Motiva encerra 2025 com investimento recorde de R$ 8,7 bilhões

Em Trilhos, em bases comparáveis, com a exclusão do negócio de Barcas, houve aumento de 2,1% na movimentação de passageiros, com 754,8 milhões de clientes transportados

Redação

A Motiva encerrou 2025 com um lucro líquido anual de R$ 3,27 bilhões, alta de 162,6% em relação a 2024, refletindo o desempenho operacional consistente em Rodovias, Trilhos e Aeroportos, os ganhos de eficiência operacional e a simplificação e otimização do portfólio, com o fim da operação de Barcas, no Rio de Janeiro, e da concessionária ViaOeste, em São Paulo, e a repactuação da concessão da BR-163, no Mato Grosso do Sul. No quarto trimestre de 2025, o indicador totalizou R$ 605,7 milhões, aumento de 178,1% frente ao mesmo período do ano passado. Na visão ajustada, o lucro líquido somou R$ 2,2 bilhões (+25%) no ano e R$ 606 milhões (+68,3%) no trimestre.

Em 2025, a Receita Líquida Ajustada totalizou R$ 15,3 bilhões, crescimento de 5,2% em relação a igual intervalo de 2024, beneficiada pela movimentação nas três plataformas de negócio, reajustes tarifários em Rodovias e pela expansão de 21,8% nas Receitas Complementares, refletindo a ampliação da área bruta locável em Trilhos com a inauguração de novos espaços comerciais nas operações de São Paulo e Bahia. Considerando o trimestre, a Receita Líquida subiu 6,8%, para R$ 4,04 bilhões.

Por sua vez, o Ebitda Ajustado alcançou R$ 9,5 bilhões no acumulado de 2025, uma alta de 15% em relação aos R$ 8,3 bilhões do ano anterior. Com isso, a margem Ebitda subiu 5,3 pontos percentuais, de 57% para 62,3%, impulsionada pela otimização do portfólio, pelo desempenho dos novos ativos, como PRVias e Rota Sorocabana, e pela maior eficiência operacional da companhia. No quarto trimestre, o Ebitda Ajustado teve crescimento expressivo de 25,2%, para R$ 2,5 bilhões, com expansão de 9,2 pontos percentuais na margem, para 62,4%, beneficiada pelos fatores já mencionados.

“Os resultados de 2025 demonstram a consolidação do processo de transformação da Motiva, em curso desde 2023. Com a ênfase da nossa estratégia na criação de valor sustentável através de um crescimento mais focado e sinérgico, da aceleração da agenda de eficiência e da simplificação do nosso portfólio, entregamos um aumento de dois dígitos no nosso Ebitda, acima do compromisso de um high single digit assumido em nosso plano estratégico Ambição 2035”, afirma o CEO da Motiva, Miguel Setas.

Graças à gestão eficiente dos custos operacionais, a Motiva encerrou 2025 com a relação Opex (Caixa) / Receita Líquida Ajustada em 37,5%, considerando os doze meses de 2025. Com o resultado, a companhia antecipa em um ano o cumprimento da meta de 38%, prevista para 2026.

Em relação ao endividamento, em que pese o investimento recorde, a Motiva fechou o ano com alavancagem ajustada de 3,6 vezes, em linha com o patamar verificado ao fim de setembro de 2025, refletindo a contribuição de caixa das novas concessões e a otimização do portfólio. Além disso, a companhia ampliou em três pontos percentuais, de 51% para 54%, o volume de dívidas vencendo a partir de 2032 na comparação entre o quarto trimestre de 2025 e igual período de 2024. Como reflexo disso, o prazo médio do endividamento (duration) alcançou 5,9 anos.

Crescimento operacional em 2025

As plataformas de negócios da Motiva tiveram sólido desempenho operacional quando analisadas em bases comparáveis. Excluindo as novas concessões PRVias e Sorocabana (SP) e a encerrada ViaOeste (SP), a plataforma de Rodovias teve uma alta de 2,4% na demanda no ano, para 981,9 milhões de veículos, impactada positivamente pelas concessões no estado de São Paulo, pela RioSP e pelas operações da ViaCosteira e a ViaSul, no Sul do país. Na comparação trimestral, o aumento foi de 3,7%.

