. A produção da Marcopolo foi de 205 carrocerias, sendo 65 urbanos, 113 rodoviários e 27 micro-ônibus. A Volare, do grupo Marcopolo, produziu 179 unidades, sendo 172 miniônibus, seis rodoviários e um urbano.

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