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Buser entra no jogo oficial do transporte regular

Por Ilo Löbel da Luz , advogado e consultor Jurídico especializado no setor de transportes

Publicado em 01/04/2026 por Redação

Ilo Löbel da Luz , advogado e consultor Jurídico especializado no setor de transportes (Divulgação)
Ilo Löbel da Luz , advogado e consultor Jurídico especializado no setor de transportes (Divulgação)

A compra da Expresso JK e da Santa Maria pela Buser mostra que a empresa decidiu ir além da atuação como plataforma digital e do modelo de fretamento colaborativo. Agora a companhia precisará operar como uma verdadeira transportadora, o que muda completamente as regras e as exigências operacionais.

Essa nova fase altera todo o cenário regulatório. A plataforma sai da condição de estilingue para virar vidraça. Como não possui a expertise técnica do transporte regular, a empresa vai enfrentar o imenso desafio de manter a conformidade legal da sua malha. A operação passará a exigir a concessão de gratuidades, o cumprimento obrigatório de horários e a frequência mínima estipulada em lei. Também será exigida a manutenção de todos os sistemas de controle da agência, como Monitriip, Sigma e Sishab. A rotina diária vai envolver a resolução de problemas trabalhistas, a regulação pesada da ANTT, a fiscalização constante e o risco iminente de multas.

Fica evidente que a motivação principal para essas aquisições foi superar as barreiras regulatórias. Como a abertura de mercado está travada pela judicialização e as janelas da agência seguem sem plena implementação, comprar viações com autorizações foi o atalho encontrado para entrar no jogo oficial. A plataforma percebeu que a briga judicial custa caro e leva muito tempo, por isso escolheu garantir a sua conformidade jurídica de forma muito mais rápida.

A estratégia central não é manter a frota. A decisão de vender os ônibus adquiridos e focar em uma operação leve comprova que o grande objetivo é dominar a interface com o cliente e a venda final. O movimento mais pragmático de todos foi reconhecer o limite comercial do mundo digital. Assumir guichês em grandes terminais de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte representa uma tática direta para capturar aquele passageiro mais tradicional que ainda exige o contato presencial.

As novas rotas trazem um peso enorme para a malha da plataforma. A Expresso JK liga Brasília, Goiânia e São Paulo. A Santa Maria conecta São Paulo, a região do ABC paulista e Belo Horizonte ao Rio de Janeiro e Curitiba. Neste primeiro momento, as operadoras vão continuar trabalhando com os seus nomes originais, mas existe um plano claro para a migração completa dessas marcas no futuro.

O mercado regular ganha um competidor capitalizado, tecnológico e que opera oficialmente dentro das regras . Para as atuais operadoras o clima é de atenção total. O novo concorrente entra com muito capital e possui uma máquina de vendas digital superior à média do setor. Vender os ônibus e focar apenas na tecnologia consolida a certeza de que a guerra principal agora será na atração do cliente e na inteligência de preços. Além disso, assumir guichês físicos nos terminais acendeu um grande alerta. O mercado tradicional, que dominava as rodoviárias e deixava a briga digital para os aplicativos, agora vai disputar o passageiro tradicional diretamente no balcão.

Esse movimento vai exigir das viações antigas uma melhoria urgente no atendimento presencial e a criação de diferenciais competitivos . Para enfrentar esse novo cenário, as operadoras de transporte rodoviário interestadual precisam adotar inovações reais. Paralelamente, as viações de médio porte já sentem a pressão imediata de inovar e organizar a gestão para não perderem espaço nas rotas mais lucrativas.

Em resumo, o jogo oficial do transporte agora exige máxima eficiência comercial, segurança jurídica e excelência operacional. A régua de competitividade subiu e quem não investir em governança corporativa e em uma aproximação real com o cliente fatalmente vai ficar pelo caminho.


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