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Biometano avança como alternativa para o transporte público

A presidente da ABiogás, Josiani Napolitano defende complementaridade entre biometano e eletrificação e afirma que combustível pode substituir até 30% do diesel consumido no estado de São Paulo

Publicado em 29/05/2026 por Alexandre Asquini

Ônibus a biometano da frota de Goiânia (Arquivo/Divulgação Scania)
Ônibus a biometano da frota de Goiânia (Arquivo/Divulgação Scania)

O biometano vem consolidando espaço no debate sobre descarbonização do transporte coletivo urbano no Brasil. A avaliação é da presidente-executiva da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), Josiani Napolitano, que destacou nesta quinta-feira, 28 de maio, em entrevista à revista Technibus, o potencial do combustível renovável para o transporte público e para aplicações pesadas de mobilidade. As declarações foram feitas após a participação da executiva em um debate sobre mobilidade sustentável realizado em São Paulo.

Segundo Josiani Napolitano, as possibilidades para o biometano no setor são amplas, especialmente em razão da combinação entre ganhos ambientais e características operacionais consideradas estratégicas para sistemas urbanos de transporte.

“As perspectivas são enormes”, afirmou. Segundo ela, além de contribuir para a descarbonização, o biometano oferece vantagens importantes para operações intensivas, como abastecimento rápido e segurança operacional. A executiva destacou ainda que o combustível pode reduzir em até 90% as emissões de CO2 em comparação ao diesel.

Josiane observou que o estado de São Paulo reúne condições particularmente favoráveis para a expansão do combustível. Entre os fatores apontados estão a presença de uma malha de gás mais capilarizada e a forte produção de biogás e biometano vinculada à indústria sucroalcooleira e aos aterros sanitários.

De acordo com a dirigente, essa estrutura pode facilitar o transporte do combustível produzido no interior paulista até os centros urbanos onde as frotas necessitam de abastecimento.

Potencial

Josiani Napolitano afirmou que o biometano poderia substituir até 30% do consumo de diesel no estado de São Paulo. Segundo ela, o potencial produtivo brasileiro é elevado e ainda pouco explorado. E citou estimativas segundo as quais o potencial teórico de produção do país pode chegar a 120 milhões de metros cúbicos por dia.

Apesar disso, ela ressaltou que a ampliação do mercado depende da criação de políticas públicas capazes de garantir escala produtiva e segurança para investimentos. E enfatizou que a escala é um fator decisivo para ampliar a competitividade da cadeia produtiva, estimular a indústria fornecedora de veículos e equipamentos e permitir maior competitividade ao setor. “A escala é importante para qualquer indústria. Na medida em que se tenha escala, acaba havendo maior competitividade”, declarou.

A presidente da ABiogás observou ainda que, no transporte urbano, o biometano já apresenta competitividade econômica frente ao diesel, sobretudo em razão do menor custo de produção do combustível renovável. Segundo ela, parte dessa vantagem decorre também da forte dependência brasileira do diesel importado. 

Outro aspecto destacado foi a vulnerabilidade do diesel às oscilações internacionais. Segundo a executiva, a forte dependência de combustível importado expõe o setor às tensões geopolíticas e aos impactos de conflitos externos sobre preços e abastecimento.

Complementaridade

Ao comentar o avanço da eletrificação no transporte coletivo, Josiani Napolitano afirmou não enxergar uma disputa entre ônibus elétricos e veículos movidos a biometano. Segundo ela, as duas soluções podem atuar de forma complementar, dependendo das características operacionais de cada cidade, de cada estado e também das necessidades das frotas.

Para a executiva, municípios de grande porte, como São Paulo, tendem a encontrar vantagens operacionais no biometano devido à rapidez do abastecimento e à possibilidade de manter os veículos em operação contínua por períodos mais longos, sem necessidade de recarga ao longo do dia. Ela ponderou, porém, que diferentes cidades podem demandar soluções distintas, reforçando a importância de diversificar as alternativas energéticas no transporte público.

“É muito salutar que a gente possa conviver com vários modais e não apostar todas as fichas em um único combustível”, afirmou. A defesa da pluralidade tecnológica e energética foi um dos principais pontos enfatizados pela dirigente.


Josiani Napolitano, presidente-executiva da ABiogás (Divulgação)


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