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Volvo lança ônibus B100 para BRT e prevê mercado de ônibus menor em 2026

Novo B320R 6x2 B100 Flex pode transportar até 120 passageiros e rodar com diesel ou B100 em qualquer proporção. Para a Volvo, tecnologia acelera a descarbonização sem exigir novos investimentos em infraestrutura

Publicado em 11/08/2026 por Aline Feltrin

A Volvo amplia sua estratégia de descarbonização do transporte urbano com o lançamento do B320R 6x2 B100 Flex, chassi de três eixos desenvolvido para receber carrocerias de até 15 metros e transportar até 120 passageiros. Apresentado na Lat.Bus 2026, em São Paulo, o modelo combina maior capacidade de transporte com a possibilidade de operar tanto com diesel quanto com B100, o biodiesel puro, em qualquer proporção.

Segundo a Volvo, quando abastecido exclusivamente com B100, o veículo pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂. A proposta é oferecer aos operadores uma alternativa aos ônibus a gás e, ao mesmo tempo, complementar a oferta de veículos elétricos da marca.

“O nosso caminho, o nosso foco é a descarbonização dos sistemas de transporte. A eletrificação é o caminho principal, mas existem outras tecnologias complementares”, afirma Ricardo Seixas, diretor comercial do segmento de ônibus da Volvo.

A estratégia atende, segundo o executivo, a cidades que precisam reduzir emissões, mas ainda não têm condições de realizar os investimentos necessários para a eletrificação da frota.

“Existem outras tecnologias, como o biocombustível, que conseguem dar uma resposta imediata com relação à redução de emissões de carbono, com gasto mínimo de infraestrutura”, diz Seixas.

B100 como alternativa ao gás

A Volvo posiciona o novo chassi principalmente como uma alternativa aos ônibus movidos a gás na transição energética. Uma das vantagens apontadas pela empresa é justamente a infraestrutura necessária para colocar o veículo em operação.

Enquanto um ônibus a gás exige estrutura específica de armazenamento e abastecimento, o B320R B100 Flex pode utilizar a estrutura existente nas garagens. Segundo a Volvo, basta separar e preparar um dos tanques de combustível para iniciar a operação com B100.

“Este modelo é uma alternativa aos ônibus a gás. Com ele, operadores e gestores públicos podem alcançar metas severas de descarbonização de forma imediata, sem a necessidade de investimentos em infraestrutura de distribuição e abastecimento de combustível”, afirma André Marques, presidente da Volvo Buses na América Latina.

A tecnologia também incorpora um sensor capaz de identificar a proporção de biocombustível no tanque e ajustar o sistema de injeção de acordo com a mistura utilizada.

A solução não elimina, porém, a possibilidade de utilização do diesel convencional. Essa flexibilidade é considerada pela Volvo uma vantagem para o operador, especialmente no momento da revenda.

“Esta flexibilidade energética protege o valor do ativo a longo prazo. Como roda também com diesel normal, o veículo tem liquidez assegurada no momento da revenda”, afirma Seixas.

Mais capacidade sem chegar ao articulado

O B320R 6x2 foi desenvolvido para preencher um espaço entre os ônibus convencionais e os modelos articulados. Com 15 metros de comprimento e capacidade para até 120 passageiros, o veículo oferece maior capacidade de transporte sem chegar às dimensões de um articulado.

“A proposta é oferecer capacidade de transporte próxima à de um articulado, mas com custos de aquisição e manutenção mais baixos por passageiro transportado”, explica Seixas.

O terceiro eixo é direcional e utiliza um sistema eletro-hidráulico desenvolvido pela Volvo. A solução reduz o raio de giro e facilita as manobras em terminais, corredores de transporte e vias urbanas de maior densidade.

O chassi será oferecido em configurações de piso alto ou entrada baixa, permitindo diferentes aplicações e layouts de carroceria.

O motor D8K entrega 320 cv de potência e 1.200 Nm de torque. A arquitetura do propulsor compartilha soluções com a linha de caminhões Volvo VM, o que, segundo a fabricante, contribui para disponibilidade de peças e facilidade de manutenção.

Elétricos continuam como principal aposta

Apesar do lançamento do B100, a Volvo reforça que a estratégia de eletrificação continua sendo central para a companhia.

A fabricante ampliou na Lat.Bus sua família de ônibus elétricos com o BZR 6x2, também destinado a carrocerias de 15 metros. A versão pode transportar até 110 passageiros e foi desenvolvida para atender tanto os horários de pico quanto os períodos de menor demanda.

