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Paulo Arabian, diretor de vendas de ônibus da Volvo no Brasil: “O maior desafio imposto ao transporte coletivo no Brasil é a falta ou baixa atratividade do ponto de vista do usuário”

Segundo Arabian, o segmento urbano ainda não se recuperou dos impactos causados pela pandemia, e o desequilíbrio financeiro em todo o setor, iniciado em março de 2020, ainda não foi equacionado

Publicado em 09/09/2025 por Sonia Moraes

Paulo Arabian, diretor de vendas de ônibus da Volvo no Brasil (Divulgação)
Paulo Arabian, diretor de vendas de ônibus da Volvo no Brasil (Divulgação)

TECHNIBUS – Qual a expectativa da Volvo para o mercado de ônibus urbanos?

Paulo Arabian Acompanhamos de perto as demandas e fatos conectados ao segmento de ônibus urbanos em todo o mundo e no Brasil. Passado o período da pandemia, é notória a necessidade de renovações em massa das frotas de veículos de várias cidades em todo o país, ampliando oportunidades no setor nas diferentes frentes e segmentos que atendemos. A sobreposição de oportunidades ligadas à renovação das frotas em si e a aceleração na transição da matriz energética utilizada pelos ônibus urbanos em todo o mundo reforçam nossa posição de oferecer diversas soluções e opções de produtos, bem como suporte e consultoria a todos do setor.

TECHNIBUS – Como a Volvo avalia esse momento de retomada do segmento de ônibus urbanos?

Paulo Arabian Avaliamos a retomada com muita expectativa, porém, com a devida cautela. Como sabemos, o segmento urbano ainda não se recuperou dos impactos causados pela pandemia sob diversos pontos de vista. Os mais latentes envolvem o desequilíbrio financeiro em todo o setor, iniciado em março de 2020, e ainda não equacionado até aqui. Além disso, a constante queda no número de passageiros e usuários de transporte urbano faz com que recaia maior peso e necessidade dos subsídios para manutenção e existência dos sistemas nas cidades, para assegurar o direito constitucional de ir e vir dos cidadãos.

TECHNIBUS – Qual a tendência em relação ao modelo de ônibus urbano para o mercado brasileiro, com a redução no número de passageiros depois da pandemia?

Paulo Arabian Certamente, o maior desafio imposto ao sistema de transporte coletivo no Brasil é a falta ou baixa atratividade do ponto de vista do usuário. Soluções voltadas para adoção de ônibus elétricos, padronização de veículos com suspensão a ar, Wi-Fi a bordo, carregadores USB e discussões sobre redução no índice de passageiro por quilômetro (IPK) em algumas cidades fortalecem e contribuem para uma maior atratividade do sistema. Isso torna o sistema mais competitivo e viável financeiramente, assim como eficiente e menos poluente se comparado com a utilização de automóveis e motocicletas para o mesmo fim. Acreditamos e apoiamos várias das iniciativas que promovem maior atratividade ao sistema todo.

TECHNIBUS – Os operadores tendem a comprar ônibus menores ou ainda há demandas em algumas cidades por modelos articulados?

Paulo Arabian É muito difícil mudar ou alterar um sistema de transporte urbano já estabelecido e funcional há vários anos nas grandes cidades. O desafio de todos a ele conectados é conviver com a existência dos automóveis, motocicletas e demais meios de transporte e, ainda, proporcionar e fornecer ao passageiro e usuário uma experiência melhor em vários aspectos (eficiência, pontualidade, conforto, segurança e preço acessível). Dessa forma, a coexistência e necessidade de diferentes tipologias de ônibus (micro, midi “micrão”, básico, padron, articulados e biarticulados) seguem complementando umas às outras para assegurar a entrega da solução mais eficiente em mobilidade urbana em várias cidades.

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