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Lat.Bus 2026 mostra a pujança da indústria nacional

Apesar dos avanços da indústria no desenvolvimento de veículos, tecnologia e combustíveis sustentáveis, os juros altos e a invasão de produtos asiáticos preocupam as lideranças do setor

Publicado em 11/08/2026 por Márcia Pinna

Igor Calvet (Anfavea), Ruben Bisi (Fabus), Marcelo Fontana (OTM Editora) e Francisco Christovam (NTU) - Foto: Márcia Pinna
Igor Calvet (Anfavea), Ruben Bisi (Fabus), Marcelo Fontana (OTM Editora) e Francisco Christovam (NTU) - Foto: Márcia Pinna

A Lat.Bus 2026 - maior feira de transporte por ônibus e mobilidade das Américas - recebe a imprensa na manhã desta terça-feira. Na coletiva de imprensa de abertura, Marcelo Fontana, diretor da OTM Editora e organizador da Lat.Bus 2026, apresentou os números impressionantes do evento: mais de 200 marcas presentes em 45 mil m² de área. "Dobramos de tamanho em relação à última Lat.Bus em 2024. Além da feira, temos conteúdo de qualidade com as principais entidades do setor. O evento se tornou um verdadeiro hub do ônibus na América Latina".

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que o evento mostra a "pujança" da indústria brasileira e mostra a resiliência deste mercado, apesar de algumas dificuldades que a indústria de veículos pesados enfrenta. A previsão da entidade é de retração de 6% nos emplacamentos dos ônibus e caminhões em 2026.

Calvet afirmou que a invasão chinesa de produtos traz impactos na indústria automotiva como um todo e no segmento de ônibus. "Os impactos são visíveis e significativos. A projeção na produção de ônibus deve ser de quda de 11% e na exportação de 30%. Além da chegada dos produtos asiáticos no mercado interno, ainda enfrentamos a concorrência em outros países da América Latina, tradicionais mercados dos produtos brasileiros", comenta.

Ruben Bisi, presidente da Fabus, alertou para os efeitos da desindustrialização no país. "A invasão silenciosa dos asiáticos está em todos os segmentos da indústria. A desindustrialização afeta a qualidade dos empregos no país. No caso dos ônibus, ainda perdemos mercados importantes de exportação, como o Chile, por exemplo, principalmente no segmento de urbanos", frisou.

Outra preocupação é relativa a alta taxa de juros que faz os empresários postergarem a renovação da frota. Segundo o Anuário NTU, a idade média da frota tem aumentado, chegando a seis anos e meio no segmento urbano. "Tivemos programas governamentais que ajudaram o mercado, como o Move Brasil 2, cujos recursos se esgotaram rapidamente, o PAC com o Refrota e o Caminho da Escola. Mas os juros altos afetam muito o mercado", observou Bisi.

Financiamento

Francisco Christovam, diretor-presidente da NTU, afirmou que o Seminário NTU, que faz parte da programação da Lat.Bus em todas as suas edições, discute questões ligadas à qualidade do serviço do transporte público. "A Lat.Bus mostra a potência do setor. Enquanto o seminário traz questões ligadas à qualidade do serviço. Nesta edição, o tema central é o financiamento do serviço: precisamos encontrar uma forma de custear o sistema de transporte coletivo. A NTU apresenta a sua proposta chamada de Transporte para Todos", contou.

Christovam disse que o passageiro busca itinerários mais racionais, ônibus de qualidade, menos tempo de viagem e um preço acessível. "Temos que responder essas questões para reconquistar esses passageiros que têm migrado para o transporte individual", ressaltou.

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