Em Aeroportos, o crescimento no número de passageiros foi de 7%, para 42,5 milhões de clientes, com destaque para o crescimento no tráfego do Aeroporto de Curaçao, de BH Airport (Confins-MG) e dos terminais dos Blocos Central e Sul, ambos no Brasil. Nas operações aeroportuárias brasileiras, a ampliação reflete o aumento na taxa de ocupação dos voos e a maior oferta de assentos pelas companhias aéreas.

Em Trilhos, em bases comparáveis, com a exclusão do negócio de Barcas, houve aumento de 2,1% na movimentação de passageiros, com 754,8 milhões de clientes transportados. O resultado foi positivamente impactado pelo maior nível de ocupação nos escritórios nas regiões atendidas pela ViaQuatro (Linha 4 – Amarela) e ViaMobilidade – Linhas 8 e 9, em São Paulo, e pela contínua expansão da demanda de clientes após a inauguração do Terminal Intermodal Gentileza (TIG), no Rio de Janeiro, beneficiando o VLT Carioca. Na comparação trimestral, houve variação positiva de 1,3% na movimentação.

Investimento recorde em 2025

Com a expansão recente do seu portfólio, a Motiva registrou em 2025 o maior investimento da sua história. Ao todo, a Companhia aportou R$ 8,7 bilhões em suas operações de rodovias, trilhos e aeroportos, alta de 17,5% na comparação com os R$ 7,4 bilhões apurados em 2024.

Deste valor, R$ 6,5 bilhões foram aplicados em obras no segmento de rodovias, com destaque para a ampliação da capacidade de tráfego da Via Dutra na Região Metropolitana de São Paulo e na região de São José dos Campos, além dos avanços na obra da Serra das Araras, cuja execução ocorre em ritmo superior ao do cronograma contratual e tem previsão de entrega em 2027, com dois anos de antecedência. Na ViaSul, foram realizadas intervenções na pista e nas marginais, além de duplicações em trechos das BR-101, BR-290 e BR-386.

Em Trilhos, a companhia investiu R$ 1,3 bilhão, com destaque para as obras realizadas pela ViaMobilidade nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda (SP), como intervenções na rede de energia e subestações, revitalização da via permanente e das estações Domingos de Moraes e Jandira, além de melhorias no pátio em Presidente Altino.

Em Aeroportos, os aportes somaram R$ 780 milhões, com a conclusão do ciclo de obras da Fase 1B de modernização dos terminais operados pela Motiva.

Para 2026, a previsão da companhia é investir R$ 8,3 bilhões – já sem contabilizar a plataforma de Aeroportos –, sendo R$ 7,2 bilhões em Rodovias. A Motiva projeta também investimento de R$ 941 milhões na Linha 4 – Amarela, com o avanço das obras de expansão do sistema, incluindo a construção de duas novas estações de metrô.

Venda de Aeroportos e outros destaques

No quarto trimestre de 2025, a Motiva anunciou a venda da plataforma de Aeroportos para a mexicana ASUR por R$ 11,5 bilhões entre equity e dívida, resultando em um múltiplo de 8,8x do Valor de Mercado (EV) / Ebitda. Por conta da transação, ainda em aprovação pelos órgãos reguladores, os números da Motiva Aeroportos passam a ser consolidados em linha específica da demonstração de resultados, denominada Resultado das Operações Descontinuadas. Para efeitos de comparação com 2024, as informações sobre a plataforma ainda foram apresentadas, também na forma agregada, pela última vez.

Em Rodovias, a Motiva celebrou com o governo de São Paulo, em novembro de 2025, um aditivo na concessão da SPVias, que resultou na ampliação do prazo contratual em 322 dias. A Companhia também foi vitoriosa no leilão do contrato otimizado da Rodovia Fernão Dias, ampliando seu portfólio de ativos com um dos corredores logísticos mais relevantes do país. Outro destaque da plataforma foi o início da operação do pedágio Free Flow na rodovia Presidente Dutra no dia 6 de dezembro, começando a cobrança na região de Guarulhos (SP).

Na agenda de sustentabilidade, a Motiva divulgou ontem (09/02) o seu Relatório de Sustentabilidade. A nova edição do documento foi elaborada em um contexto de transição regulatória, considerando as evoluções recentes do arcabouço normativo brasileiro, em especial a Resolução nº 193/23 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que institui no país as normas de divulgação de informações de sustentabilidade (IFRS S1 e S2), com foco na identificação e comunicação de riscos e oportunidades materiais de sustentabilidade.

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