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Anfavea Visions teve sucesso em promover uma síntese da complexidade do setor automotivo hoje, diz Igor Calvet

Logo após o encerramento da primeira edição o novo evento anual Anfavea Vision, nesta quarta-feira, 10 de junho, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, disse à Technibus que considera muito positivo o resultado do encontro, pois foi capaz de compor uma síntese da complexidade que vive hoje o setor automotivo

Publicado em 11/06/2026 por Alexandre Asquini

O evento reuniu executivos, especialistas e lideranças de diferentes segmentos da indústria automotiva (Foto: OTM Editora)
O evento reuniu executivos, especialistas e lideranças de diferentes segmentos da indústria automotiva (Foto: OTM Editora)

O Anfavea Visions encerrou sua primeira edição nesta quarta-feira, 10 de junho, no Hotel Unique, em São Paulo, com a proposta de se consolidar como um espaço permanente de diálogo e formulação estratégica para a indústria automotiva.

Realizado como parte das comemorações dos 70 anos da Anfavea, o encontro teve ao longo de dois dias sessões com executivos, especialistas e lideranças de diferentes segmentos em conferências e painéis distribuídos por quatro trilhas temáticas.

Os debates abordaram temas relacionados à economia, finanças e mercado, à transformação do setor automotivo e aos impactos da tecnologia, da inovação e das disrupções sobre a mobilidade, a indústria e a sociedade.

Complexidade do ambiente

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, disse à Technibus que considera amplamente positivo o resultado do encontro, destacando que a iniciativa buscou refletir o ambiente em que atua a indústria automotiva.

Segundo Calvet, as transformações em curso – que têm escala global – exigem um diálogo mais amplo, envolvendo não apenas fabricantes e fornecedores, mas também representantes de setores como tecnologia, energia, finanças e inovação. Para ele, faltava um ambiente capaz de coordenar essas discussões de forma estruturada.

“O Anfavea Visions é uma síntese da complexidade do setor hoje. Normalmente, o setor fala com a cadeia de fornecedores, com distribuidores. O que a gente trouxe para a mesa é que, diante dos grandes desafios que o setor tem, há uma multidisciplinaridade”, afirmou,

A intenção da entidade é que o Anfavea Visions passe a ser realizado anualmente, servindo como instrumento para orientar prioridades e estratégias da indústria automotiva diante dos desafios futuros.

“O que a Anfavea se propõe a fazer é anualmente promover um encontro que norteie a atuação da nossa entidade e dos parceiros envolvidos do setor automotivo, em relação ao que devemos ter como estratégia, ao que devemos pleitear e em relação ainda ao que exige cooperação entre todos os atores”, explicou.

Presença de lideranças

Calvet também destacou a importância de reunir lideranças diretamente envolvidas na tomada de decisões. “É sempre muito importante trazer o grande executivo, aquele que está tocando a operação no dia a dia. São essas pessoas que ajudam a gente a formar opinião”, afirmou.

Como desdobramento do evento, a Anfavea prepara um documento consolidando as principais conclusões dos debates. De acordo com o presidente da entidade, perguntas estruturantes foram utilizadas para orientar as discussões e agora servirão de base para a sistematização dos resultados.

“Vamos reunir os conteúdos das palestras e painéis e responder a essas perguntas a partir do que os executivos falaram. Isso será consolidado em um documento”, informou. O trabalho será realizado pela equipe técnica da própria associação e deverá ficar pronto em algumas semanas.

Resultados

Ao fazer um balanço dos dois dias de atividades, Calvet destacou o caráter provocativo das discussões e a capacidade do encontro de gerar novas reflexões sobre os rumos do setor. “O balanço foi positivo. O que mais me impressionou foi que os debates colocaram dúvidas na cabeça”, afirmou.

Como exemplo, o dirigente relatou uma conversa ocorrida durante um dos painéis. “Em determinado momento, perguntei a um CEO se nós estávamos na agenda correta. E ele respondeu: ‘Está correta, mas tem que adicionar muitos pontos’”, contou.

Para Calvet, a resposta sintetiza uma das principais conclusões da primeira edição do Anfavea Visions: a percepção de que a agenda da indústria automotiva está no caminho adequado, mas precisará incorporar novos temas e perspectivas para acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas, econômicas e sociais que moldarão o futuro da mobilidade.

LEIA TAMBÉM: Anfavea Visions marca os 70 anos da entidade com debate sobre o futuro da mobilidade, da indústria e da tecnologia


Tecnologia, inteligência artificial e conectividade

O segundo dia do Anfavea Visions concentrou-se nos impactos das novas tecnologias sobre a mobilidade e a produção industrial. As potencialidades e consequências do emprego da Inteligência Artificial (AI) foi o tema predominante em boa parte das sessões.

Marcondes Farias, diretor do Innovation Hub da Microsoft, trouxe para o debate a evolução dos agentes de inteligência artificial e seu potencial de aplicação na indústria automotiva. Lara  Guedes, chefe das áreas de Indústria, Mobilidade e Entretenimento do Google, discutiu o paradoxo embutido na equação que considera a IA para processar e seres humanos para decidir.

Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para a América Latina, abordou o avanço da computação inteligente e sua presença crescente em diferentes aplicações tecnológicas. No período da tarde, a engenheira e consultora Tânia Cosentino, ex-presidente da Microsoft, conduziu uma apresentação sobre os desafios e oportunidades associados à nova configuração da indústria baseada em digitalização, automação e inteligência artificial.

A transformação digital dos veículos e dos serviços de mobilidade apareceu em um painel que reuniu Eduard Folch, presidente da Allianz Brasil, Daniel Pitta, presidente da Allianz Partners para Brasil e América Latina, e Igor Calvet, sob mediação do jornalista Phelipe Siani.  Eduardo Jurcevic, CEO da Webmotors, participou de sessão dedicada aos impactos da digitalização sobre a experiência de compra, uso e relacionamento com os veículos.

Ciro Possobom, CEO da Volkswagen do Brasil, e Pablo Roberto Fava, CEO da Siemens Brasil, participaram de uma discussão sobre o posicionamento do país diante das mudanças que vêm reconfigurando a indústria automotiva global. A questão energética foi tratada em um painel que reuniu Alberto Kuba, CEO da WEG, Tomás Manzano, CEO da Copersucar, e Christopher Podgorski, CEO da Scania América Latina, com mediação do jornalista Leonardo Lara.

O encerramento da programação foi dedicado às cidades e à mobilidade urbana e teve participaram de Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco; Emilio Sanchez, CEO da Estapar, e de Marcelo Vilela, vice-presidente comercial da ABB Eletrificação Brasil, com mediação do jornalista Thiago Quintino.


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