A experiência da MobiBrasil com a descarbonização: lições, fracassos e avanços

Neste episódio do Podcast do Transporte a empresária Niege Chaves, da MobiBrasil, revela as experiências da empresa com diferentes matrizes energéticas, do etanol ao gás, até chegar à eletrificação em São Paulo

Márcia Pinna, com Podcast do Transporte,

Com sua sinceridade característica, a empresária Niege Chaves, vice-presidente do Grupo MobiBrasil, revisita erros, acertos e desafios. A principal conclusão é de que a transição energética só funciona quando é construída a várias mãos: poder público, operadores e sociedade. Apesar dos tropeços, ela se declara sempre otimista.

Niege relembra a experiência da MobiBrasil com ônibus a etanol em São Paulo a partir de 2011 e explica por que o projeto desmoronou: variação de preço do combustível, peças importadas, baixa disponibilidade operacional e a mudança repentina na linha política da prefeitura. Mesmo com bons resultados ambientais, o etanol não se sustentou. Para ela, o fracasso aconteceu porque a tecnologia foi implantada antes da infraestrutura, da maturidade técnica e políticas de estado.  

A empresária reforça que governo, órgão gestor, operadores e sociedade precisam atuar juntos para garantir continuidade, escala e responsabilidade compartilhada. O etanol não deu certo naquele momento porque faltou tudo isso — e essa é, segundo ela, a principal lição para qualquer matriz energética que venha a substituir o diesel. A MobiBrasil está testando ônibus a gás no Recife, com balanço positivo até agora. 

Eletrificação em São Paulo. Projeto “atordoado”, mas sem volta 

Niege detalha os desafios da eletrificação paulistana: a proibição abrupta de renovar frota a diesel em 2023 que causou o envelhecimento de mais de três mil ônibus, atrasos na homologação de articulados e superarticulado e a já conhecida falta de energia nas garagens.  Mesmo assim, ela reconhece ideias inteligentes no modelo de São Paulo e recomenda uma transição gradual, começando pelos veículos menores e com forte investimento em treinamento e infraestrutura. Neste momento a empresa estuda investimentos em BESS versus alta tensão.

Volvo aposta em elétricos e biodiesel

A editora da Technibus, Márcia Pinna, entrevista Ricardo Seixas, novo diretor comercial de ônibus da Volvo Brasil. Ele afirma que a marca está preparada para a jornada de sustentabilidade na América Latina e que aposta em duas frentes: ônibus elétricos e a biodiesel. A Volvo entregou recentemente 21 chassis elétricos em Goiânia e anunciou que oferecerá, ainda este ano, a opção de uso do biocombustível B100 no chassi urbano B320R, com potencial de reduzir em até 90% as emissões de CO₂. Para Seixas, o Brasil precisa de múltiplas soluções.

Frota da Ouro e Prata toda conectada, até em áreas sem telefonia

A Viação Ouro e Prata agora oferece internet via satélite em 100% de sua frota, com tecnologia Opconecta. A conexão funciona mesmo em regiões sem cobertura de telefonia móvel, permitindo que passageiros acessem redes sociais, e-mails, streaming e ferramentas de trabalho durante toda a viagem. A velocidade pode chegar a 220 MB/s, garantindo múltiplos acessos simultâneos. O projeto levou três anos de desenvolvimento e coloca a empresa na vanguarda do atendimento ao passageiro conectado.

Editorial: a geração que sabe o que não quer

No editorial desta semana, Alexandre Pelegi traz uma reflexão provocadora inspirada em Clarice Lispector: “Não sei o que quero ser, mas sei o que não quero ser.” A frase, segundo o especialista Ilo Lobel da Luz, traduz o comportamento profissional da geração Z, que rejeita modelos antigos de trabalho, ambientes tóxicos e promessas vazias de carreira. Pelegi destaca que o setor de transporte — historicamente baseado em estabilidade e rotina — precisa entender que propósito, ambiente saudável e liderança são hoje fatores decisivos de retenção. Talvez o apagão não seja de mão de obra, mas de escuta.

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