MobiBrasil investe em modelos elétricos para São Paulo
Em entrevista à Technibus, Niege Chaves, vice-presidente do Grupo MobiBrasil, fala sobre os planos de renovação da frota e ressalta a importância da aprovação do marco legal
Publicado em 23/03/2026 por Márcia Pinna

Até julho, a MobiBrasil vai receber 128 ônibus elétricos para São Paulo, que representam um investimento perto de R$ 180 milhões. Para o segundo semestre, a empresa deve fazer outro pedido de mais 80 veículos, no valor aproximado de R$ 80 milhões. Os ônibus contam com chassis BYD e Mercedes-Benz.
“Em São Paulo, estamos fazendo a renovação toda de modelos elétrico, que é a única forma possível atualmente. Estamos no aguardo da autorização para o biometano. Em Recife, estamos comprando 40 ônibus a diesel, e vamos adquirir para Sorocaba. Mas, a gente vai começar a testar elétricos também”, conta Niege Chaves, vice-presidente do Grupo MobiBrasil, em entrevista à Technibus.
As oscilações do preço do diesel têm sido um desafio para as empresas de ônibus. “Esse é o tipo de problema ‘bomba atômica’, porque vai atingir todo mundo. Infelizmente, a gente tem muita pouca força de resolver principalmente os contratos. Em algumas cidades, a gente trabalha com banda. Então, quando passa da banda de 10%, você absorve, o resto o governo já vai dando gatilho. Há diferentes modelos, em alguns o gatilho é com 5% e aí já volta para o retroativo. Mas o fato é que esses aumentos de diesel criam um déficit nas empresas”, comenta Niege.
A empresária avalia que este é um momento tenso para o setor de transporte público. “É muito complexo, é bem difícil. E a gente tem a preocupação até que a gente tenha problema de fornecimento. Seria o pior dos mundos, se faltar o produto e não conseguirmos colocar os ônibus nas ruas”, alerta.
No caso dos ônibus elétricos, obviamente as oscilações do diesel não afetam a frota, mas, em compensação, a empresária aponta outros riscos. “A questão de chegada da energia, dificuldade de abastecimento de média e alta tensão. Estamos com a garagem dos Jabaquara pronta, da Alvarenga também. Mas estamos discutindo as alternativas de BESS e de alta tensão. Porque pelo que a gente está vendo, o que temos hoje não é suficiente para a gente fazer a renovação para a frota elétrica", observa.
Na visão de Niege, o BESS é importante em dois cenários: o primeiro é resolver como paliativo no curto prazo. "E a segunda hipótese é para dar mais estabilidade. Pois, com esses riscos que a gente corre de energia, com as chuvas que atrapalham a distribuição, o BESS é uma garantia de que se houver algum problema na central os ônibus não vão ficar com abastecimento. Então eu acho super importante a gente ter esse apoio do BESS nas garagens. Faz parte da estratégia quando o volume for muito grande de frota."
Legislação
A empresária ainda destaca a importância da aprovação do marco legal do transporte coletivo, que está na iminência de ser votada na Câmara. "Acho que o marco regulatório é início de novas relações operacionais e comerciais entre empresas e órgão gestor. Eu sempre falo isso. Porque haverá mais clareza de como o órgão gestor vai cobrar, fiscalizar, pagar por viagem cumprida, por passageiro transportado, por pontualidade. Então haverá essa capacidade de as empresas serem mais auditadas e mais controladas. Acho que isso vai melhorar a qualidade do serviço", acredita.
Niege observa que, em contrapartida, o governo vai ter mais responsabilidade para fazer o que estiver dentro do orçamento e pensar antes de dar gratuidade. "O sistema vai estar mais integrado. Acho que nesse jogo vai ter um ganha-ganha enorme, tanto para a sociedade como para o setor empresarial. Porque depois do marco regulatório, devem vir até investimentos internacionais, como aconteceria energia, saneamento. Acho que isso traz uma segurança maior para o setor de transporte público. Não muda de imediato. Eu brinco que não vira da noite para o dia, a catraca, a chave, mas começam a ter mudanças na forma de contratação, nos contratos atuais. Isso vai vir em uma perspectiva de futuro."
O projeto de lei PL 3278/2021 recebeu uma série de críticas sobre um possível aumento de taxas e impostos que o marco poderia trazer. "Acho que esse tipo de crítica é superficial, e é de quem não conhece o setor e não conhece a importância que a mobilidade tem nas cidades e na vida das pessoas. Porque muito mais caro é o engarrafamento, é a questão da saúde pública, é o trânsito, é o tempo que as pessoas perdem no deslocamento. Então, qualquer investimento, qualquer dinheiro investido em transporte público de qualidade é um dinheiro investido para a melhoria da vida das pessoas nas cidades, com mais qualidade de vida."
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