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Biometano pode ajudar prefeitura paulistana a antecipar metas ambientais

A adoção de ônibus movidos a biometano, em complemento à eletrificação da frota, poderá fazer a cidade de São Paulo antecipar já para 2027 a meta intermediária de descarbonização prevista originalmente para 2028

Publicado em 29/05/2026 por Alexandre Asquini

Victor Hugo Borges, diretor-presidente da SPTrans (Divulgação)
Victor Hugo Borges, diretor-presidente da SPTrans (Divulgação)

A combinação entre ônibus elétricos a bateria e veículos movidos a biometano poderá fazer a cidade de São Paulo antecipar em cerca de um ano a principal meta intermediária de descarbonização prevista para o transporte coletivo municipal. Segundo avaliação do diretor-presidente da São Paulo Transportes (SPTrans), Victor Hugo Borges, a meta de alcançar 2.200 ônibus menos poluentes prevista para 2028 poderá ser atingida já no meio ou no início de 2027.

A afirmação foi feita à revista Technibus após a participação do dirigente, nesta quinta-feira (28 de maio), em um debate sobre transição energética e descarbonização do transporte público realizado em São Paulo.

Biometano, solução complementar

Ao mesmo tempo, a Prefeitura de São Paulo admite a possibilidade de incorporar cerca de mil ônibus movidos a biometano durante o atual ciclo de gestão municipal, consolidando o combustível renovável como solução complementar à eletrificação da frota.

A estratégia da administração municipal parte da estrutura já implantada no sistema paulistano. Hoje, a capital possui 1.259 ônibus elétricos em operação – algo em torno de 10% da frota operacional, que é de aproximadamente 12 mil ônibus. O número de ônibus elétricos ainda deverá crescer rapidamente nos próximos meses. A previsão é de entrega adicional de 600 a 700 veículos elétricos ainda este ano. Segundo Victor Hugo Borges, a conta da descarbonização vem sendo construída “considerando o veículo que hoje nós temos disponível”, tomando como base a expansão já em curso da frota elétrica.

Essa conta deverá considerar a retirada de circulação – em relativamente pouco tempo – de 190 trólebus que ainda prestam serviços na cidade, como admitiu à Technibus o secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira.

O presidente da SPTrans diz que o biometano deverá atuar como tecnologia complementar aos ônibus elétricos, ampliando a capacidade de redução de emissões da frota sem substituir o processo de eletrificação em andamento. O dirigente ponderou, porém, que esse crescimento precisará obedecer aos marcos legais estabelecidos para a transição energética do sistema municipal. “Se eu falar em mil veículos dentro do período que o plano de metas da Prefeitura determina, para mim está ok”, afirmou o dirigente ao comentar o espaço projetado para os ônibus a biometano no sistema municipal.

Zerar emissões de carbono

O avanço da nova matriz energética está diretamente ligado ao compromisso assumido pela cidade de zerar as emissões de carbono da frota até 2038. Para alcançar esse objetivo, a Prefeitura prevê a renovação integral dos ônibus em operação na capital ao longo dos próximos 12 anos. Segundo o presidente da SPTrans, somente a renovação completa da frota permitirá que a cidade atinja efetivamente a meta de zerar as emissões de carbono no sistema de ônibus.

Na avaliação do presidente da SPTrans, a complementaridade entre eletrificação e biometano poderá acelerar significativamente o cronograma inicialmente previsto. “Em 2028, que é a minha primeira meta, que é de 2.200 ônibus, vai ser batida no meio ou no começo de 2027”, declarou. Questionado sobre o ritmo dessa transformação, Victor Hugo Borges afirmou que “a perspectiva de avanço é rápida”.

Estudos concluídos

Victor Hugo Borges afirmou ainda que os estudos técnicos e as parametrizações necessárias para adoção do biometano já foram concluídos. Segundo ele, a estrutura necessária para viabilizar essa transição também já foi implantada no sistema paulistano. A implementação definitiva da tecnologia, porém, ainda depende de decisão política da gestão comandada pelo prefeito Ricardo Nunes. O dirigente afirmou ainda que o compromisso da administração municipal com a descarbonização da frota já está consolidado.

Entre os argumentos favoráveis à adoção do combustível renovável estão o custo inferior ao diesel e a contribuição para o processo de descarbonização do transporte coletivo paulistano. Segundo Victor Hugo Borges, o biometano poderá ganhar espaço justamente por combinar menor custo operacional em relação ao diesel com capacidade de reduzir emissões no sistema de transporte público da capital.

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