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Fabricantes do Reino Unido tentam resistir à invasão dos ônibus estrangeiros

Em mais um capítulo da discussão sobre os incentivos à manufatura local, a Alexander Dennis pede aos governos da Escócia e do Reino Unido que estabeleçam um cronograma de longo prazo de pedidos de ônibus elétricos para fabricantes nacionais

Publicado em 20/10/2026 por Márcia Pinna

Linha de produção de ônibus elétricos (Divulgação Alexander Dennis)
Linha de produção de ônibus elétricos (Divulgação Alexander Dennis)

A fabricante britânica Alexander Dennis pede aos governos da Escócia e do Reino Unido que estabeleçam um cronograma de longo prazo de pedidos de ônibus para fabricantes nacionais, argumentando que mudanças no financiamento do governo escocês afetaram seus planos de retomar a produção de ônibus em suas instalações escocesas. O pedido é uma resposta ao anúncio ministerial informando que a empresa não cumpriu as condições para receber até 4,1 milhões de libras esterlinas em apoio à licença temporária.

Em junho de 2025, a Alexander Dennis havia anunciado planos para encerrar a fabricação de ônibus em seus dois locais na Escócia, citando queda na demanda e concorrência internacional. Posteriormente, concordou com um programa de licença de 26 semanas após o anúncio do governo escocês de mais 40 milhões de libras esterlinas para a segunda fase do Fundo Escocês de Desafio de Ônibus de Emissão Zero (ScotZEB2).

As condições do governo incluíam a manutenção de empregos na manufatura e a obtenção de pedidos para a construção de ônibus na Escócia. Alexander Dennis argumenta que o cancelamento de financiamento adicional do Fundo Escocês de Desafio de Ônibus de Emissão Zero (ScotZEB2) e o processo subsequente do ScotZEB3 mudaram o pipeline de pedidos esperado, levando a empresa a adaptar sua instalação em Larbert para a produção de chassis. Quando os resultados do ScotZEB3 foram anunciados, mais da metade dos ônibus financiados foram concedidos a fabricantes estrangeiros. 

A polêmica entre a fabricante e o governo faz parte de uma discussão mais ampla sobre os financiamentos governamentais para a fabricação de ônibus. Em janeiro, o Parlamento do Reino Unido debateu o estado e o futuro da fabricação de ônibus britânica, destacando um paradoxo crescente, visto que a demanda por ônibus com emissão zero aumenta e a produção nacional diminui, de acordo com o relato do site Bus-News.

Na ocasião, divulgou-se que apenas 17% dos ônibus no Reino Unido são fabricados internamente, sendo que 83% são provenientes do exterior, sobretudo da China. Dessa forma, subsídios, incentivos e programas governamentais de promoção de ônibus elétricos têm sido frequentemente destinados a empresas estrangeiras, e o financiamento público acaba subsidiando a produção no exterior - o que tem gerado uma onda de críticas ao poder público.

Além da Alexander Dennis, outras fabricantes britânicas também têm questionado os financiamentos e subsídios à produção estrangeira. A Wrightbus, uma das principais fabricantes de ônibus do Reino Unido, também reconheceu a ameaça dos fabricantes estrangeiros e pediu ao governo que faça mais para apoiar empregos domésticos e cadeias de suprimentos.


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