ENTREVISTA: Bruno Paiva, diretor de Vendas de Caminhões e Chassis de Ônibus da BYD
"Saímos da Lat.Bus 2026 ainda mais confiantes no potencial de expansão da mobilidade elétrica", comentou o executivo em entrevista à Technibus
Publicado em 04/09/2026 por Márcia Pinna

Technibus - Como a BYD avalia a participação da empresa na Lat.Bus 2026? Como foi a receptividade dos clientes em relação ao novo chassi BC12HF?
Bruno Paiva - A Lat.Bus 2026 foi muito positiva para a BYD e confirmou um movimento que já vínhamos observando no mercado: a eletrificação do transporte coletivo brasileiro está avançando para uma nova etapa, com operadores cada vez mais interessados em soluções capazes de atender diferentes perfis de operação. Tivemos uma excelente receptividade ao nosso portfólio e, especialmente, ao lançamento do BC12HF, nosso primeiro chassi elétrico de piso alto equipado com bateria Blade. O modelo despertou forte interesse entre o público que visitou nosso estande, justamente por ampliar as possibilidades de aplicação da tecnologia elétrica. Além do transporte urbano, a novidade atende operações de fretamento corporativo e projetos e licitações que demandam essa configuração específica. O BC12HF chega com autonomia de até 270 km, garantia de 10 anos para a bateria e uma arquitetura tecnológica desenvolvida para oferecer eficiência energética, disponibilidade e maior previsibilidade dos custos ao longo da operação. A Lat.Bus foi uma oportunidade importante para estreitarmos o relacionamento com operadores, encarroçadores, gestores públicos e demais profissionais do setor. Em relação ao volume comercializado durante a feira, ainda estamos consolidando os desdobramentos comerciais e as negociações iniciadas no evento. Em um mercado como o de veículos comerciais, muitas dessas decisões envolvem projetos de médio e longo prazo, dimensionamento de frota, infraestrutura e análise operacional. O mais importante é que saímos da Lat.Bus 2026 com um pipeline positivo e ainda mais confiantes no potencial de expansão da mobilidade elétrica no Brasil.
Technibus - Que modelos tiveram maior demanda durante a feira?
Bruno Paiva - O BC12HF naturalmente concentrou grande parte da atenção por ser a principal novidade apresentada pela BYD na Lat.Bus 2026. Estamos falando de um produto que abre uma nova frente de atuação para a companhia, ao levar nossa plataforma elétrica também para aplicações de piso alto e ampliar as possibilidades no mercado de fretamento e em projetos públicos com diferentes especificações operacionais. Ao mesmo tempo, observamos interesse em toda a família de chassis apresentada na feira. Levamos ao evento os modelos BC10LE, BC12LE e o BC22LE, além do novo BC12HF, formando um portfólio completo capaz de atender desde operações urbanas com veículos menores até aplicações de maior capacidade. Esse é justamente um dos grandes diferenciais da BYD neste momento: não estamos trabalhando com uma única solução de eletrificação. Temos uma plataforma cada vez mais ampla, construída para oferecer alternativas de acordo com a realidade de cada cidade, operador, itinerário e demanda de passageiros.
Technibus - Qual sua avaliação sobre o momento atual do mercado?
Bruno Paiva - "Vivemos um dos momentos mais importantes da história da eletromobilidade no transporte coletivo brasileiro. A discussão já não está mais centrada em saber se um ônibus elétrico funciona ou não. A tecnologia está comprovada nas ruas. O que vemos agora é a entrada em uma nova fase, de ganho de escala, diversificação das aplicações e amadurecimento dos projetos. Os números mostram isso de maneira clara. Segundo dados da ABVE, foram emplacados 589 ônibus elétricos no Brasil no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 92,5% em relação às 306 unidades registradas no mesmo período de 2025. Esse volume, em apenas seis meses, já correspondeu a cerca de 70% de tudo o que havia sido emplacado durante todo o ano anterior. Para a BYD, esse avanço também vem acompanhado de resultados muito consistentes. Em julho, por exemplo, a companhia respondeu por 66 dos 89 ônibus elétricos emplacados no país, o equivalente a 74,16% do mercado naquele mês. Pouco antes, participamos da maior entrega de ônibus elétricos já realizada no Brasil, com 265 veículos BYD destinados à cidade de São Paulo. Esse cenário comprova que estamos preparados para acompanhar o crescimento do mercado. Temos tecnologia própria, produção nacional, experiência acumulada em operação e um portfólio que vem sendo ampliado justamente para responder às diferentes necessidades do setor. Nossa visão é de longo prazo: queremos seguir contribuindo para que a mobilidade elétrica ganhe escala de forma sustentável, eficiente e economicamente viável no Brasil.
Technibus - A BYD tem novas entregas programadas até o final deste ano?
Bruno Paiva - Temos uma carteira de projetos em andamento e seguimos trabalhando em novas entregas ao longo de 2026, acompanhando o crescimento da demanda por ônibus elétricos no Brasil. Estamos animados e preparados para esse novo ciclo de expansão. Em agosto, alcançamos a marca histórica de 1.000 chassis de ônibus elétricos produzidos no Brasil, em nossa fábrica de Campinas (SP), um resultado que representa a aceleração recente desse mercado. Esse movimento é importante porque nos dá ainda mais condições de responder à demanda crescente de operadores e cidades por soluções de transporte de emissão zero. Depois de uma entrega histórica como a realizada em São Paulo, que incorporou 500 novos ônibus elétricos ao sistema municipal e elevou a frota eletrificada da cidade para 1.759 veículos, vemos claramente que os projetos estão ganhando escala. Nossa expectativa para os próximos meses é bastante positiva. Seguiremos ampliando a produção, avançando nas negociações em curso e trabalhando para levar a tecnologia elétrica da BYD a um número cada vez maior de operações, cidades e passageiros brasileiros.
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