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Consumo de biodiesel deve crescer 7,2% em 2026

Com o avanço dos preços do diesel A decorrente da guerra no Oriente Médio, a pressão pelo aumento da mistura de biodiesel se aprofundou, mas ainda não se tem perspectiva de implementação do B16 em 2026

Publicado em 24/04/2026 por Márcia Pinna

 Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX (Divulgação)
Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX (Divulgação)

De acordo com o relatório da StoneX, empresa global de serviços financeiros, a demanda por biodiesel deve crescer 7,2% em 2026, alcançando 10,4 milhões de m³, impulsionada pela maior mistura (B15) e pelo dinamismo econômico. Esse crescimento se deve ao maior percentual de mistura nesse período, no comparativo com o ano passado, em que vigorava o B15.

“O crescimento do biodiesel reflete tanto o aumento da mistura quanto a maior demanda por diesel no país, além da busca por alternativas que reduzam a dependência externa”, destaca a analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Isabela Garcia.

A alta demanda tende a continuar mais acentuada no primeiro semestre do ano, conforme se tem um percentual de mistura maior do que no mesmo período de 2025 (15% ante 14%), aponta o relatório. No restante do ano, com a perspectiva de manutenção do B15, a alta do biodiesel estará mais atrelada ao dinamismo econômico, crescendo em proporção próxima à do diesel B.

A StoneX observa que, com o avanço dos preços do diesel A decorrente da guerra no Oriente Médio, a pressão pelo aumento da mistura de biodiesel se aprofundou, mas ainda não se tem perspectiva de implementação do B16 em 2026. A necessidade de testes de viabilidade técnica deve se estender nos próximos meses, mas o aumento da mistura pode ser uma via para limitar a exposição ao comércio internacional de diesel. Nesse sentido, em um cenário de implementação do B16 a partir de julho, a demanda por biodiesel saltaria para 10,76 milhões de m³ (+10,9% a.a.).

Na frente da demanda por matérias-primas, o óleo de soja registrou alta em volume, estimado em 1,22 milhão de m³ — ou 1,12 milhão de toneladas (+11,5% a.a.). De acordo com o relatório, a alta era esperada conforme se tem um maior volume de vendas de biodiesel nos primeiros meses do ano, mas, em termos de participação relativa frente a outras matérias-primas, houve uma leve queda no comparativo com o primeiro bimestre de 2025 (80,7% contra 81,1%), o que reflete a maior disponibilidade de outros insumos no mercado.

Com a retomada mais enfraquecida das exportações de sebo, ainda refletindo o fechamento do mercado dos EUA para o produto brasileiro, os preços mais atrativos do insumo favoreceram um aumento do share no bimestre, de 7,5% para 8,7%. Entretanto, o aumento das exportações de sebo, além do avanço da colheita da soja, deve favorecer a recuperação do share do óleo nos próximos meses. R$ 8.000 R$ 7.000 R$ 6.000 R

Neste cenário, ressalta a analista, o óleo de soja seguirá como principal matéria-prima, ampliando sua participação para 84,7%, favorecido pela ampla oferta interna e pelo esmagamento recorde previsto para o ano. Em um cenário alternativo com adoção do B16, a demanda por biodiesel pode crescer ainda mais, chegando a 10,76 milhões de m³.

Consumo de diesel

A demanda por diesel no Brasil deve atingir um novo patamar histórico em 2026, impulsionada pelas atividades do agronegócio e da indústria, de acordo com o relatório. O consumo de diesel B está projetado em 70,8 milhões de m³, crescimento de 1,9% na comparação anual, sustentado pelo avanço da colheita, aumento das exportações e intensificação do transporte rodoviário.

No recorte regional, Sudeste e Sul devem liderar o crescimento da demanda por diesel B, impulsionadas por desempenho industrial positivo, recuperação da produção agrícola e maior fluxo de cargas para os portos.

A produção doméstica de diesel A ganhou força no primeiro trimestre, com crescimento de 4,5%, refletindo esforços das refinarias para ampliar a oferta diante das incertezas no mercado internacional. • As importações de diesel A devem recuar em 2026, com estimativa de 17,2 milhões de m³ no cenário base (B15), marcando queda de 0,6% em relação ao ano passado.

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