Seminário realizado em São Paulo, no dia 24 de fevereiro de 2026, pelo Lide – Grupo de Líderes Empresariais, mostrou avanços, desafios e potencialidades da eletromobilidade no país. Ao lado do ex-governador paulista e fundador do Grupo Lide, João Dória Júnior, participaram do evento o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e Alexandre Baldy, vice-presidente da BYD Brasil, além de outros políticos, empresários e especialistas.
O encontro foi estruturado em dois painéis. No primeiro deles, que buscou evidenciar como a eletromobilidade transforma o dia a dia das pessoas, Ricardo Nunes informou que São Paulo já possui a maior frota de ônibus elétricos do Brasil, com mais de 1.100 veículos em operação. Disse que a substituição dos ônibus a diesel por modelos elétricos é um avanço significativo, com redução de emissões e impactos positivos na saúde pública, com a previsão de evitar 388 mortes prematuras – sobretudo por doenças respiratórias – até 2032.
O prefeito sublinhou que cada ônibus elétrico substitui o consumo de 35.000 litros de diesel anualmente, o que equivale ao impacto ambiental de 6.400 árvores plantadas. O custo elevado da transição é um desafio. Um ônibus elétrico custa R$ 2,8 milhões, enquanto um a diesel sai por R$ 800.000, exigindo um planejamento financeiro robusto. A prefeitura estruturou um modelo de financiamento, com a participação de bancos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, além de parcerias internacionais, como o Banco da China.
Celso Caldeira, secretário de Mobilidade Urbana de São Paulo, salientou a importância da eletromobilidade para o transporte público da cidade – sistema que conta com 13.419 ônibus, sendo 12.098 em operação e os restantes integrantes da frota reserva. Em 2025, São Paulo transportou 1,9 bilhão de pessoas, com uma média diária de 7 milhões de passageiros.
Transformação do dia a dia
Iêda Maria Oliveira, diretora-executiva da Eletra, enfatizou que a mobilidade elétrica vai além de uma simples mudança tecnológica, representando uma transformação profunda no estilo de vida urbano. Ela destacou que a substituição do diesel pela eletricidade melhora o conforto, reduz a poluição e impacta positivamente a saúde pública. A executiva ressaltou que os veículos elétricos significam oportunidade para o Brasil recuperar mercado na América Latina.
A popularização dos veículos elétricos desde 2020 foi um dos pontos levados ao seminário por Ricardo Guggisberg, presidente do Instituto Brasileiro de Mobilidade Sustentável. Ele ressaltou o amadurecimento da mobilidade elétrica no Brasil e informou que, em 2025, São Paulo superou a marca de 80 mil unidades de bicicletas elétricas, o que, segundo disse, evidencia o crescente interesse por soluções sustentáveis. Em sua opinião, o panorama para o segmento é otimista, apesar dos desafios iniciais, como a insegurança quanto à recarga e os custos de adoção.
Miguel Priscinotti, secretário-executivo de Políticas para Cidades e Transporte do governo de Goiás, mostrou o conceito de “realismo verde”, descrito como a filosofia por trás da descarbonização naquele estado. Em suas palavras, a iniciativa vai além da simples eletrificação da frota: o objetivo é realizar a transição de maneira responsável, levando em consideração aspectos sociais, ambientais e econômicos.
A Loga – Logística Ambiental de São Paulo é responsável pela coleta, transporte, tratamento e destinação final dos resíduos domiciliares e de saúde da Região Noroeste da cidade de São Paulo. O presidente da empresa, Domenico Granata, afirmou que a gestão moderna de resíduos sólidos pode desempenhar um papel crucial na transição energética e na descarbonização da mobilidade urbana, ao integrar as soluções de gestão de resíduos à evolução das cidades sustentáveis, com produção de energia elétrica, biogás e biometano.
Papel da eletromobilidade
Alexandre Baldy, vice-presidente da BYD Brasil, enfatizou que a mobilidade elétrica vai além de veículos, afetando diretamente as necessidades de locomoção das pessoas, com impactos sociais e econômicos significativos. Para o Brasil, ele vê a mobilidade elétrica como uma oportunidade estratégica, dada a abundância de minerais essenciais, como terras raras, necessários para baterias de veículos elétricos. A verticalização da cadeia de produção desses recursos poderia impulsionar a economia brasileira.
Baldy também alertou para a urgência de políticas públicas claras e eficientes, especialmente em relação à regulação do trânsito e ao atraso na implementação de energia fotovoltaica no país, o que prejudica o aproveitamento do potencial da mobilidade elétrica.
Ele destacou que os carros elétricos podem representar uma economia significativa para as famílias brasileiras, que gastam uma grande parte de sua renda com combustíveis, podendo reduzir esse custo ao optar por eletricidade. Também abordou a importância de investimentos na infraestrutura de recarga, apontando que a BYD está expandindo rapidamente os carregadores rápidos no Brasil, o que ajudará a tornar a mobilidade elétrica mais acessível.
Por fim, Alexandre Baldy ressaltou a importância de políticas públicas para atrair investimentos e gerar empregos, além de como o Brasil pode se tornar um polo de inovação na produção de baterias e veículos elétricos, especialmente com o apoio à transferência tecnológica da China. Ele acredita que, nos próximos anos, o Brasil terá um crescimento significativo na mobilidade elétrica, podendo se tornar um líder global no setor.
Visão otimista
CEO da Zletric, Pedro Schaan levou ao seminário uma visão otimista sobre o futuro dos carros elétricos no Brasil, destacando a necessidade de uma ação coletiva para expandir a infraestrutura de recarga e fortalecer a regulamentação do setor. As leis que garantem o direito de instalação de carregadores em garagens de condomínios, como a recente legislação em São Paulo, foram vistas como um avanço importante para facilitar a adoção de veículos elétricos.
Daniele Nadalim, sócio e diretor da Minencen, apresentou um diagnóstico da indústria automobilística brasileira e as projeções para o setor de veículos elétricos. Ele ressaltou que, apesar dos desafios, o Brasil possui grandes oportunidades no setor de eletromobilidade, especialmente se souber aproveitar suas vantagens comparativas, como a mineração e a engenharia. O futuro da mobilidade sustentável no país dependerá da capacidade de se posicionar estrategicamente frente às mudanças globais e de investir em inovação tecnológica e infraestrutura.
Uma apresentação sobre os 20 anos de atuação da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e uma reflexão sobre o papel da entidade no desenvolvimento do setor foi a contribuição de Daniel Caramori, gerente sênior de assuntos governamentais da General Motors do Brasil e diretor da ABVE. Ele destacou o aumento de associados e a importância de uma colaboração entre empresas, governos e sociedade para garantir o sucesso da revolução da mobilidade elétrica.
Outra dirigente da ABVE, Márcia Loureiro, compartilhou insights sobre as oportunidades de negócios no setor. Dividindo as perspectivas em três verticais principais, disse que a rentabilidade na operação de pontos de recarga, a criação de soluções digitais para facilitar a experiência do usuário e o investimento em energia renovável e armazenamento se destacam como áreas-chave para o crescimento sustentável do setor.
Thiago Hipólito, diretor de inovação da 99, compartilhou a visão da empresa sobre o futuro da mobilidade elétrica, destacando as parcerias e iniciativas que têm impulsionado a adoção de veículos elétricos no Brasil. Ele enfatizou que, para acelerar a transição, é fundamental investir na infraestrutura de recarga e na educação do consumidor sobre os benefícios dessa tecnologia.
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