Entrevista: Ana Paula Cassorla, diretora da distribuidora Pacaembu Autopeças
Para acompanhar as mudanças no setor automotivo, a distribuidora de autopeças investiu em tecnologia, digitalização, inteligência de dados, logística e capacitação das equipes, além de ampliar o portfólio para atender às novas tecnologias embarcadas nos veículos comerciais, incluindo soluções para modelos eletrificados
Publicado em 24/07/2026 por Sonia Moraes

Technibus – Como a Pacaembu avalia o mercado de distribuição de peças para veículos pesados em 2026?
Ana Paula Cassorla – O mercado de distribuição de peças para veículos pesados segue resiliente. Apesar de um cenário econômico mais desafiador e da desaceleração na venda de veículos novos, a frota circulante continua crescendo e envelhecendo, sustentando a demanda por manutenção. Ao mesmo tempo, acompanhamos com atenção o aumento da inadimplência e o elevado endividamento de empresas e pessoas físicas, fatores que impactam o consumo, o crédito e exigem maior disciplina na gestão financeira. Ainda assim, acreditamos que empresas estruturadas, com foco em eficiência, tecnologia e relacionamento com o cliente, continuarão encontrando boas oportunidades de crescimento.
Technibus – Com a queda nas vendas de veículos pesados registradas neste ano, como está o mercado de distribuição?
Ana Paula Cassorla – Naturalmente, existe uma relação entre o mercado de veículos novos e o aftermarket, porém os impactos não são imediatos. A necessidade de manter caminhões e ônibus em operação faz com que o mercado de reposição apresente maior estabilidade. Em momentos como este, a manutenção preventiva ganha ainda mais importância, fortalecendo a demanda por peças e serviços de qualidade.
Technibus – Qual é o maior desafio enfrentado na distribuição de peças para veículos pesados neste ano?
Ana Paula Cassorla – O maior desafio é manter competitividade em um ambiente de muitas mudanças. Além dos impactos naturais de um ano de Copa do Mundo e das eleições, que costumam trazer maior cautela ao mercado, o setor enfrenta importantes transformações tributárias. Destacam-se o fim da substituição tributária para autopeças no Estado de São Paulo, a partir de 1º de outubro de 2026, e a implementação da reforma tributária, que exigirão adaptações relevantes na gestão de estoques, formação de preços, sistemas e processos. Nesse cenário, eficiência operacional, planejamento e capacidade de adaptação tornam-se fatores decisivos para o sucesso das empresas.
Technibus – A Pacaembu fez alguma mudança em sua estratégia e passou a operar com estoques menores de peças para veículos pesados? Ou teve que diversificar os itens de peças para enfrentar a concorrência dos importadores independentes?
Ana Paula Cassorla – A estratégia da Pacaembu continua baseada na alta disponibilidade de produtos. Acreditamos que estoque é um diferencial competitivo quando administrado com inteligência e tecnologia. Seguimos investindo na ampliação e qualificação do portfólio para atender às diferentes necessidades dos nossos clientes, sempre priorizando marcas reconhecidas pela qualidade, confiabilidade e segurança. Nosso foco não é reduzir estoques, mas aumentar a eficiência da gestão e ampliar a capacidade de atendimento.
Technibus – Quantos itens de peças a Pacaembu possui em seu catálogo?
Ana Paula Cassorla – A Pacaembu oferece mais de 50 mil itens em seu portfólio, atendendo toda a linha de veículos comerciais, incluindo caminhões, ônibus, implementos rodoviários, máquinas agrícolas e outros veículos de aplicação profissional. Grande parte das peças é comum entre diferentes aplicações, razão pela qual não realizamos uma divisão específica entre itens destinados exclusivamente a caminhões ou ônibus.
Technibus – Que tipo de peça tem maior demanda no mercado de distribuição de veículos pesados?
Ana Paula Cassorla – Os principais volumes concentram-se em itens de manutenção preventiva e corretiva, como componentes de freio, suspensão, direção, motor, transmissão, sistemas elétricos, iluminação, filtros, lubrificantes, baterias, produtos químicos e itens de desgaste. São componentes essenciais para garantir a disponibilidade da frota, segurança e redução do custo operacional dos transportadores.
Technibus – O que a Pacaembu fez para acompanhar as mudanças que ocorreram na indústria automotiva nos últimos anos?
Ana Paula Cassorla – Acompanhamos a evolução do setor investindo fortemente em tecnologia, digitalização, inteligência de dados, logística e capacitação das equipes. Ampliamos nosso portfólio para atender às novas tecnologias embarcadas nos veículos comerciais, incluindo soluções para veículos eletrificados, além de oferecer sistemas de diagnóstico e telemetria, que contribuem para uma manutenção mais eficiente e uma gestão mais inteligente das frotas. Também fortalecemos continuamente nossas ferramentas digitais e nossos processos para proporcionar mais agilidade, eficiência e uma experiência cada vez melhor aos clientes.
Technibus – Quais são os planos da Pacaembu para continuar com forte crescimento no mercado de distribuição?
Ana Paula Cassorla – Nosso crescimento está baseado em três pilares: expansão geográfica, excelência operacional e transformação digital. Continuaremos investindo na ampliação da nossa presença nacional, com a abertura de novas filiais estrategicamente localizadas, no fortalecimento da estrutura logística, na evolução dos canais digitais e no desenvolvimento das pessoas. O objetivo é consolidar a Pacaembu como a distribuidora mais especializada em veículos comerciais do Brasil e uma solução completa para varejistas, oficinas, frotistas e transportadores.
Technibus – Em que área a empresa tem concentrado os seus investimentos?
Ana Paula Cassorla – Os investimentos estão concentrados principalmente em tecnologia, inteligência logística, digitalização dos processos, infraestrutura, modernização das unidades, ampliação do portfólio e desenvolvimento de pessoas. Recentemente, inauguramos nossa nova sede administrativa, um ambiente moderno e preparado para sustentar os próximos ciclos de crescimento da companhia.
Technibus – Quais são as expectativas da empresa para o mercado de distribuição?
Ana Paula Cassorla – As perspectivas permanecem positivas no médio e longo prazo. O crescimento da frota circulante, aliado à necessidade crescente de disponibilidade dos veículos e à profissionalização do setor, continuará impulsionando o mercado de reposição. Acreditamos que empresas investidoras em tecnologia, eficiência logística, relacionamento com o cliente e qualidade de atendimento estarão cada vez mais preparadas para crescer de forma sustentável. A Pacaembu seguirá investindo para oferecer ao mercado uma solução completa em peças para veículos comerciais, sempre com foco em inovação, disponibilidade e excelência no atendimento.
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