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Laércio Ávila, diretor-executivo do Consórcio BRT de Goiânia: "A autonomia é um grande diferencial desses veículos a biometano" :

A Technibus acompanha diretamente de Goiânia a entrega dos primeiros ônibus articulados movidos a biometano ao sistema BRT

Publicado em 27/03/2026 por Márcia Pinna

Laércio Dávila, diretor-executivo do Consórcio BRT (Foto: Márcia Pinna)
Laércio Dávila, diretor-executivo do Consórcio BRT (Foto: Márcia Pinna)

Laércio Ávila, diretor-executivo do Consórcio BRT, que reúne as operações do sistema de corredores do sistema integrado da Região Metropolitana de Goiânia, dá mais detalhes de como será a operação com os novos modelos a biometano.

Os veículos com carroceria Viale Express Articulado e chassi Scania K 340C A6X2/2 NB Euro 6 irão circular no BRT Leste-Oeste, que conta com cerca 108 km de extensão, 47 estações, 213 pontos de parada e 15 terminais, atendendo mais de 2,5 milhões de passageiros por mês.

Ávila destaca que a autonomia é um grande diferencial dos veículos que irão circular pela região metropolitana de Goiânia. "O projeto foi executado a várias mãos, Scania, Marcopolo e Consórcio BRT para entregar algumas características que vieram sob medida. Por exemplo, a autonomia. É um veículo que tem 400 km de autonomia", comenta.

A entrevista foi realizada em parceria com Adamo Bazani, editor-chefe do Diário do Transporte.

Márcia Pinna - Como será o cronograma de entregas? Agora, nesse primeiro lote serão oito, mas o governo de Goiás anunciou que serão 501 ônibus a biometano.

Laércio Ávila - Tudo começa com o primeiro passo. Esse é o primeiro passo que nós estamos executando aqui no âmbito da nova RMTC. Oito veículos, como eu disse. Nosso horizonte de curto prazo é de 79 veículos articulados a biometano até setembro deste ano, que vão operar no sistema metropolitano BRT. E depois, mais 20 padron, que vão operar nas linhas regulares, nas linhas alimentadoras. E o restante, até o final de 2027, com trâmites que vão sendo entregues à medida que os operadores vão adquirindo os veículos, a gente vai preparando a operação. Ou seja, em 2026 nós entregaremos 101 ônibus a biometano e em 2027, gradativamente, evoluindo a frota até chegar nos 500 veículos.

Márcia Pinna - Além da questão ambiental, quais as vantagens para o operador do biometano?

Laércio Ávila - Nós entendemos que as vantagens extrapolam a própria operação, Márcia, no sentido de que nós estamos, junto com o governo do Estado de Goiás, fomentando, através de uma política pública, a economia do estado, que tem forte potencial, nós fizemos um estudo profundo, junto com o governo, do potencial de produção de biometano do estado de Goiás, que voltado para a agroindústria. Então esse é um benefício. Mas isso não está ligado diretamente à operação, mas nós entendemos, como operadores de um serviço público essencial, de que é papel, sim, do operador de transportes viabilizar políticas públicas. Então essa é uma primeira vantagem. A segunda é o que um veículo com autonomia de 400 km é um veículo que entrega uma segurança muito grande e que possibilita com que a operação seja movimentada com a saída do diesel de um para um. O elétrico, a gente ainda tem o desafio da autonomia, que está avançando, mas os nossos veículos elétricos, que já operam no sistema BRT, têm uma autonomia de 220, 250 km. Então, operacionalmente, o veículo a biometano, ele entrega uma vantagem muito importante, que é de garantir uma autonomia em uma escala, como a gente opera no BRT, que integra 21 municípios. Então uma autonomia alta, como entrega o veículo a biometano para a operação faz muito sentido. Fora a parte ambiental, transformar resíduo, que é um problema, em um combustível que entrega desempenho em um veículo de alta capacidade, que é outra vantagem, porque é um veículo articulado para os corredores, para o BRT. Então nós entendemos que essas vantagens fazem sentido, vão complementar a matriz energética da RMTC, e por isso o biometano hoje se tornou uma realidade e nós estamos muito otimistas com o valor que essa modalidade energética vai entregar para a operação.

