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Mercedes-Benz aposta em múltiplas tecnologias para acelerar transição energética dos ônibus

Fabricante avalia que expansão da eletromobilidade dependerá de financiamento, infraestrutura de recarga e convivência entre diferentes soluções de propulsão

Publicado em 31/07/2026 por Aline Feltrin

Walter Barbosa, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil (Divulgação)
Walter Barbosa, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil (Divulgação)

 

A Mercedes-Benz avalia que a eletrificação do transporte coletivo brasileiro tende a ganhar escala nos próximos anos, mas defende que a descarbonização do setor não será sustentada por uma única tecnologia. Para a fabricante, a transição energética dependerá da convivência entre ônibus elétricos, combustíveis renováveis e novas alternativas de propulsão, conforme as características de cada operação.

A estratégia será apresentada durante a Lat.Bus 2026, maior feira de ônibus da América Latina, que será realizada entre 11 e 13 de agosto, em São Paulo. Segundo a empresa, o avanço da mobilidade de baixa emissão passa não apenas pelo desenvolvimento de novos veículos, mas também pela ampliação da conectividade, da segurança embarcada e dos serviços digitais voltados à gestão das frotas.

"Acreditamos numa combinação de várias tecnologias. Para cada aplicação nossa marca tem uma solução eficiente e rentável", afirma Walter Barbosa, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil.

Na avaliação da companhia, embora o mercado brasileiro de ônibus elétricos apresente potencial de crescimento, sua expansão continuará condicionada à evolução das linhas de financiamento, da infraestrutura de recarga e da capacidade de investimento dos operadores.

Ao mesmo tempo em que amplia sua atuação em veículos elétricos, a fabricante mantém investimentos em outras rotas para redução das emissões, incluindo biodiesel, HVO (diesel verde), BeVant e estudos envolvendo hidrogênio para aplicações futuras. A estratégia reflete a percepção de que diferentes mercados e operações demandarão soluções distintas durante a transição energética.

Outro eixo da estratégia é a digitalização da operação. A plataforma FleetBus, sistema próprio de telemetria e gestão de frotas da empresa, já monitora mais de 1.600 ônibus em circulação. A ferramenta permite acompanhar o desempenho dos veículos em tempo real, realizar diagnósticos remotos e antecipar necessidades de manutenção, reduzindo paradas não programadas.

A fabricante também ampliará a oferta do sistema aos modelos rodoviários da família O 500 destinados ao mercado brasileiro. Os veículos sairão de fábrica preparados para ativação da plataforma e contarão com um período inicial de utilização do serviço, numa tentativa de ampliar a adoção de ferramentas digitais pelas empresas de transporte.

Além da conectividade, a Mercedes-Benz aposta na evolução dos sistemas de assistência ao motorista (ADAS) como forma de elevar a segurança operacional e reduzir custos decorrentes de acidentes. Tecnologias como frenagem autônoma de emergência, controle adaptativo de velocidade, assistente de permanência em faixa, monitoramento do ponto cego e controle eletrônico de estabilidade fazem parte da estratégia da companhia para aumentar a disponibilidade das frotas.

Segundo Barbosa, a digitalização e a eletrificação tendem a caminhar de forma integrada, uma vez que a gestão de dados passa a ser um elemento cada vez mais importante para melhorar a eficiência operacional das empresas de transporte coletivo.

A empresa afirma ainda que possui um dos portfólios mais amplos de chassis de ônibus do mercado brasileiro, atendendo operações urbanas, rodoviárias, de fretamento e transporte rural. A estrutura dedicada ao segmento de passageiros inclui engenharia própria, produção em São Bernardo do Campo (SP), rede especializada de concessionárias e uma central de distribuição de peças que abastece o mercado brasileiro e mais de 60 países.

Na avaliação da Mercedes-Benz, o avanço da descarbonização dependerá menos da predominância de uma tecnologia específica e mais da capacidade do setor de combinar soluções capazes de atender diferentes perfis de operação, respeitando as limitações de infraestrutura, disponibilidade energética e custo de investimento de cada mercado.

 

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