Marcopolo conquista sua primeira patente verde com tecnologia que transforma resíduos em novos insumos
Desenvolvida em parceria com o Instituto Senai, a Massa Hefesto reaproveita resíduos industriais e incorpora matéria-prima renovável
Publicado em 10/07/2026 por Redação

A Marcopolo conquistou sua primeira patente verde com o desenvolvimento da Massa Hefesto, uma tecnologia inédita utilizada como material de vedação na fabricação de seus ônibus. A solução substitui insumos convencionais por uma alternativa desenvolvida a partir do reaproveitamento de resíduos industriais e da incorporação de sílica proveniente da casca de arroz, uma matéria-prima renovável.
Desenvolvida em parceria com o Instituto Senai de Inovação em Polímeros (ISI Polímeros) e a Ciaflex, a solução é resultado de um projeto realizado entre 2024 e 2025. A iniciativa contou com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e articulou pesquisa, desenvolvimento tecnológico e compromisso ambiental para criar uma alternativa que reduz desperdícios, amplia a circularidade dos materiais e diminui a dependência de matérias-primas fósseis.
”A Massa Hefesto nasceu da busca por uma destinação mais sustentável para resíduos gerados em nosso processo produtivo. Conseguimos transformar esse desafio em uma solução inovadora, que combina reaproveitamento de materiais, uso de matéria-prima renovável e desempenho técnico. A conquista da primeira patente verde da Marcopolo representa um importante reconhecimento desse trabalho e da nossa estratégia de inovação sustentável”, afirma Felipe Biondo, coordenador de Confiabilidade do Produto da Marcopolo.
A inovação trouxe resultados concretos, segundo a Marcopolo. Estudos realizados durante o desenvolvimento apontaram uma redução superior a 50% nas emissões de gases de efeito estufa associadas ao material, que passaram de cerca de 1,7 tonelada para aproximadamente 831 quilos de CO2 equivalente. A solução também reduziu em mais de 50% o consumo de recursos fósseis utilizados na composição do produto.
Outro benefício relevante está relacionado à economia circular. Aproximadamente duas toneladas de resíduos por ano podem deixar de ser destinadas a aterros industriais graças ao reaproveitamento viabilizado pela nova tecnologia. Apenas em uma das linhas produtivas avaliadas, a iniciativa apresenta potencial para eliminar cerca de R$ 27 mil anuais em custos associados ao descarte desses materiais.
"O Projeto Hefesto demonstra como a colaboração entre indústria e centros de pesquisa pode transformar desafios ambientais em oportunidades de inovação. Conseguimos desenvolver e validar uma solução capaz de reaproveitar resíduos industriais e incorporar matérias-primas renováveis sem comprometer o desempenho do produto, gerando benefícios ambientais, econômicos e tecnológicos para a cadeia produtiva", comenta João Gheller Junior, gerente de Operações do Instituto Senai.
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