Adamo Bazani - O diesel não foi abandonado, pois Euro 6 traz grandes vantagens, além de ser consolidado. O elétrico tem essa restrição de autonomia e também de infraestrutura, mas é uma opção que traz até passageiro para o sistema e agora chega o biometano. Na prática, como está sendo conciliar todas essas tecnologias aparentemente tão diferentes?

Laércio Ávila - Está sendo um desafio, mas ao mesmo tempo chegamos à conclusão de que são tecnologias complementares, justamente porque temos uma diversificação que nos garante entregar uma série de benefícios e ao mesmo tempo uma transição que se torna viável de modo a se complementar. Como você bem disse, o diesel não perde o seu papel, ele tem um papel estruturante e ele atende uma necessidade do governo de Goiás, do nosso cliente governo, além do nosso cliente passageiro, de entregar uma frota verde. E a nossa frota é literalmente verde, a gente fala que é o BRT mais verde do Brasil. Por quê? Porque o diesel permanece entregando segurança energética, entregando segurança operacional, capilaridade, robustez, mas uma frota Euro 6, então não é uma frota poluente, é uma frota com baixo índice de poluição. O elétrico tem o seu valor na matriz energética, porque embora o investimento inicial seja maior na infraestrutura e na própria frota, ele tem um custo energético muito competitivo durante o processo, durante a vida operacional dele, o custo da energia. Não diria que é bem menor, mas ele é um custo que é assimilável e que não tem as oscilações que o diesel tem, como nós estamos vivenciando neste momento. Ele é mais estável. E o biometano, como eu disse, ele vem para complementar essa visão de que é possível transformar a matriz energética ou o uso da energia em uma energia limpa, que garante um apelo também socioeconômico e que contribui com a eficiência energética. E novamente, o grande trunfo do nosso projeto do biometano, eu diria que é uma frota, um veículo que consegue entregar 400 km de autonomia.

Adamo Bazani - Em relação ao custo operacional por quilômetro e ao custo de aquisição do veículo. Vamos fazer uma comparação entre diesel, elétrico e o biometano.

Laércio Ávila - Pelas nossas avaliações, eu diria que antes de responder definitivamente ou tentar encontrar uma resposta fechada para a sua pergunta, a nova RMTC tem sido uma indutora de inovação. E inovação pressupõe teste, pressupõe compreender, pressupõe investimento. Isso não quer dizer que o desempenho econômico, muito pelo contrário, precisa ser deixado de lado. Mas nós fizemos um piloto do biometano em fevereiro de 2025. E a nossa avaliação foi que, quando a gente consegue romper a barreira do custo de transporte do biometano, que num primeiro momento vem de fora do estado de Goiás, porque Goiás até então não produzia biometano para o uso do transporte. Nós entregaremos em breve a primeira usina de biometano do estado de Goiás. Com a proximidade, a nossa usina, que foi contratada pelo Consórcio BRT, ficará em Guapó, então 30km só da fonte de abastecimento, que é no terminal Novo Mundo. A distância para que o transporte do gás seja viável acaba sendo um fator crítico de sucesso. Então, ao quebrar essa variável, que antes era um impeditivo, que elevava o custo do biometano, ele fica praticamente equivalente tanto no custo do diesel quanto no custo do elétrico, ou seja, trazendo uma equidade, esse é um estudo que a gente publicou, posso disponibilizar para você, inclusive, com maiores detalhes, garantindo um equilíbrio, novamente, entre as opções de matriz energética. Tanto quando a gente olha no médio e no longo prazo, principalmente no longo prazo, o custo do elétrico, o custo da infraestrutura elétrica, mas depois, o custo menor da energia. E garantindo uma logística eficiente no uso do gás, diesel, elétrico e gás garantem um equilíbrio de custo que praticamente traz uma equidade do uso das três tecnologias.

Não existe uma diferença muito grande no preço dos veículos. É porque a gente tem aqui articulado, biarticulado, padron, mas quando a gente compara as tecnologias similares, a diferença acaba não sendo tão relevante. Só o elétrico mesmo é um pouco mais caro, mas quando a gente joga no todo, a vida útil e o custo de manutenção, que é outra questão que está embutida na sua pergunta, o elétrico tem um custo de manutenção quase que imbatível. Mas o diesel e o biometano se equivalem também. Agora que a gente vai testar tudo isso na prática. Mas estamos seguros de que não vai ter um desequilíbrio tecnológico e de custo em função da escolha da energia ou da matriz energética que a gente está implantando aqui. Estamos bem otimistas, na verdade.


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