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Inovações tecnológicas em gestão de frota têm baixo aproveitamento no país

Cerca de 85% dos transportadores do setor no país não conhecem todo o potencial das ferramentas de gerenciamento de veículos, enquanto apenas 15% conseguem utilizar o total das aplicações oferecidas pelos softwares existentes no mercado nacional

Publicado em 21/08/2026 por João Mathias

Já não é novidade que o uso da tecnologia para coleta de dados se tornou essencial para colocar em ação estratégias que podem fazer toda a diferença na rotina das operações de transporte. No segmento de transporte público por ônibus, a ferramenta tem permitido atingir ganhos de produtividade para as operadoras, melhorias na mobilidade urbana para o poder concedente e comodidade para os passageiros.

 Apesar dos muitos benefícios, nem todas as vantagens, que podem ser obtidas da combinação de métricas e informações dos veículos, dos usuários e de todo o entorno do serviço de transporte, são aproveitadas por cerca de 85% das empresas do setor no país.

O porcentual elevado mostra que há uma grande parcela de transportadores que ainda não sabem utilizar todo o potencial das inovações disponíveis no mercado brasileiro. Apenas 15% das companhias no país conseguem utilizar plenamente os softwares de gestão de frota na atividade.

Em apresentação na 11ª edição do Frotas Conectadas em um dos auditórios da Lat.Bus 2026, feira latino-americana de transporte realizada na semana passada em São Paulo, o sócio e diretor da provedora de tecnologia Gestran, Raphael Aguiar, citou uma pesquisa que constatou que, em cada 100 empresas do setor no país, apenas 15 conseguem processar todos os resultados que são oferecidos pelo sistema de gerenciamento de transporte.

Sem o uso adequado das tecnologias disponíveis – que, com sua sofisticação, integram processos e métricas –, a maioria das companhias continua agindo no improviso, com decisões tomadas sem a visibilidade dos indicadores de desempenho e dos custos reais.

A falta de clareza dos operadores com relação às amplas possibilidades que os dados podem fornecer às operações de transporte foi uma questão bastante debatida pelos profissionais e especialistas da área participantes do painel.

Coordenador nacional de vendas da Creare Solutions, William Ferreira afirmou que há muitas empresas que não sabem se têm um projeto de gestão definido. Por isso, é preciso que os provedores de soluções não só mostrem aos clientes como extrair os dados a partir das novas tecnologias, mas, também, como usá-los no apoio do planejamento das suas atividades.

Consultor técnico comercial da Dunlop, do Grupo Sumitomo Rubber, Jean Claudio Brunetta, ressaltou que saber fazer a leitura dos dados permite realizar a aplicação correta deles. Portanto, segundo Brunetta, o operador de transporte precisa estar capacitado a interpretar a ação a ser efetivada. Além disso, manter-se aberto para as muitas novidades tecnológicas que estão a caminho será necessário para assegurar a otimização do uso das ferramentas e o aproveitamento das orientações compreendidas a partir delas.

 "Custo oculto do descontrole”

 Outro executivo que concorda que os dados não estão sendo usados pelas empresas como deveriam é o diretor da Primova, Valter Silva. Em sua apresentação no Frotas Conectadas, o diretor trouxe a definição “custo oculto do descontrole”, referindo-se às ocasiões em que as informações disponíveis para os operadores de transportes, que poderiam contribuir para a tomada de uma decisão, acabam virando custo por não terem sido trabalhadas adequadamente.

Por meio de alguns exemplos, Silva mostrou que a falta de controle do custo por quilômetro afeta direta e negativamente a margem das empresas. Um dos exemplos foi sobre o consumo de lubrificante no transporte, que, ao gerar um desperdício estimado em R$ 10,00 por mil quilômetros, pode provocar, no ano, um prejuízo de R$ 24 mil a R$ 120 mil. Esse prejuízo seria evitado se houvesse um monitoramento mais preciso da operação, indicando a quantidade certa de óleo no momento da reposição do produto.

A avaliação, segundo Valter Silva, é que pequenas perdas acumuladas provocam um efeito relevante no resultado financeiro do transportador, pois sem visibilidade do custo, a empresa deixa de ter capacidade de decisão, previsibilidade e rentabilidade. Assim, cada falha de controle operacional se converte em diminuição recorrente da margem e o custo oculto pontual se repete em toda a operação. Na conclusão de Silva, a gestão orientada por dados permite transformar perdas em decisões objetivas.

Falta de integração entre sistemas

 O executivo da Primova ainda ressaltou que a geração de custos se agrava com a existência de uma lacuna estrutural importante no setor. Segundo ele, as operadoras de transporte estão implantando muitos sistemas de qualidade, voltados para telemetria, monitoramento de veículos, roteirização, bilhetagem, entre outros objetivos. Entretanto, as tecnologias utilizadas não possuem conexões entre si; é justamente essa integração que promove a transformação dos dados em inteligência para a operação.

Implantação gradual

Raphael Aguiar alerta para o mesmo entrave produzido pela ausência de conectividade entre os sistemas disponíveis no mercado. Ele diz que operadores e gestores precisam ter maturidade para incorporar as tecnologias em um passo a passo, sem recorrer a diferentes frentes ao mesmo tempo.

De acordo com Aguiar, quando um transportador tenta avançar de uma vez só na implementação de diversas inovações tecnológicas, a chance de não dar certo é grande. Para o executivo, é importante que a evolução do processo de modernização na gestão de frotas das empresas seja uma jornada gradual.

 

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