Autuações de transporte clandestino até julho deste ano quase empatam com 2025 inteiro
Apesar de uma malha viária menor, o Distrito Federal lidera as estatísticas de autuações no período de 2022 a 2026
Publicado em 31/08/2026 por Redação

As autuações de ônibus interestaduais agindo de maneira clandestina no país atingiram, no período de janeiro e julho deste ano, quase o mesmo patamar de todo o ano passado e bem próximo do recorde registrado em 2023. De acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), com dados colhidos junto à ANTT, nos primeiros de janeiro a julho deste ano foram autuados 3.525 veículos, enquanto em todo o ano de 2025 elas chegaram a 3.767. Em 2023, maior resultado dos últimos quatro anos, somaram 4.174 autuações.
Ao se comparar o recorte do mesmo período em todos os anos anteriores, as projeções indicam um resultado preocupante. Enquanto nos primeiros sete meses de 2026 foram 3.525 autuações, no ano passado total era pouco acima da metade: 1891. Em 2022 foram 1216; 2023 (ano recorde), 2.494; em 2024 tivemos 890 atuações.
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“Autuações de veículos são bastante comuns nas estradas federais. O que chama a atenção é o aumento exponencial das autuações por transporte irregular. Em sete meses elas representaram 42,1% do total dos autos de infração. Ao longo de todo o ano passado esse percentual foi de 25,8%”, alerta a diretora-geral da Abrati, Letícia Pineschi.
Apesar de uma malha viária menor, o Distrito Federal lidera as estatísticas de autuações no período de 2022 a 2026, com 3.425, seguido por Goiás com 2.917; São Paulo com 2341 e Minas Gerais com 2.076. Se o recorte for de percentual de clandestinos versus número total de autuações, Goiás passa a liderar as estatísticas nacionais com 45,2%, seguido de Mato Grosso do Sul com 39,5% e Minas Gerais, com 27,7%.
“O crescimento dos números absolutos e relativos deve-se a vários fatores. Um deles é a facilidade de oferta de passagens que podem ser adquiridas em plataformas virtuais e nas redes sociais, sem que o comprador possa diferenciar o que é lícito e o que é pirata. Por outro lado, o aumento das autuações pode parecer um bom sinal mas ele vem acompanhado do aumento do transporte clandestino. E a ANTT não tem recursos nem pessoal suficiente para fazer a fiscalização adequada”, prosseguiu Letícia.
A diretora-geral da Abrati defende que a tecnologia seja usada como arma contra o transporte clandestino. “Vistoriar essas plataformas e redes sociais que ofertam passagens de viagens irregulares é o primeiro passo. Depois usar a rede de câmeras que estão nas rodovias para ajudar no controle. Elas não são capazes de multar, de descobrir se um veículo está com IPVA atrasado ou se o motorista está com a CNH suspensa? Qual dificuldade de ela comparar a placa do ônibus com a lista das empresas regulares da ANTT? Ou descobrir se aquele veículo passa por aquele trecho todo dia no mesmo horário, indicando ser uma linha regular?”, questionou.
Letícia reforça que o consumidor também pode e deve se precaver do transporte clandestino. Ela cita alguns cuidados:
1 – Passagens regulares, ao serem emitidas, geram um comprovante de compra informando preço, impostos, taxas, QR Code e local de embarque seguro;
2 – Embarque e desembarque sempre acontece em terminais rodoviários. Duvide se a compra indicar um lugar diferente de partida ou chegada;
3 – Se puder, peça à companhia a inscrição da mesma na ANTT e compare com os dados oficiais, embora isso seja mais difícil.
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