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BRT de Goiânia reduz em 11% consumo previsto de biometano

Oito articulados já rodaram 92 mil km; projeto prepara produção local do combustível e prevê expansão da frota. Os dados foram divulgados durante o Fórum Transporte Sustentável realizado na Lat.Bus 2026

Publicado em 17/08/2026 por Valeria Bursztein

Laércio Galvão de Oliveira Ávila, diretor executivo do Consórcio BRT de Goiânia (Márcio Bruno Photo)
Laércio Galvão de Oliveira Ávila, diretor executivo do Consórcio BRT de Goiânia (Márcio Bruno Photo)

Em operação desde março, os oito ônibus articulados movidos a biometano do BRT de Goiânia (GO) estão consumindo 11% menos combustível que o previsto no projeto. O resultado integra a primeira etapa de avaliação da tecnologia no transporte coletivo da capital goiana.

Nos primeiros quatro meses de acompanhamento, considerando 54 dias de operação apurados, os oito veículos percorreram 92.332 quilômetros e alcançaram eficiência média de 1,265 km por metro cúbico de biometano, ante os 1,14 km/m³ considerados no dimensionamento da operação. Segundo o Consórcio BRT, o resultado representa consumo 11% inferior ao projetado.

No período, foram fornecidos 72.988 m³ de biometano em 340 recargas, com quilometragem média de 11.542 km por ônibus. De acordo com o consórcio, a substituição do diesel evitou a queima de quase 60 mil litros do combustível fóssil e a emissão de mais de 150 toneladas de CO₂.

Os dados foram apresentados pelo diretor-executivo do Consórcio BRT de Goiânia, Laércio Galvão de Oliveira Ávila, durante a abertura do Fórum Transporte Sustentável, realizado na Lat.Bus 2026, em São Paulo.

Elétricos e biometano dividem a renovação

A adoção do biometano integra o programa de renovação da frota da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC) de Goiânia. Criado em 2024 pelos operadores, o Consórcio BRT passou a desenvolver os projetos relacionados à transição energética, da infraestrutura e especificação dos veículos ao abastecimento.

A estratégia não está concentrada em uma única tecnologia. Segundo Ávila, o sistema já tem mais de 60 veículos elétricos em operação, entre eles articulados e biarticulados. O biometano passou a integrar o programa após um projeto-piloto iniciado em fevereiro de 2025.

O passo seguinte foi o desenvolvimento de um ônibus articulado a biometano adequado às exigências da operação. Entre os objetivos estava assegurar autonomia para substituir diretamente um articulado a diesel, sem necessidade de alterar a programação da frota.

“Sai um diesel, entra um biometano. Isso virou um trunfo operacionalmente falando”, afirmou Ávila. Os oito primeiros veículos começaram a operar em 2026 e são abastecidos desde março no Bioposto Leste, instalado junto a um dos terminais da Rede Metropolitana.

Produção local é decisiva para o custo

A oferta do combustível ainda é um dos desafios do projeto. O biometano utilizado atualmente vem de outros Estados, principalmente do Paraná, o que acrescenta o transporte rodoviário ao custo de abastecimento da frota.

A solução prevista é produzir o combustível em Goiás. Segundo Ávila, foi contratada a construção de uma usina de biometano no Estado, com prazo de 24 meses para iniciar a produção e entregar o combustível ao ponto de abastecimento, localizado a cerca de 30 quilômetros. Enquanto a unidade não entra em operação, o suprimento continuará vindo pela estrada de fora do Estado.

Também está em planejamento, de acordo com o executivo, um gasoduto para transportar o combustível da futura usina. Até que essa infraestrutura seja implantada, a movimentação será feita por caminhões.

A redução da distância entre produção e consumo é uma das condições consideradas pelo consórcio para melhorar a equação econômica do biometano. Ávila estima que, produzido localmente e sem o atual custo logístico, o combustível poderá alcançar custo equivalente ou inferior ao diesel. “Ele poderá ou será tão competitivo ou até mais competitivo do que o diesel”, disse.

Na comparação com a eletrificação, porém, Ávila afirmou que o biometano não alcança o mesmo custo energético. A diferença, segundo ele, aparece no investimento inicial: os veículos elétricos exigem um Capex mais elevado. Nesse cenário, o executivo situa o biometano como uma alternativa intermediária entre diesel e eletrificação.

Projeto prevê ampliação da frota

A operação deverá ganhar novos veículos em etapas. Na apresentação, Ávila citou lotes adicionais de ônibus articulados a biometano e disse que o uso da tecnologia em veículos convencionais também está sendo discutido com o poder público.

A perspectiva apresentada pelo consórcio é chegar a até 500 ônibus a biometano entre 2027 e 2028, caso a tecnologia seja estendida à operação regular. O número representa um horizonte do projeto e depende do detalhamento das próximas etapas.

Apesar dos primeiros indicadores de consumo e eficiência, Ávila ressaltou que a operação ainda é recente e envolve uma curva de aprendizado, principalmente na gestão do abastecimento e na manutenção dos veículos. “Ainda temos muito a percorrer, a nossa curva e a nossa estrada não termina aqui”, afirmou.

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