CEO da B3 defende aprofundamento do mercado de capitais para investimentos em infraestrutura

Gilson Finkelsztain destaca maturidade institucional, crescimento das debêntures e papel complementar do BNDES no financiamento de longo prazo durante seminário na sede do banco

Alexandre Asquini

Durante seminário realizado em 9 de fevereiro de 2026, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o CEO da B3, Gilson Finkelsztain, defendeu o fortalecimento e o aprofundamento do mercado de capitais como condição indispensável para viabilizar o volume de investimentos em infraestrutura de que o Brasil necessita nos próximos anos.

Em sua avaliação, o país vive um momento institucionalmente mais maduro, marcado por maior diversificação das fontes de financiamento e por uma relação mais estruturada entre o banco de fomento e o mercado.

Finkelsztain traçou um contraste entre o cenário atual e o período em que o financiamento de longo prazo era praticamente monopolizado pelo BNDES. Segundo ele, há pouco mais de duas décadas, o mercado de capitais voltado à infraestrutura era inexistente, e as empresas dependiam quase exclusivamente do crédito bancário. “Hoje estamos em outro patamar”, afirmou, ressaltando que, apesar dos avanços, ainda é necessário ampliar a profundidade de prazos e volumes para atender à demanda crescente por investimentos estruturantes.

O executivo elogiou a mudança de postura do BNDES nos últimos anos, destacando a transição de uma agenda centrada no financiamento subsidiado para um modelo focado em estruturação, modelagem e indução do mercado. Para Finkelsztain, essa atuação é essencial para criar condições de previsibilidade e atratividade ao capital privado, ao mesmo tempo em que preserva o papel estratégico do banco no apoio a projetos de longo prazo.

Participação da B3

Na condição de operadora da infraestrutura do mercado financeiro, a B3 tem participado ativamente desse processo. De acordo com dados apresentados pelo CEO, apenas no biênio 2024–2025 foram realizados 139 leilões na bolsa, somando mais de R$ 420 bilhões em investimentos e com potencial de geração de cerca de 2,5 milhões de empregos. A atuação abrange desde concessões tradicionais, como rodovias, portos e saneamento, até projetos de infraestrutura social, incluindo iluminação pública, escolas e hospitais, frequentemente estruturados por meio de parcerias público-privadas.

Para 2026, a expectativa é de aceleração ainda maior dessa agenda. Até abril, já estavam publicados 39 leilões, que juntos representam mais de R$ 70 bilhões em investimentos previstos. Rodovias, saneamento, portos, mobilidade urbana e equipamentos sociais concentram a maior parte dos projetos, num volume que, segundo Finkelsztain, tem imposto desafios logísticos à própria B3, dada a elevada frequência de certames.

Mercado de capitais e a infraestrutura

No campo do financiamento, o CEO destacou o protagonismo crescente do mercado de capitais como principal fonte de captação para a infraestrutura. Em 2025, as emissões de renda fixa somaram entre R$ 650 bilhões e R$ 700 bilhões, com destaque para as debêntures de infraestrutura, que atingiram R$ 172 bilhões, acima do registrado no ano anterior.

Para ele, a continuidade desse movimento está diretamente associada à trajetória da taxa de juros e à consolidação do compromisso fiscal, fatores que tendem a reduzir a percepção de risco e a estimular o investimento privado.

Embora reconheça que o mercado de ações ainda esteja aquém do potencial, Finkelsztain lembrou que, nos últimos nove anos, o setor de infraestrutura captou cerca de R$ 120 bilhões por meio de IPOs e follow-ons.

Também ressaltou a expansão dos fundos de infraestrutura listados, que passaram de 21 fundos com patrimônio líquido de R$ 12 bilhões, em 2024, para 34 fundos com R$ 32 bilhões no ano seguinte.

Otimismo com ambiente global

Encerrando sua participação, o CEO da B3 demonstrou otimismo com o ambiente global e com a possibilidade de atração de fluxos internacionais para mercados emergentes. Segundo ele, mesmo uma realocação marginal de grandes volumes globais pode ter impacto transformador para o Brasil.

Para isso, defendeu a manutenção de uma “fórmula básica” composta por planejamento de longo prazo, segurança jurídica e regulatória, estabilidade tributária e amplo acesso ao mercado de capitais. “Temos hoje todos os ingredientes para que a infraestrutura continue sendo o principal motor do mercado de capitais brasileiro”, concluiu.

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