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Cooperação com a China impulsiona projetos de mobilidade em São Paulo

Além dos projetos metroferroviários de grande envergadura, a colaboração de empresas chinesas no processo de eletrificação da frota de ônibus da cidade foi destaque no evento promovido pelo consulado chinês

Publicado em 16/06/2026 por Alexandre Asquini

Roberto Torres, diretor de Engenharia do Metrô-SP (Foto: Alexandre Asquini)
Roberto Torres, diretor de Engenharia do Metrô-SP (Foto: Alexandre Asquini)

O fortalecimento da cooperação econômica entre China e Brasil, com foco em inovação, infraestrutura e investimentos produtivos, esteve no centro da Conferência de Cooperação Econômica e Comercial 2026, realizada nesta segunda-feira, 15 de junho, pelo Consulado-Geral da República Popular da China em São Paulo. O evento apresentou o potencial de Shenzhen e de seu distrito de Luohu como plataformas para ampliar negócios, investimentos e parcerias entre empresas dos dois países.

Realizado no espaço de eventos da BYD, na capital paulista, o encontro reuniu representantes de governos, instituições financeiras e empresas chinesas e brasileiras. A programação incluiu apresentações sobre o ambiente de negócios de Shenzhen e Luohu, casos de cooperação já desenvolvidos entre os dois países e a assinatura de acordos voltados ao fortalecimento das relações econômicas bilaterais.

Shenzhen é uma das cidades mais dinâmicas da China e um dos principais polos globais de inovação, tecnologia, indústria, finanças e comércio exterior. Símbolo da política chinesa de reforma e abertura econômica, registrou PIB de 3,87 trilhões de yuans em 2025 (equivalente a cerca de US$ 572 bilhões) e abriga mais de 25 mil empresas de alta tecnologia. Sua estratégia de desenvolvimento está baseada na inovação, com investimentos em áreas como inteligência artificial, economia digital, biomedicina e energias limpas.

Já Luohu, o distrito mais antigo de Shenzhen, ocupa posição estratégica na fronteira com Hong Kong. Considerado um importante centro financeiro, comercial e logístico, desempenha papel relevante na integração econômica da Grande Área da Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, uma das regiões mais dinâmicas da economia chinesa.

Relações bilaterais

O cônsul-geral da República Popular da China em São Paulo, Peng Yu, afirmou que as relações entre os dois países vivem um momento de aprofundamento, impulsionado pela confiança política construída nos últimos anos e pela expansão da cooperação econômica.

Segundo ele, China e Brasil consolidam-se como parceiros estratégicos do Sul Global, ampliando a colaboração em diferentes áreas. Em 2025, o comércio bilateral alcançou US$ 188 bilhões, mantendo a China como principal parceiro comercial do Brasil pelo 17º ano consecutivo. No primeiro trimestre de 2026, as exportações brasileiras para o mercado chinês cresceram mais de 20%.

Peng Yu destacou que a relação entre os dois países vem se tornando mais diversificada. Se durante décadas esteve concentrada principalmente no comércio de commodities, hoje incorpora segmentos como energia verde, transporte ferroviário, manufatura avançada, comércio eletrônico transfronteiriço e novas tecnologias.  

O cônsul observou ainda que Shenzhen reúne competências industriais e tecnológicas complementares às necessidades de desenvolvimento do Brasil, especialmente em áreas ligadas à inovação, infraestrutura e transformação produtiva. Nesse contexto, Luohu foi apresentado como uma plataforma capaz de apoiar a internacionalização de empresas chinesas e facilitar o acesso de empresas brasileiras ao mercado chinês.

Mobilidade

A conferência também destacou exemplos concretos da cooperação entre empresas chinesas e o poder público paulista.

O diretor de Engenharia e Planejamento da Companhia do Metropolitano de São Paulo, Roberto Torres, apresentou o programa de expansão da rede metroferroviária da capital. Segundo ele, trata-se da maior fase de crescimento da história do sistema.

Torres informou que, após mais de cinco décadas de operação, o metrô paulista alcançou 104,2 quilômetros de extensão em 2025, transportando cerca de 4,2 milhões de passageiros por dia. A meta é atingir 247 quilômetros de rede até 2040, com capacidade para atender aproximadamente 12,4 milhões de passageiros diariamente.

Nesse processo, empresas chinesas já participam de diferentes projetos. Foram citadas a China Railway Engineering Equipment Group (CREG), fabricante de máquinas tuneladoras; a China Railway Rolling Stock Corporation (CRRC), fornecedora de material rodante; a Power Construction Corporation of China (PowerChina); e a Kangni Rail Transit Equipment, especializada em sistemas e componentes ferroviários.

A BYD também foi mencionada pela participação na retomada da Linha 17-Ouro, sistema de monotrilho que fará a ligação do Aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária da capital. O vice-presidente da empresa, Alexandre Baldy, apresentou informações sobre o empreendimento e sobre a atuação da companhia no setor de mobilidade.

O secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, ressaltou a colaboração de empresas chinesas no processo de eletrificação da frota de ônibus da cidade. Atualmente, São Paulo possui cerca de 13 mil ônibus em operação, dos quais aproximadamente 1.200 são elétricos. Segundo ele, outros 500 veículos elétricos deverão ser incorporados à frota na próxima semana.

Acordos

O encontro foi encerrado com a assinatura de cinco documentos voltados ao fortalecimento da cooperação econômica e institucional entre entidades dos dois países. Entre eles está um memorando de entendimento firmado pela secretaria de Comércio de Shenzhen e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para ampliar o intercâmbio econômico, comercial e de promoção de investimentos. A BYD Brasil e a OLV – Organização e Promoção de Eventos também assinaram acordo destinado a apoiar iniciativas de intercâmbio empresarial entre Shenzhen, São Paulo e outras cidades dos dois países.

Os bancos ICBC Brasil e CGN Brasil formalizaram um memorando para aprofundar a cooperação em serviços financeiros. Houve ainda a assinatura de um acordo de intenção de compra entre o grupo chinês OIG e a empresa brasileira Marfrig, além de um acordo de cooperação entre as empresas Hytera e Teltronic para projetos de redes de comunicação no Brasil.

A programação foi concluída com o descerramento simbólico da placa de inauguração do Escritório de Ligação Econômica e Comercial de Shenzhen em São Paulo, iniciativa que busca ampliar a presença institucional da cidade chinesa no Brasil e facilitar o desenvolvimento de novos negócios e parcerias bilaterais.

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