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Quinze pontos sobre os impactos da escala 6x1 para 5x2

A palestra “Fim da Escala 6x1 – Impactos, Desafios e Perspectivas para o Transporte de Passageiros”, promovida pela Fetpesp, discutiu os impactos sobre a operação do transporte coletivo de passageiros no Brasil

Publicado em 18/06/2026 por Alexandre Asquini

Divulgação Fetpesp
Divulgação Fetpesp

A possível extinção da escala 6x1 e sua substituição por um regime de trabalho 5x2 poderá provocar impactos significativos sobre a operação do transporte coletivo de passageiros no Brasil. A avaliação foi apresentada pelo engenheiro naval Wan Yu Chii, diretor de Negócios da WPlex Software, durante a palestra “Fim da Escala 6x1 – Impactos, Desafios e Perspectivas para o Transporte de Passageiros”, realizada na manhã desta quarta-feira, 17 de junho, em evento híbrido promovido pela Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo (Fetpesp).

A ideia central que se pode extrair tanto da apresentação de Wan Yu Chii e do debate instalado em seguida, com a participação de lideranças e representantes de empresas  do setor, é que a substituição de escala, embora tenha potencial de melhorar as condições de trabalho, representa uma mudança estrutural de grande magnitude para o transporte de passageiros, com impactos sobre mão de obra, custos, escalas, contratos, subsídios, demanda e gestão operacional, exigindo planejamento antecipado, inovação tecnológica e ampla negociação entre empresas, trabalhadores e poder público.

Technibus preparou um resumo de quinze pontos sobre o encontro. A apresentação e o debate podem ser vistos por meio do YouTube


1.      A mudança da escala 6x1 para 5x2 representa uma transformação estrutural para o setor – O setor de transporte de passageiros considera que a eventual adoção da escala 5x2 deixaria de ser uma hipótese remota e passou a ser um cenário concreto. A mudança exigiria profunda reorganização da gestão operacional das empresas. Há percepção generalizada de que os efeitos atingiriam todos os segmentos do transporte de passageiros.

 

2.      Necessidade de ampliar significativamente o quadro de motoristas – Estudos da WPlex indicam necessidade de aumento entre 20% e 23% no número de motoristas para manter a oferta atual de serviços. Empresas menores tendem a sofrer impactos maiores devido à menor flexibilidade na montagem das escalas. A dificuldade de contratação pode se tornar um problema tão grave quanto o aumento dos custos.

 

3.      Elevação dos custos operacionais – O aumento do número de empregados elevaria os custos trabalhistas das operadoras. As simulações apontam crescimento de 14% a 19% nos custos relacionados aos motoristas. Os impactos financeiros não se limitariam aos condutores, podendo atingir manutenção, segurança, operação e áreas administrativas. O aumento de custos é considerado praticamente inevitável caso a mudança seja implementada

 

4.      Escassez de mão de obra como desafio crítico -- O setor já enfrenta dificuldades para atrair e reter motoristas. Entre os fatores apontados estão: remuneração considerada insuficiente, condições de trabalho difíceis, trânsito intenso, infraestrutura viária inadequada e pressão operacional cotidiana.  A necessidade de contratar mais profissionais pode agravar um problema já existente.

 

5.      Complexidade crescente na gestão das escalas – Os modelos atuais de programação foram concebidos para outra realidade operacional. A escala 5x2 exigiria múltiplas combinações de folgas e jornadas. O planejamento operacional se tornaria muito mais complexo. Pequenas diferenças no desenho das escalas podem produzir grandes diferenças na quantidade de funcionários necessária.

 

6.      Necessidade de desenvolver novas metodologias de escala – Não existe atualmente um modelo considerado ideal para a realidade da jornada 5x2. Empresas, consultorias e fornecedores de tecnologia já realizam testes e simulações. Novos arranjos de jornadas e folgas precisarão ser construídos. O conceito de "escala padrão" surge como instrumento para melhorar a eficiência operacional.

 

7.      Tecnologia como ferramenta estratégica -- Sistemas de gestão de escalas tornam-se fundamentais para enfrentar o novo cenário. Ferramentas de simulação permitem: testar cenários, estimar custos, avaliar impactos, otimizar alocação de pessoal. A tecnologia é vista como elemento central para reduzir riscos durante a transição.

 

8.      Insegurança jurídica e necessidade de renegociação coletiva – Existe incerteza sobre a compatibilização da jornada semanal de 40 horas com as convenções coletivas vigentes. Muitas convenções estabelecem jornada diária de 7h20. Dependendo da interpretação jurídica, os impactos operacionais e financeiros podem variar significativamente. O tema deverá gerar negociações sindicais e debates jurídicos.

 

9.      Possível redução da renda dos motoristas -- A redução dos dias trabalhados pode diminuir: horas extras, vales-refeição e benefícios vinculados à presença. Simulações indicam queda potencial de 4% a 8% na remuneração total dos trabalhadores, mesmo sem redução do salário-base. Surge a preocupação de que os motoristas não obtenham todos os benefícios econômicos esperados com a mudança.

 

10.   Impactos diferenciados conforme o segmento de transporte – Segmentos devem sofrer impactos diferentes. Transporte urbano e metropolitano: Necessidade de manter a oferta de viagens e tendência de ampliação do quadro de motoristas. Fretamento: Maior nível de incerteza, já que impactos dependem das mudanças de jornada dos clientes contratantes. Transporte escolar: Possíveis efeitos mais limitados, já que operação menos dependente dos fins de semana.

 

11.   Possíveis alterações na demanda por transporte –  Mudanças nas jornadas de trabalho de outros setores da economia podem alterar os padrões de deslocamento. Parte da demanda atualmente concentrada aos sábados pode migrar para dias úteis. Poderão surgir novos picos de demanda. Ainda existe grande incerteza sobre o comportamento futuro dos passageiros.

 

12.   Necessidade de revisão dos modelos de financiamento – O aumento dos custos pode exigir: reequilíbrios econômico-financeiros dos contratos, renegociação contratual e ampliação de subsídios públicos. Há preocupação com a capacidade financeira dos municípios para absorver novos custos. O debate ultrapassa a esfera trabalhista e alcança a sustentabilidade econômica do sistema.

 

13.    Necessidade de articulação institucional – A transição da escala 6x1 para a escala 5x2 exigirá participação conjunta de empresas, sindicatos patronais, sindicatos de trabalhadores, governos, órgãos gestores e entidades setoriais. Representantes do setor defenderam planejamento antecipado e construção conjunta de soluções.

 

14.   Humanização da gestão de motoristas – O novo cenário pode estimular modelos mais flexíveis de gestão. Foram defendidas escalas mais previsíveis e personalizadas. A melhoria da qualidade de vida dos motoristas é vista como instrumento para retenção de mão de obra. Maior previsibilidade dos horários pode aumentar a satisfação dos trabalhadores.

 

15.   Risco de um cenário "perde-perde-perde" -- Empresas podem enfrentar aumento --expressivo de custos. Governos podem ser pressionados a ampliar subsídios. Passageiros podem sofrer reajustes tarifários ou redução de oferta. Trabalhadores podem não obter ganhos financeiros proporcionais à redução da jornada. A mudança pode gerar custos e desafios para todos os atores envolvidos.

 

 

 

 

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