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Mercado de carrocerias de ônibus registra primeiro semestre positivo

As compras no setor de rodoviários, os fatores econômicos favoráveis e a realização da Lat.Bus 2026 devem aquecer o mercado no segundo semestre e o ano deve fechar dentro das expectativas, na avaliação de Ruben Bisi, presidente da Fabus

Publicado em 10/07/2026 por Márcia Pinna

Divulgação/Arquivo
Divulgação/Arquivo

No acumulado de janeiro a junho de 2026, foram fabricadas 13.830 carrocerias de ônibus, o que representou um avanço de cerca de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os dados divulgados pela Associação de Fabricantes de Ônibus (Fabus). No mês de junho, foram produzidas 2.634 unidades.

O destaque do semestre foram os segmentos de micro-ônibus e miniônibus devido aos programas governamentais Caminho da Escola e Caminhos da Saúde. "A produção de micro-ônibus cresceu cerca de 35%, enquanto a de miniônibus teve um aumento impressionante de aproximadamente 200%", pontua Ruben Bisi, presidente da entidade.

Os dois segmentos somados corresponderam a 47,5% da produção no semestre, sendo 28,4% referentes aos micro-ônibus e 19,26% aos miniônibus. "Somente a Neobus produziu 2.448 micro-ônibus, que foram para os programas governamentais", observa o presidente da Fabus. A Caio Induscar fabricou 1.142 micros, enquanto a Volare registrou 1.500 miniônibus e a Mascarello, 1.092.

Já o segmento de ônibus urbanos apresentou retração de 19% em relação ao ano anterior, e o de modelos rodoviários, queda de 24,9%. "Entretanto, sabemos que tradicionalmente a safra dos rodoviários ocorre no segundo semestre do ano. Com as passagens de avião muito caras, o transporte rodoviário tende a crescer", acredita Bisi.

Nos urbanos, o presidente da Fabus destaca as vendas de ônibus elétricos e movidos a GNV. "Em São Paulo houve a entrega de 500 ônibus elétricos, a maioria com carrocerias da Caio. E em Goiânia, serão 500 ônibus movidos a biometano. Isso é muito importante, pois mostra o movimento de descarbonização do transporte e seus efeitos positivos na indústria", avalia. Os primeiros oito modelos a gás entregues em Goiânia têm carroceria Marcopolo.

Projeções

Na avaliação de Bisi, o mercado de ônibus deve terminar o ano com resultados semelhantes aos do ano passado, o que é considerado um resultado positivo. Além do aquecimento do rodoviário, o mais recente pregão do programa Caminho da Escola deve trazer alguns impactos favoráveis a partir de outubro ou novembro.

A realização da Lat.Bus 2026, de 11 a 13 de agosto em São Paulo, é mais um fato significativo para o mercado de ônibus. "É o grande momento para o nosso setor e vai impulsionar os negócios, com clientes importantes tanto do Brasil quanto de outros países. Muitos empresários esperam para ver as novidades e depois fazer os seus pedidos. Por isso, todos estamos empenhados em fazer da Lat.Bus um evento de peso, com a presença de várias autoridades e discussões relevantes para a mobilidade e o transporte de passageiros", avalia.

Alguns fatores econômicos também devem favorecer o setor, como a estabilização do preço do diesel devido aos acordos entre EUA e Irã. "O PIB está ativo e os empregos em um nível razoável, o que favorece o fretamento também", comenta.

O fator negativo continua a ser a alta taxa de juros. "Com a inflação sob controle, esperamos uma redução na taxa de juros. Esse tem sido um aspecto importante na hora de as empresas renovarem a sua frota. O Move Brasil 2, por exemplo, se esgotou rapidamente por oferecer uma taxa um pouco mais atrativa, mas não poderá ser reeditado por causa do defeso eleitoral", diz Bisi.


Ruben Bisi, presidente da Fabus (Arquivo/Divulgação)



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