A lógica é evitar que um veículo de maior capacidade opere com baixa ocupação durante boa parte do dia.

“Sem dúvida, a eletrificação é o caminho principal, mas nós também temos outros caminhos que são complementares”, afirma Seixas.

A Volvo informa que já possui mais de 6 mil ônibus elétricos em operação no mundo e mantém no Brasil uma gama que inclui modelos de diferentes dimensões, além de versões articuladas e biarticuladas.

A empresa estabeleceu como meta zerar as emissões de origem fóssil de seus veículos até 2040.

Mercado de ônibus deve terminar 2026 em queda

A estratégia de ampliar a oferta de tecnologias chega em um momento de mercado difícil para os ônibus. Segundo Seixas, a combinação de juros elevados e menor disposição dos empresários para investir deve fazer com que o mercado brasileiro termine 2026 abaixo do nível registrado no ano passado.

O Move Brasil ajudou a evitar uma retração ainda maior, mas seus efeitos sobre os emplacamentos devem aparecer principalmente nos últimos meses do ano.

“O Move Brasil ajudou bastante, mas o efeito que ele trouxe a gente só vai ver mais no final do ano”, afirma o executivo.

Isso ocorre porque existe um intervalo entre a contratação do financiamento, a produção e o encarroçamento do ônibus e, finalmente, seu emplacamento. Por isso, parte das compras financiadas pelo programa ainda não apareceu nas estatísticas de mercado.

Seixas afirma que os recursos do programa já se esgotaram e que a Volvo não trabalha, neste momento, com a perspectiva de uma nova edição do Move Brasil.

“Não temos perspectiva de que haverá um Move Brasil 3”, diz.

O prazo para a conclusão dos processos relacionados aos recursos já contratados vai até o final de setembro. Somente depois disso, segundo o executivo, será possível dimensionar com maior precisão o impacto do programa sobre o mercado de ônibus em 2026.

Na avaliação da Volvo, a taxa de juros real em patamar elevado continua sendo o principal obstáculo para a recuperação do mercado.“Realmente, o mercado está numa situação complicada. A taxa de juros real está muito alta”, afirma Seixas.

O executivo avalia que, sem o Move Brasil e o programa Pró-Transporte, o desempenho do segmento de ônibus urbanos seria ainda pior. Os programas, portanto, não foram suficientes para provocar uma retomada do mercado, mas ajudaram a amortecer os efeitos da restrição de crédito.

“Esses programas ajudaram a reduzir um pouco o impacto dessa crise que temos por conta da alta taxa de juros”, afirma.

Para 2027, a percepção também é de cautela. O cenário de juros e a proximidade do calendário eleitoral tornam mais difícil prever novos programas de financiamento capazes de impulsionar o mercado.

Volvo espera repetir desempenho da última Lat.Bus

Mesmo diante desse cenário, a Volvo espera manter na Lat.Bus 2026 um desempenho comercial semelhante ao registrado na edição anterior da feira.

A companhia levou para o evento novos chassis e versões desenvolvidas em conjunto com encarroçadores e aposta em uma feira mais voltada à realização de negócios.

“Eu acho que a gente vai ter uma manutenção, e o que é um ótimo resultado dentro do cenário que está”, afirma Seixas, ao comparar a expectativa para esta edição com a Lat.Bus anterior.

A avaliação reflete o ambiente mais restritivo do mercado. Para a Volvo, portanto, manter o volume de negócios em relação à última edição do evento já representaria um resultado positivo.

Além do B320R 6x2 B100 Flex e do BZR elétrico 6x2, a fabricante apresenta na feira novas configurações de seus chassis rodoviários e urbanos.

O lançamento do B100 faz parte do ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões da Volvo no Brasil entre 2026 e 2028, com prioridade para pesquisa, desenvolvimento e novos produtos voltados à descarbonização.

Produzido em Curitiba (PR), o B320R B100 Flex amplia o portfólio urbano da marca, que já conta com chassis elétricos e modelos convencionais para diferentes aplicações.

A Volvo também vem ampliando sua estrutura de atendimento. A rede chegou a 109 concessionárias no país, após a inauguração de uma unidade em Água Clara (MS). A companhia prevê cerca de R$ 125 milhões em investimentos na rede durante 2026, incluindo novos pontos, reformas e ampliações.


A combinação de novas tecnologias de propulsão, maior capacidade de transporte e expansão da rede é a aposta da Volvo para atravessar um mercado de ônibus pressionado pelos juros e, ao mesmo tempo, preparar a operação para uma transição energética que, para a empresa, já está em curso.

 

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